Lista de Poemas
Da vida e homem
A vida é piracema desregrada
em rios de tão vasta andadura
que é preciso tê-los quase à pulso
nas dimensões de sua escravatura
porque ao homem cabe o exercício
de amoldar-se à condição de pedra
quando não mais lhe ature a razão
de se compreender somente em guerra
e é difícil vive-la assim à muque
e constragê-la a inventar a tarde
quando a noite inventa os seus ossos
apartada do vão da liberdade.
em rios de tão vasta andadura
que é preciso tê-los quase à pulso
nas dimensões de sua escravatura
porque ao homem cabe o exercício
de amoldar-se à condição de pedra
quando não mais lhe ature a razão
de se compreender somente em guerra
e é difícil vive-la assim à muque
e constragê-la a inventar a tarde
quando a noite inventa os seus ossos
apartada do vão da liberdade.
👁️ 105
Ritmo de métrica duvidosa e dizente das coisas do poeta
todo poema é avesso
e avulso da vida e de si mesmo
e é maior que o poeta
em cada letra
e muito menor do que aquele
que não se cometa
o poema é um abraço ilógico
no vão da continência
e é quase uma razão
sem muita contingência
e, talvez, mais que palavra,
seja placenta
de embrulhar a vida aos pedaços
e sem muita paciência
o poema é desconforto
embora tenha-se porto
e nem mesmo é continente
quando adredemente posto
pois lhe sobra a aparência
de viscera enorme
no vão da consciência
o poema
é um transeunte da vida
tudo que lhe cabe
em qualquer medida
é insuflar a emoção
de quem se inventa pelas avenidas.
e avulso da vida e de si mesmo
e é maior que o poeta
em cada letra
e muito menor do que aquele
que não se cometa
o poema é um abraço ilógico
no vão da continência
e é quase uma razão
sem muita contingência
e, talvez, mais que palavra,
seja placenta
de embrulhar a vida aos pedaços
e sem muita paciência
o poema é desconforto
embora tenha-se porto
e nem mesmo é continente
quando adredemente posto
pois lhe sobra a aparência
de viscera enorme
no vão da consciência
o poema
é um transeunte da vida
tudo que lhe cabe
em qualquer medida
é insuflar a emoção
de quem se inventa pelas avenidas.
👁️ 107
Discurso em avante afeto
A pedra no meu peito
tem a largura do teu grito
e voa e rasga a manhã
montada em meu sorriso
a graça do meu peito
é ser teu abrigo
e armazenar todos os abraços
uns musculares, outros implícitos
a estrela da manhã
é teu indício
guardadas as infinitas proporções
em que te sinto
e ao fim e ao cabo
és, assim, tão constantemente,
que tudo é um verbo tenaz
de explicar o que se sente.
tem a largura do teu grito
e voa e rasga a manhã
montada em meu sorriso
a graça do meu peito
é ser teu abrigo
e armazenar todos os abraços
uns musculares, outros implícitos
a estrela da manhã
é teu indício
guardadas as infinitas proporções
em que te sinto
e ao fim e ao cabo
és, assim, tão constantemente,
que tudo é um verbo tenaz
de explicar o que se sente.
👁️ 151
Constructo
Minha morte
a construo
com os metros de vida
que não uso
e sou unânime em tê-la
em cada ausência
num riso menos vário
num desvão da consciência
minha morte
é apenas
quando não mais eu
em minha presença.
a construo
com os metros de vida
que não uso
e sou unânime em tê-la
em cada ausência
num riso menos vário
num desvão da consciência
minha morte
é apenas
quando não mais eu
em minha presença.
👁️ 137
Poema ao povo das cores
Grávida
a África escancara
todas as cores
em que se espalha
nada do que lhe é tanto
se compara
aos infinitos que joga
pela nossa cara
a África escancara
todas as cores
em que se espalha
nada do que lhe é tanto
se compara
aos infinitos que joga
pela nossa cara
👁️ 104
Do uso da verdade e seus modos
A verdade
nunca trai o gesto
de absolutizar a vida
em seu interno
a verdade
é tática
sempre lhe cabe um futuro
por inexata
a verdade, amiúde,
tem estratégias
é que lhe parece jovem
ser velha.
nunca trai o gesto
de absolutizar a vida
em seu interno
a verdade
é tática
sempre lhe cabe um futuro
por inexata
a verdade, amiúde,
tem estratégias
é que lhe parece jovem
ser velha.
👁️ 105
Balada gestual do povo com ares de paisagem
Ao povo
dê-se o rompante
de multiplicar a vida
quando militante
e no vinco da manhã
quando bastante
ressone a aurora geral das gentes
nos ombros largos do horizonte.
dê-se o rompante
de multiplicar a vida
quando militante
e no vinco da manhã
quando bastante
ressone a aurora geral das gentes
nos ombros largos do horizonte.
👁️ 347
Da liberdade em contrita apreciação
Nem se nota
mas por trás de cada liberdade
há uma porta
e só se é livre
em revolta
lavradas as contradições
de cada porta
e de só sabe-lo
não importa
se não se amanha o exercício
de sabe-la lógica.
mas por trás de cada liberdade
há uma porta
e só se é livre
em revolta
lavradas as contradições
de cada porta
e de só sabe-lo
não importa
se não se amanha o exercício
de sabe-la lógica.
👁️ 103
Dos trilhos em razão do maquinista
O maquinista
nem cogita
de viver dos trilhos
da vida
antes
habilita-se
a tanger no trem
todas suas lidas
e culpas
não agita
nas bandeiras do peito
em que acredita
o maquinista
nem pressente
que leva nos trilhos
os sonhos das gentes
para si
adredemente
sonha apenas as locomotivas
do que sente.
nem cogita
de viver dos trilhos
da vida
antes
habilita-se
a tanger no trem
todas suas lidas
e culpas
não agita
nas bandeiras do peito
em que acredita
o maquinista
nem pressente
que leva nos trilhos
os sonhos das gentes
para si
adredemente
sonha apenas as locomotivas
do que sente.
👁️ 149
Do viver em trânsito
A vida
não é estribilho
há de haver vínculos
em todos os trilhos
é como se fora canção
de todos os ritmos
há que fazê-los próprios
para dizê-los vivos
vive-la é só uma trança
que se faz pelos sentidos.
não é estribilho
há de haver vínculos
em todos os trilhos
é como se fora canção
de todos os ritmos
há que fazê-los próprios
para dizê-los vivos
vive-la é só uma trança
que se faz pelos sentidos.
👁️ 91
Comentários (10)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.