Escritas

Lista de Poemas

Reminiscência LXVI

 

de cócoras,

no colo do dia,

o menino sonhava

como o mundo vigia

o tempo,

bordando o ócio,

salpicava de alegria

suas horas

a vida espreguiçava

um riso infindo

no veio dos olhos

👁️ 40

Rapel semântico

 

o poema

desce do poeta

rapel semântico

sináptica cachoeira

verbos em trânsito

o poeta, sonolento,

ainda atado

calcula as rampas

dos seus brados

o poema discursa a vida

como um contrato unipolar

nos rapéis que decida

👁️ 82

dosimetria humana

 

humano

balbucia a vida

rastro da matéria

em cada esquina

ângulo de si

em coletivo bando

dá-se à alegria

mesmo pranto

construção baldia

infinito em transe

o homem tece o tempo

em que se tange

👁️ 78

Onírica fluência

 

o sonho

vige no desejo

fluência formal

de cada enredo

dá-lo a constância

virtual e quântico

usina a matéria

na razão de tanto

as léguas de si

postas no homem

avivam a vontade

de tê-los impunes

👁️ 81

Das manhãs cogentes

 

a manhã, um dia,

acordará cogente

amanhã, um dia,

acordará de ontens

simplesmente

como se a vida

engravidasse urgente

como um futuro

do pensamento

o homem, nas manhãs,

impunemente,

viverá os infinitos

dos dias postos no tempo

👁️ 5

Decreto em verbal acento

 

                                         “dispõe o verso

                                          como navegante

                                         de todos os mares

                                         em que se plante”

como primeiro artigo

tenha-se como decidido

que ao verso caiba sonhar

todo e qualquer infinito
 

              no parágrafo único

              dê-se ao verbo a sentença

              de conter-se lastro lúdico

              no coletivo rastro da avença 
 

como segundo intento

na legislante jornada

dê-se ao verso a noite

mesmo nas madrugadas

e que o tempo seja apenas

letras impunemente grafadas


como terceiro pacto

tenha-se pronta a divisa

de que ao verso compete

as liberdades da vida

as que estejam lutadas

as que sejam construídas


como último artigo

entre em vigor pelo verbo

nas datas que consiga

beliscar o universo

revogadas todas as tramas

das estrofes controversas

👁️ 48

Da filosofia em mundana vertente

 

a filosofia é,

quase sempre,

duvidar do infinito

impunemente,

guardada a proporçāo

do que se sente

nas veias da matéria,

na verdade displicente,

nas contrações da vida

que a dialética consente

filosofar é ter o mundo

embrulhado na gente

como se fora um livro

nas páginas do tempo

👁️ 2

Reminiscência LXV

 

o trem

balançava o coração

no compasso exato

de todos os trilhos

dos abraços

o menino, abraçado,

respirava a vida

como fora pulmão

cheio de risos

brincadeira de maquinista

manobrando o infinito

👁️ 10

Da filosofia em mundana vertente

 

a filosofia é,

quase sempre,

duvidar do infinito

impunemente,

guardada a proporçāo

do que se sente

nas veias da matéria,

na verdade displicente,

nas contrações da vida

que a dialética consente

filosofar é ter o mundo

embrulhado na gente

como se fora um livro

nas páginas do tempo

👁️ 8

Da matéria em auto curso

 

a matéria

finge a natureza

nesse ter-se útero

de si mesma

lógica insólita

íntimas lonjuras

salto retórico

lógica e luta

o tempo é disfarce

do parto egoísta

consumo displicente

dos rumos da vida

👁️ 1

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !