Lista de Poemas
Reminiscência LXXXVIII
no banco da praça
inventando a vida
os camaradas tramavam
as vias do partido
tudo da vontade
posta no discurso
eram as pontas soltas
das veias do futuro
o tempo escondido
em subversivas horas
era só um jeito
de tanger a história
o mundo era o útero
dos partos da memória
Destempo humano
técnica e delicada
a manhã instaura
a lhaneza das horas
em que se espalha
essa vontade de ser tarde
quando o tempo declare
o homem
rasgo da natureza
consome essa fala
na pulsante incerteza:
como beber a manhã
com a tarde na cabeça?
Do poeta no poema
o poema usa o poeta
nessa insistência
em deixar-se verbo
pela consciência
como se a palavra
fosse unguento
de untar as curvas
do sentimento
o poeta usa o poema
como consequência
dos rios que permite
nas cachoeiras da gente
Tangências
rebelde
dê-se à insistência
em manter acesa
a consciência
na luta
dê-se ao passo
de construir as vias
todas do fato
na vida
dê-se ao recato
de habitar multidões
em cada ato
Da vigência do eu
só caibo em mim
quando todos
necessidade inata
de ser povo
vivo em mim
quando sempre morro
nos gestos gerais
em que me ouso
laço indivíduo
do múltiplo
porto e precipício
da construção humana
em seu conforto
viver só em mim
é muito pouco
Reminiscência LXXXVII
o vento
cortava a carne
armando o tempo
pela face
Leningrado
deitada nas ruas
urdia pela vida
as veias da luta
o jovem
montado no sonho
escrevia em si
todos os futuros
Bailarina fábrica
a bailarina
finge a vida
voando em si
pássara notícia
seu rastro
cosmo contrito
infinita os olhos
nos passos que habita
a bailarina
enganando o tempo
inventa saudades do futuro
no pensamento
Reminiscência LXXXV
o muro
como estrada
inventava caminhos
pela madrugada
os jovens
desenhando o instante
ditavam com pincéis
falas militantes
o sonho
embrulhado da vida
pulsava escrito
nos ombros da avenida
Reminiscência LXXXIV
nos olhos
escutando a página
o jovem amansava
os saltos da paisagem
o vento
num intenso discurso
balançava o livro
apontando o futuro
correndo em si
dentro das páginas
bebia no tempo
toda liberdade
Da memória indormida
na Vala de Perus
a história tramita
as lutas do povo
em suas trilhas
nos ombros do tempo
lavra a memória
enxada do futuro
nos leirões das horas
a vida corre dizendo
a construção urgente
de todas suas portas
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.