Lista de Poemas
Do sujeito poema
o poema
não é objeto
sujeito de si
ejacula o poeta
todo seu tesão
é ter-se manifesto
nessa íntima relação
de homem e verbo
o poema gesta o poeta
nessa incontinência
de prestar-se ao coito
no vão da consciência
o poeta, subjugado,
no matrimônio da fala,
é só amante da palavra
De Gaza em verbal comento
o genocídio
estrangeiro protocolo
esgana Gaza
a vida e a lógica
podre
em sua notícia
regurgita no mundo
a sanha sionista
a história
humana guerrilheira
arruma no tempo
suas bandeiras
as que tremulam a vida
as que sujam suas teias
o poema em Gaza
da-se arma e gana
o eu lírico engasga
em todas as Palestinas
que se tem na alma
Da vida em vista
a vontade dos olhos
engole a paisagem
salpica a razão
de todas as saudades
o homem
num tempo arquitetado
pinta de presente
todo seu passado
convencendo o futuro
discursando imagens
a vida
guerrilheira insana
apaga com os olhos
qualquer chama
Da itinerância dos verbos
que o poema
este grávido
de todos os verbos
que apalavre
os que sejam liras
os que sejam arma
lúdico e lírico
de-se a compostura
de forjar-se comício
quando a luta
o poema
prescinde de normas
o verbo gestante
tem-se de parto e porta
o clangor de seus recados
iíntimo conluio
autua o poeta e o verbo
no ventre do discurso
Reminiscência CXV
a passeata
sanha das ruas
desfilava unânime
sonhos e lutas
cada passo
em coronária lida
pulsava a multidão
no colo da avenida
a revolução
disfarçava o novo
com jeito de dança
nos passos do povo
Das falas do samba
o samba
riscando a avenida
dança no asfalto
as Áfricas da vida
negra luz
imensa chama
laço infinito
da gesta humana
o samba
em seus bemóis
conta uma razão
independente da fala
tudo escancara nos tambores
a viga dançarina da alma
De Cuba novamente
de Cuba
diga-se tanta
esse jeito intrínseco
de ser humana
construída guerrilheira
de Fidel, Ernesto e povo
Sierra Maestra dos tantos
das ladeiras do novo
Cuba é a exata razão
humana escultura
do mundo militante
construído na luta
a história engravida de si
em cada grito que pulsa
De Olinda em ladeiras tantas
o frevo
assim descambado
pelas ladeiras da alma
esquece o tempo
na vista do homem
inventando madrugadas
raiando dias nas noites
inventando nas passadas
os infinitos que as pernas
derramam pelas calçadas
é como se o mundo vivesse
os sonhos que montasse
Olinda inteira discursa
os bemóis de sua fala
Marítima ilação
o mar
bordando a praia
tecia nos olhos
como paisagem
os desejos escondidos
do homem e da tarde
humano
cumpria a vontade
de remar na vida
quanto o mar
tanto a liberdade
o tempo
dava-se ao custo
de parir-se noite
como futuro
Do afã das ruas
a vida
desgarrada
invade de si
a madrugada
o homem
pulsa a vontade
no afã inato
de cursar a liberdade
como povo
no vão das lutas
ensaia no peito
a sabença das ruas
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.