Lista de Poemas
Soneto quase combatente
das vidas que se digam assim tão poucas
pelo muito que gastam pelos braços
estejam sempre unidas em cada esforço
inventando a fartura de seus abraços
e os trabalhos que matam suas forças
nos desvãos da exploração arquitetada
removam da manhã todas as horas
em que estejam assim tão declaradas
e o sol do futuro esteja urgente
caminhando nas ruas do presente
nos braços de quem luta a madrugada
e terçando as bandeiras que invente
nos sertões dessas almas se apresente
como o grande construtor da alvorada
pelo muito que gastam pelos braços
estejam sempre unidas em cada esforço
inventando a fartura de seus abraços
e os trabalhos que matam suas forças
nos desvãos da exploração arquitetada
removam da manhã todas as horas
em que estejam assim tão declaradas
e o sol do futuro esteja urgente
caminhando nas ruas do presente
nos braços de quem luta a madrugada
e terçando as bandeiras que invente
nos sertões dessas almas se apresente
como o grande construtor da alvorada
👁️ 124
Da urbana rendição do sentimento
agrária,
a cidade trafega
as urbanas lembranças
de suas terras
urbana,
a natureza navega
os latifúndios que constroi
nos ombros da terra
o homem,
em agrária urbanidade,
constrange a franja do peito
em espaços que nem sabe
e a vida é só um trejeito,
uma máscara da cidade
a cidade trafega
as urbanas lembranças
de suas terras
urbana,
a natureza navega
os latifúndios que constroi
nos ombros da terra
o homem,
em agrária urbanidade,
constrange a franja do peito
em espaços que nem sabe
e a vida é só um trejeito,
uma máscara da cidade
👁️ 292
Sobre a angústia e sua estadia
a angústia
pulsa intensa
nos vincos que quebra
da paciência
e larga-se no peito
como uma estrada
que desenha desvios
nas viagens da alma
tudo que lhe teima
é uma alegria mascarada
nos carnavais que a tristeza
constrói como cilada
pulsa intensa
nos vincos que quebra
da paciência
e larga-se no peito
como uma estrada
que desenha desvios
nas viagens da alma
tudo que lhe teima
é uma alegria mascarada
nos carnavais que a tristeza
constrói como cilada
👁️ 162
da dosimetria do poema em franca síntese
sobre o poema
resta a palavra
e uma certa ilusão
nos verbos de que trata
o poeta só amplia
a dosimetria da fala
e léguas são palmos
nos infinitos da alma
sobre o poema
resta a vastidão
dos metros que se tenha
nos palmos do coração
resta a palavra
e uma certa ilusão
nos verbos de que trata
o poeta só amplia
a dosimetria da fala
e léguas são palmos
nos infinitos da alma
sobre o poema
resta a vastidão
dos metros que se tenha
nos palmos do coração
👁️ 342
Dos galopes da vida em rasa alusão
as rédeas
do juízo
não as uso
é que as selas das palavras
montadas a prumo
adestram as estradas
e todos os rumos
as rédeas da vontade
não as invoco
é que o desembestar da vida
é um galope sólido
que tange todas as razões
no sentido de nós próprios.
do juízo
não as uso
é que as selas das palavras
montadas a prumo
adestram as estradas
e todos os rumos
as rédeas da vontade
não as invoco
é que o desembestar da vida
é um galope sólido
que tange todas as razões
no sentido de nós próprios.
👁️ 165
Pequena alusão à vida
minha direção é o tempo
nas ranhuras do cansaço,
o futuro é apenas o invólucro
de todos os meus passos.
tudo que me leva
é a certeza incontida
de construir meus abraços
para enfeitar a vida
o povo é só o motivo
que me deixa nessa lida.
nas ranhuras do cansaço,
o futuro é apenas o invólucro
de todos os meus passos.
tudo que me leva
é a certeza incontida
de construir meus abraços
para enfeitar a vida
o povo é só o motivo
que me deixa nessa lida.
👁️ 200
Paisagem lunar e circunstância
a lua
justa no céu
corta a noite
como se fora
uma exata foice
e nova, desmaia
nos ombros de um infinito
em que naufraga
todos os navios de mim
que das pupilas saltam,
viajantes dos portos gerais
das cidades da alma.
justa no céu
corta a noite
como se fora
uma exata foice
e nova, desmaia
nos ombros de um infinito
em que naufraga
todos os navios de mim
que das pupilas saltam,
viajantes dos portos gerais
das cidades da alma.
👁️ 91
das contrafações viventes e mortais
heurístico por natureza
agradeça à vida
por tudo aquilo
que seja e não seja
e nem me despeço da morte
com incertezas
por sabê-la parente à vida
com uma nesga de tristeza
menos porque pareça
uma vida invertida
mas por quere-la presente
quando não mais querida
agradeça à vida
por tudo aquilo
que seja e não seja
e nem me despeço da morte
com incertezas
por sabê-la parente à vida
com uma nesga de tristeza
menos porque pareça
uma vida invertida
mas por quere-la presente
quando não mais querida
👁️ 385
da construção permanente do devir
sonhos são
exatamente
um desejo arquivado
no peito da gente
em sono
construindo futuros
dei-me a desconstruir
todos os muros
e era um tempo
tão sempre
que eu me deixei
p'ra depois
exatamente
um desejo arquivado
no peito da gente
em sono
construindo futuros
dei-me a desconstruir
todos os muros
e era um tempo
tão sempre
que eu me deixei
p'ra depois
👁️ 357
das intifadas do pensamento em vazão profana
há em tudo uma razão frequente
que constata a vã e tal medida
que joga os sonhos pelas gentes
como retratos de anseios indormidos
e é de tê-los assim impunemente
nos cachos de sono em que se agitam
e transeuntes da vida que não queiram
e passageiros das mortes que não lidam
e é de armá-los como fogueiras
em peitos e coxas, em sorrisos
e é de truncá-los pela vida
numa vasta desmedida
e é de vivê-los pelos cantos
em desculpas embrulhados
vergonhas que se queiram vias
de aparentar algum recato
e é de arrumá-los na cabeça
em compleição de cada intento
e morrê-los em gritos
e chorá-los em medos
há em tudo uma razão frequente
amordaçado o vão de quem se via
como parte de um sonho em simetria
com as medidas que não se pressente
e é de tê-los invernosos
nos sóis a pino
e senti-los quentes
como o frio
e é de desarmá-los pelas salas
em verbos que não se delatem
embrulhados em palavras que não sejam
a exata compreensão do que é tarde
e é de aturá-los navegantes
marinheiros de mares consentidos
grandes como as confissões
que deixamos postas em cabides
há uma razão
de lavrar os sonhos de uma saída
de tudo que a gente sente
e que não consente como a vida
e é de tê-los amanhecidos
quando noturnos ainda em nosso jeito
na estranha dialética que decide
a inexata franja do peito
e é de tê-los nus
no pensamento
lua destemperada
do que eu sinto
e é de tê-los useiros
e vezeiros da emoção
intifada que se prega
no meio do coração
que constata a vã e tal medida
que joga os sonhos pelas gentes
como retratos de anseios indormidos
e é de tê-los assim impunemente
nos cachos de sono em que se agitam
e transeuntes da vida que não queiram
e passageiros das mortes que não lidam
e é de armá-los como fogueiras
em peitos e coxas, em sorrisos
e é de truncá-los pela vida
numa vasta desmedida
e é de vivê-los pelos cantos
em desculpas embrulhados
vergonhas que se queiram vias
de aparentar algum recato
e é de arrumá-los na cabeça
em compleição de cada intento
e morrê-los em gritos
e chorá-los em medos
há em tudo uma razão frequente
amordaçado o vão de quem se via
como parte de um sonho em simetria
com as medidas que não se pressente
e é de tê-los invernosos
nos sóis a pino
e senti-los quentes
como o frio
e é de desarmá-los pelas salas
em verbos que não se delatem
embrulhados em palavras que não sejam
a exata compreensão do que é tarde
e é de aturá-los navegantes
marinheiros de mares consentidos
grandes como as confissões
que deixamos postas em cabides
há uma razão
de lavrar os sonhos de uma saída
de tudo que a gente sente
e que não consente como a vida
e é de tê-los amanhecidos
quando noturnos ainda em nosso jeito
na estranha dialética que decide
a inexata franja do peito
e é de tê-los nus
no pensamento
lua destemperada
do que eu sinto
e é de tê-los useiros
e vezeiros da emoção
intifada que se prega
no meio do coração
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.