Escritas

Lista de Poemas

Matinal avença

 

a natureza

pisca a manhã

volúpia pictórica

de quem pincela

o tempo pela história

ainda em sono

o homem acorda

com os pincéis do sonho

postos na memória

a tela dos olhos

ensaia combalida

a paisagem de si

pintada na vida

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Lavras condizentes

 

lavro a memória

assim cogente

como quem tramita

tudo que se invente

o que venha de mim

a herança dos tempos

as ilações humanas

beliscam o pensamento

nos passos da vida

na estrada do que sente

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Dos cartórios da alma

 

dou-me aos versos

com a certidão exata

de quem sempre criou

os cartórios da alma

os que viajam coletivos

pela madrugada

dizendo a noite oficina

de soletrar a calma

até que o dia cometa

a prontidão do discurso

em dizer-se passado

atravessado de futuro

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Reminiscência LXVIII

 

o coqueiro

debruçado nas ondas

afagava o mar

na sua sombra

a jangada

acenando a vela

bordava a paisagem

em sua tela

gastando os olhos,

o menino, rindo,

despejava alegria

sentado no infinito

👁️ 2

Dos mapas do mundo

 

meu mapa

é um contra-senso

todos meus limites

dão-se aos ventos

os que sentem o futuro

os que lutam o presente

a geografia humana

é inconsequente

como mapear

os infinitos que se sente?

o retrato da vida

é um fato combatente

todos os seus mapas

dão-se reticentes

👁️ 2

Das jusantes produtivas em humana senda

 

trabalhador,

dê-se ao ofício

de perder-se da vida

em sacrifício

máquina humana

cumpra o turno

remoendo a senda

de ser lucro

fardo monetário

isento do futuro

moenda de si

perverso teorema

nesse dar-se insano

ao sistema

👁️ 1

Dos solados da vida

 

o sapateiro

martelando o tempo

grampeava na alma

o pensamento

no sapato estranho

pensado sob medida

todas as solas do mundo

pisavam sua vida

o sapateiro Chico

no calor da lida

deu-se ao futuro

como comunista

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Do amanhecer do povo

 

sol na algibeira,

como um recado,

o céu avisa o povo

de seus fardos

dos olhos só escapam

restos da madrugada

e a leve impressão

de que a paz tarda

a vida, como detalhe,

apenas transcorre

como um tempo baldio

enquanto morre

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Dos vindouros passados

 

quando fosse tanta

essa vontade inata

deixar-se ancestral

no vão da prática

e construir futuro

todos os passados

como roldão de todos

na concisão dos fatos

quando fosse a vida

ávida sanguessuga

revolvendo grávida

os desvãos da culpa

pudesse o homem viver

todos os seus frutos

como árvore infinda

da humana luta

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Reminiscência LXVII

 

a professora

no meio da sala

conduzia os olhos

nas palavras

o menino

preso na mágica

sonhava o mundo

quase astronauta

nas naves que via

das palavras voantes

a professora parecia

uma estrela brilhante

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !