Escritas

Lista de Poemas

Saudade em rasa cena

 

a saudade

é um trato lúdico

barco da vida

quando em uso

dá-se presente

ainda futuro

tudo de privado

tem-se público

a saudade

dói sorrindo

em cada curso

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Voo quase sempre

 

voo

intensamente

quando vivo

quase sempre

minhas viagens

dão-se ao tempo

como aeronaves

do pensamento

bólide de mim

dou-me às asas

pássaro renitente

nas batalhas

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Cênica introjeção

 

palco de mim

dou-me ao ato

de encenar no peito

as coxias em que basto

todo meu roteiro

é o inteiro relato

de quem já produziu

todos seus abraços

o teatro da vida

ainda combalido

ensaia os futuros

que cabem nos sentidos

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Da construção humana

 

até que a vida

em sua trama

invente-se a razão

por que se ama

até que todos

inventem nas ruas

os passos exatos

de quem luta

até que o mundo

em seu curso

dê-se à construção

de todos em tudo

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Reminiscência LXIX

 

no Teatro Bolshoi

como um comício

as bailarinas discursavam

pedaços do infinito

o palco era apenas

um universo contraído

nos passos alvoroçados

que afagavam os sentidos

pássaros humanos

voavam o tempo

como um sonho acordado

pelo pensamento

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Teatral vivência

 

o teatro é fingimento

quase todo nunca

é sempre

é como se o mundo

inventasse a gente

e pusesse pela vida

novas vertentes

as que o sonho dita

as que o corpo sente

como se fora brincadeira

da verdade que se inventa

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De todos como único

 

os desejos

como indivídua saga

inventam vontades

na madrugada

o gesto indivíduo

de pô-las em atos

é trânsito coletivo

na intervenção dos braços

necessidade intrínseca

lúdica perspectiva

a conjunção de todos

é o bioma da vida

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vigílias presumidas

 

a lua, sentinela,

dá-se à guarita

vigiando o cosmos

em suas trilhas

o homem

à sua vista

traça futuros

no vão da vida

satélite humano

o sonho cogita

deixar-se sentinela

dos tempos que decida

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Dos materiais indícios

 

e no que fora o tempo

um gesto consentido

que a matéria dá em si

como forma de interstício

de medir a eternidade

em pedaços do infinito

e no que fora o espaço

um tempo presumido

de arrumar a matéria

pelo vão dos sentidos

aqueles dados aos átomos

os postos no indivíduo

nessa faina engenhosa

que a consciência decida

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trajetos da vontade

 

assim que tanto

fosse a madrugada

um tempo mascarado

de noites derramadas

como se fossem pelas horas

pedaços de uma fala

um espaço inventado

nos passos das calçadas

e os homens

queiram bolinar o tempo

lúcidos e desgovernados

nos ombros da vida

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !