Lista de Poemas
Matinal avença
a natureza
pisca a manhã
volúpia pictórica
de quem pincela
o tempo pela história
ainda em sono
o homem acorda
com os pincéis do sonho
postos na memória
a tela dos olhos
ensaia combalida
a paisagem de si
pintada na vida
Lavras condizentes
lavro a memória
assim cogente
como quem tramita
tudo que se invente
o que venha de mim
a herança dos tempos
as ilações humanas
beliscam o pensamento
nos passos da vida
na estrada do que sente
Dos cartórios da alma
dou-me aos versos
com a certidão exata
de quem sempre criou
os cartórios da alma
os que viajam coletivos
pela madrugada
dizendo a noite oficina
de soletrar a calma
até que o dia cometa
a prontidão do discurso
em dizer-se passado
atravessado de futuro
Reminiscência LXVIII
o coqueiro
debruçado nas ondas
afagava o mar
na sua sombra
a jangada
acenando a vela
bordava a paisagem
em sua tela
gastando os olhos,
o menino, rindo,
despejava alegria
sentado no infinito
Dos mapas do mundo
meu mapa
é um contra-senso
todos meus limites
dão-se aos ventos
os que sentem o futuro
os que lutam o presente
a geografia humana
é inconsequente
como mapear
os infinitos que se sente?
o retrato da vida
é um fato combatente
todos os seus mapas
dão-se reticentes
Das jusantes produtivas em humana senda
trabalhador,
dê-se ao ofício
de perder-se da vida
em sacrifício
máquina humana
cumpra o turno
remoendo a senda
de ser lucro
fardo monetário
isento do futuro
moenda de si
perverso teorema
nesse dar-se insano
ao sistema
Dos solados da vida
o sapateiro
martelando o tempo
grampeava na alma
o pensamento
no sapato estranho
pensado sob medida
todas as solas do mundo
pisavam sua vida
o sapateiro Chico
no calor da lida
deu-se ao futuro
como comunista
Do amanhecer do povo
sol na algibeira,
como um recado,
o céu avisa o povo
de seus fardos
dos olhos só escapam
restos da madrugada
e a leve impressão
de que a paz tarda
a vida, como detalhe,
apenas transcorre
como um tempo baldio
enquanto morre
Dos vindouros passados
quando fosse tanta
essa vontade inata
deixar-se ancestral
no vão da prática
e construir futuro
todos os passados
como roldão de todos
na concisão dos fatos
quando fosse a vida
ávida sanguessuga
revolvendo grávida
os desvãos da culpa
pudesse o homem viver
todos os seus frutos
como árvore infinda
da humana luta
Reminiscência LXVII
a professora
no meio da sala
conduzia os olhos
nas palavras
o menino
preso na mágica
sonhava o mundo
quase astronauta
nas naves que via
das palavras voantes
a professora parecia
uma estrela brilhante
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.