Lista de Poemas
Reminiscência XLIX
o menino tinha no rio
um mar transeunte
na estrada dos sonhos
como latente navegante
as águas fingiam
edredons urgentes
abraçando a emoção
pela corrente
no colo do tempo
o menino, em si vagando,
inventava o mundo
e vigia o privado oceano
da vastidão das ruas
tenha-se a vida
como ofício
fala da matéria
em traduzir-se
degraus do homem
com o sonho em riste
tenha-se a vida
como invólucro da luta
do povo em disputa
tudo que a tenha tanta
plante o tempo nas ruas
Poema em tráfego errante
alvoroço verbal
o poema transita
no beco do poeta
as ruas que grita
palavras calçadas
calcadas nas pistas
estradas flutuantes
nas costas do dia
veias recorrentes
de suas avenidas
as que teimam o verbo
as que sonham a vida
Lembranças temporais
a saudade
é só um tempo
do passado
em que se cabe
voos do futuro
pela vontade
nos braços da vida
como nave
pulsar o presente
em memória exata
do tempo arquivado
nas brechas da alma
Do nascer em comento
eu vim de mim
como invento
que todos criaram
pelo tempo
átomo militante
matéria em pensamento
eu vim de mim
assim urgente
com o povo no peito
e a vida nos dentes
Visagens
no colo do verso,
ávida, a palavra
finge no poeta
rastros da alma
pisadas consentidas
no palco da memória
a vida dá-se verbo
teatro da fala
atravessada no tempo
como lúdica arma
Vívida entrância
a vida
não se basta
é preciso vive-la
em passeatas
os andares pensantes
os pensares da prática
nessa dialética urgente
que os contrários se abraçam
a vida é um grávido comício
da matéria e suas táticas
Tempo em rito gestante
forme-se o rito
exato distrato
entrega do mundo
às vias de fato
vigência humana
messe avulsa
das braçadas trançadas
nas vagas da luta
grávido ritmo
da gestão de tudo
construção do tempo
escoicear do futuro
Ode a Maya Plisetskaia
Maya Plisetskaia
discursa sem verbo
sua avulsa verve
são apenas gestos
e uma mania imensa
de inventar universos
os que despeja no palco
os que vigem em manifesto
nas eternidades repentinas
das coxias do cérebro
Das liberdades
escravo de mim
dou-me à liberdade
inventando um tempo
que me caiba
horas de sonho
gestos que ajo
escravo de todos
dou-me ao plano
de construir um tempo
sempre humano
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.