Lista de Poemas
Reminiscência LXVI
de cócoras,
no colo do dia,
o menino sonhava
como o mundo vigia
o tempo,
bordando o ócio,
salpicava de alegria
suas horas
a vida espreguiçava
um riso infindo
no veio dos olhos
Rapel semântico
o poema
desce do poeta
rapel semântico
sináptica cachoeira
verbos em trânsito
o poeta, sonolento,
ainda atado
calcula as rampas
dos seus brados
o poema discursa a vida
como um contrato unipolar
nos rapéis que decida
dosimetria humana
humano
balbucia a vida
rastro da matéria
em cada esquina
ângulo de si
em coletivo bando
dá-se à alegria
mesmo pranto
construção baldia
infinito em transe
o homem tece o tempo
em que se tange
Onírica fluência
o sonho
vige no desejo
fluência formal
de cada enredo
dá-lo a constância
virtual e quântico
usina a matéria
na razão de tanto
as léguas de si
postas no homem
avivam a vontade
de tê-los impunes
Das manhãs cogentes
a manhã, um dia,
acordará cogente
amanhã, um dia,
acordará de ontens
simplesmente
como se a vida
engravidasse urgente
como um futuro
do pensamento
o homem, nas manhãs,
impunemente,
viverá os infinitos
dos dias postos no tempo
Decreto em verbal acento
“dispõe o verso
como navegante
de todos os mares
em que se plante”
como primeiro artigo
tenha-se como decidido
que ao verso caiba sonhar
todo e qualquer infinito
no parágrafo único
dê-se ao verbo a sentença
de conter-se lastro lúdico
no coletivo rastro da avença
como segundo intento
na legislante jornada
dê-se ao verso a noite
mesmo nas madrugadas
e que o tempo seja apenas
letras impunemente grafadas
como terceiro pacto
tenha-se pronta a divisa
de que ao verso compete
as liberdades da vida
as que estejam lutadas
as que sejam construídas
como último artigo
entre em vigor pelo verbo
nas datas que consiga
beliscar o universo
revogadas todas as tramas
das estrofes controversas
Da filosofia em mundana vertente
a filosofia é,
quase sempre,
duvidar do infinito
impunemente,
guardada a proporçāo
do que se sente
nas veias da matéria,
na verdade displicente,
nas contrações da vida
que a dialética consente
filosofar é ter o mundo
embrulhado na gente
como se fora um livro
nas páginas do tempo
Reminiscência LXV
o trem
balançava o coração
no compasso exato
de todos os trilhos
dos abraços
o menino, abraçado,
respirava a vida
como fora pulmão
cheio de risos
brincadeira de maquinista
manobrando o infinito
Da filosofia em mundana vertente
a filosofia é,
quase sempre,
duvidar do infinito
impunemente,
guardada a proporçāo
do que se sente
nas veias da matéria,
na verdade displicente,
nas contrações da vida
que a dialética consente
filosofar é ter o mundo
embrulhado na gente
como se fora um livro
nas páginas do tempo
Da matéria em auto curso
a matéria
finge a natureza
nesse ter-se útero
de si mesma
lógica insólita
íntimas lonjuras
salto retórico
lógica e luta
o tempo é disfarce
do parto egoísta
consumo displicente
dos rumos da vida
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.