Lista de Poemas
Da utopia recorrente
a utopia é só o grito
de quem abraça o infinito
na carência dos fatos
na esteira dos sentidos
a utopia é o rito
de quem habita o futuro
nos sentidos
com a intimidade humana
de quem constrói a vida
Vagar nos mares
varar o mundo
virar o mundo
a luta é a vida
vaga de tudo
saltemos as ondas
dos mares intrusos
construção intensa
das pranchas do povo
Reminiscência XLVI
a bailarina
boiava no palco
nave onírica
humano dardo
o infinito
encabulado
dava-se contrito
em cada salto
o homem
media nos olhos
os vários infinitos
que mirava
Ainda do outro com eu navegante
dê-se em mim como privada
a alheia senda do outro
essa necessidade proprietária
da matéria em alvoroço
construção libertária
de quem navega seu esforço
como um barco desses mares
em que a vida dá-se aos poucos
e por tanta resumida
nas infinitas demarches
de-se à dialética
de todos seus olhares
como a vida a transitar
como coletiva face
de todos que a integram
na material paisagem
esse pertencer perdulário
de quem se dá à verdade
de que todos sou eu
diagramado na tarde
em que a estrada da vida
percorre a liberdade
e assim dado à multitude
como grão coletivo
escreva nas atitudes
a cerimônia do rito
de quem escreve em si
a rubrica do infinito
Escrava liberdade
dado à vida
em que me caiba
ultrapasso os metros
da senzala
a liberdade é escravidão
fincada na alma
guerrilha humana
em que me basto
Das raias da alma
a alma é passatempo
a matéria joga neurônios
ao sabor dos ventos
os que inventam a vida
os que enganam o tempo
fazê-la trama
construção do futuro
desconstruir as pátrias
urdidas no mundo
vivê-la universal
nas urgências de tudo
Das estradas de tanto
os caminhos postos
estejam sob os passos
de quantas razões
construam os atos
a vontade
na trilha de tanto
esteja perseguida
nas curvas e planos
a construção de tudo
forja da matéria
são degraus intensos
da humana história
Poema em parto
o poema é trajeto
viela do mundo
ao cérebro
esse deixar-se humano
no vão do verbo
dado às ruas
parto manifesto
apenas expulsa
as placentas que gesta
a palavra em desobediência
ainda gestante
belisca a alma do poeta
Poema em fuga
o poema
rente ao verbo
admite as curvas
de suas retas
planta a palavra
em trejeitos
nesgas do poeta
no perímetro do peito
o poema é livre
em cada cela
prisioneiro do mundo
nas grades do poeta
Reminiscência XLV
a noite
afagava a tarde
trafegando a lua
pelo espaço
o tempo
posto em arquivo
lembrava no sono
seu sorriso
pulsando a vida
o menino adormecido
embrulhava no sonho
o infinito
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.