Lista de Poemas
Das configurações do viver
estar velho cedo
quando tarde
é brincar de anoitecer a liberdade
é fingir-se de um tempo
que entorna as manhãs
como cachoeiras de saudade
e derrama pelos ombros
o peso exato da vontade
viver é só remar
todos os mares que se sabe.
quando tarde
é brincar de anoitecer a liberdade
é fingir-se de um tempo
que entorna as manhãs
como cachoeiras de saudade
e derrama pelos ombros
o peso exato da vontade
viver é só remar
todos os mares que se sabe.
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Ode à garçonete do Hotel Sputnik
No ventre do teu olhar
existe o mesmo desatino
com que se lança o Rio Neva
na esteira do destino
tem a preguiça teu olhar
de um dia estatizado
e a nervura dos confortos
com que a vida, às vezes, há de
tem do mar as ondas do báltico
e a desfaçatez do que nem digo
e se cabe, assim, em palavras
descabe das coisas que nem sinto
tem a exata compostura
de uma dízima infinda
que nunca começa nos teus olhos
e que nunca em nós termina.
existe o mesmo desatino
com que se lança o Rio Neva
na esteira do destino
tem a preguiça teu olhar
de um dia estatizado
e a nervura dos confortos
com que a vida, às vezes, há de
tem do mar as ondas do báltico
e a desfaçatez do que nem digo
e se cabe, assim, em palavras
descabe das coisas que nem sinto
tem a exata compostura
de uma dízima infinda
que nunca começa nos teus olhos
e que nunca em nós termina.
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Dos alinhavos da velhice andante
cavaleiro andante
convoco meu instinto
nas estradas que traço
nos desvãos do que sinto
cada hora inventada
é uma desculpa
de como tornar mais breves
todas as culpas:
as que venham da vida,
as que sejam da luta.
convoco meu instinto
nas estradas que traço
nos desvãos do que sinto
cada hora inventada
é uma desculpa
de como tornar mais breves
todas as culpas:
as que venham da vida,
as que sejam da luta.
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Da remessa ao estranho
Dá-se o acordo:
nas entrelinhas da vida
alinhavo minha condição
de outro
tudo de mim
é um só esforço
em transbordar os eus
a que me forço
a rebelião em mim
adredemente rebelou-se.
nas entrelinhas da vida
alinhavo minha condição
de outro
tudo de mim
é um só esforço
em transbordar os eus
a que me forço
a rebelião em mim
adredemente rebelou-se.
👁️ 3 600
Dialética insubmissa
O outro é só a antítese
da síntese que somos todos
e as teses ainda pulam
no emaranhado das bocas
mas há um futuro imposto
nos verbos que nos ouçam.
É que juntos nos dispersamos
na unidade das coisas.
da síntese que somos todos
e as teses ainda pulam
no emaranhado das bocas
mas há um futuro imposto
nos verbos que nos ouçam.
É que juntos nos dispersamos
na unidade das coisas.
👁️ 3 645
Dos caminhos do futuro
aos camaradas
reste a desculpa
de inventar os sonhos
nos caminhos da luta
figurantes dessa dança
inventarão com o povo as portas
e os degraus da esperança
a revolução, enfim,
constantemente
é só um montar na história
de repente.
reste a desculpa
de inventar os sonhos
nos caminhos da luta
figurantes dessa dança
inventarão com o povo as portas
e os degraus da esperança
a revolução, enfim,
constantemente
é só um montar na história
de repente.
👁️ 3 518
Das tecituras do caminho
para lutar
comigo
deixo-me estar
subversivo
o tempo
é só um indício
de que há uma lei
a que me obrigo:
nada será o futuro
senão meu ofício.
comigo
deixo-me estar
subversivo
o tempo
é só um indício
de que há uma lei
a que me obrigo:
nada será o futuro
senão meu ofício.
👁️ 3 626
Palavras ao verbo rasante
escrevo o quântico
quantifico o nada
o poema é quase tudo
perdido nas palavras
o verso é só um jeito
de descobrir a madrugada
verbos são andorinhas
que se jogam pelas calçadas
seu vôo é a imensidão
nos descaminhos das asas
quantifico o nada
o poema é quase tudo
perdido nas palavras
o verso é só um jeito
de descobrir a madrugada
verbos são andorinhas
que se jogam pelas calçadas
seu vôo é a imensidão
nos descaminhos das asas
👁️ 3 490
Das demarches do pensar e suas esperas
o algoritmo
é só um indício
das razões que tangem
todos os sentidos
o vão de suas teses
apenas resvala
nas sinapses que explodem
nas batalhas.
o algoritmo é só um vício
de razões avaras.
é só um indício
das razões que tangem
todos os sentidos
o vão de suas teses
apenas resvala
nas sinapses que explodem
nas batalhas.
o algoritmo é só um vício
de razões avaras.
👁️ 3 616
Romaria desenfreada
a rua decreta
pelos passos
a rebelião de todos
os abraços
no pulmão do povo
resfolega o futuro
os tamanhos oníricos
da imensidão do mundo
lutar é um passear
pelos caminhos de tudo.
pelos passos
a rebelião de todos
os abraços
no pulmão do povo
resfolega o futuro
os tamanhos oníricos
da imensidão do mundo
lutar é um passear
pelos caminhos de tudo.
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.