Lista de Poemas
humanas vias
inventar-se
é só trejeito
da vontade
coisa de matéria
dada à liberdade
na fluência exata
em que se cabe
consumir a vida
nesses saltos
é dar-se à rebelião
em pacífico ato
Fugas
a fala do poema
foge do poeta
no arco do verbo
de alheia seta
o alvo nem sempre
dá-se a conversa
a veia das palavras
é discurso interno
medra privada
em coletiva saga
Do poema em cena
o poema
talvez não caiba
nas brechas doídas
no colo da alma
como discurso
planta a palavra
no invólucro humano
em que se larga
o poema é placebo
o poeta seu escravo
Reminiscência XLVIII
por trás da manhã
a noite armava
na síncope de si
a madrugada
a escuridão
em franca distopia
tentava negar as luzes
que o mundo urdia
as rimas do verso
nem pressentiam
que o sonho brilhava
mais do que dizia
Sincronia
assíncrona
a vontade, às vezes,
foge do mundo
como medo
a largura do tempo
dá-se à vida
como arma inepta
esquecida
a sincronia da vontade
é sempre construída
Do outro em lúdica trama
do outro ter-se-á a lógica
de inventar-se em mim
como se fosse própria
toda a ilação humana
de quem se constrói
por dentro da história
e há de ter-se assim
humanamente conjugado
como se gente fosse então
uma espécie de gado
que rumina verbos e futuros
em todos os cercados
e fosse a própria identidade
do que lhe era o todo
por ser só de si o contrassenso
de parecer tão pouco
quando não existe o espelho
para refletir o outro
é que a vida se constrói
quase sempre aos poucos
e há um futuro reservado
nos desvãos dos outros
que teimam em ser passado
do que em nós é futuro e porto
Da concisão humana
objeto
posto no mundo
dou-me à condição
de rastro de tudo
as marcas do que me vive
deixa pegadas nessa luta
andarilho
caminho o próximo
rumo das estradas
em que me conforto
a matéria dá-se a tanto
como invenção do outro
Noções em sertânica saga
a terra, magra,
dá-se sertão
ainda avara
como fora grito
alinhavado
nos pés do povo
em caminhada
a vida
desgrenhada
pinta de futuro
a madrugada
Reminiscência XLVII
em Copacabana
pela calçada
o menino vigiava
as madrugadas
a que o tempo tangia
a que o sonho armava
os adultos
em caminhada
não percebiam que o tempo
também sonhava
Horizontes
o horizonte
biombo do mundo
belisca o futuro
nos rumos de tudo
o que vive na mente
o que é fato em curso
todo horizonte
é lógico discurso
da vigência humana
nas andanças do mundo
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.