Lista de Poemas
Das vigas da saudade
a manhã
arquivada na paisagem
boiava nos olhos
como lúdica frase
o homem desabraçado
arquivava o mundo
na instável complacência
de viver-se em tudo
esperava o tempo
em que a noite mostrasse
o piscar das estrelas
postas na saudade
Da praça em rasgos
a praça
como lógica
urde-se trama
da história
veia do povo
finge-se rua
derrame de passos
insumo da luta
a praça
quando comício
larga-se história
como indício
Da farsa das ogivas
a bomba
na sua ogiva
chafurda o capital
suas premissas
farsa monetária
adredemente explosiva
pólvora das bolsas
de valores e divisas
arranjo capital
da farsa capitalista
Das construções relativas
à vontade
oficina consentida
de-se a construção
das reticências da vida
joga-la nos braços
sonho à deriva
arquiteta de fatos
conjuração desmedida
metragem toda dos homens
conjugados nas avenidas
Indivídua cena
meu dogma
é viver o riso,
mesmo na tristeza,
quando coletivo
a senda privada
resta presumida
instância de todos
quando consentida
deixar-se no mundo
generalizar a vida
é substrato vivente
do lapso indivíduo
Volitiva jornada
a vontade
bastião da vida
basta-se tanta
quando consentida
nos veios do mundo
na saga coletiva
dar-se aos saltos
assim permitidos
abraçados à matéria
em seu curso infinito
a vida é o privilégio
de navegar esse rito
Salto em lembrança
a saudade
é um tempo insubmisso
passado dá-se a presente
com ares de infinito
desconjunta o futuro
rasgo indeciso
em querer-se passado
quase vitalício
a vida tremula um tempo
inteiramente fictício
Provecta andança
envelheço
todas as juventudes
que me cabem
as que venham do tempo
as vindas da vontade
a ciranda dos anos
quando navegados
apenas incorporam
as infâncias que sabem
Da conflagração da paz
a luta
assim aos poucos
vai construindo
os modos do povo
trejeito histórico
da coletiva sina
de abraçar o futuro
nos braços da vida
a luta
apenas grita
a vontade pacífica
do infinito
Da humana campanha
a vida
é um comício
pelo vão da alma
no palanque do corpo
como uma fanfarra
as idéias gritam
à procura da fala
ao homem
como arma
cabe organizar
a passeata
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.