Escritas

Lista de Poemas

Dos paradigmas contínuos e outros

no meio da alma e dos ventos
voam meus ancestrais
nas palavras do tempo
 
tudo que havia deles
como um mapa indeciso
hoje cabe indócil
no jeito do meu riso
 
e é por sê-los e tê-los assim
que sempre me admito
como uma alma intensa
adredemente infinita.
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Do tempo em vazão corrente

Antigamente
eu tinha uns hojes diferentes
é que eu nem sempre punha
algum futuro no presente
 
hoje
adredemente
vivo num futuro
quase sempre
 
é que o tempo às vezes insiste
em ser todo da gente.
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Das ranhuras de tudo

A vida
é uma morte invertida
tudo que em uma sobra
na outra é mantida
 
é que não há condição
de tê-las divididas
tudo que em uma medra
na outra é desmedida
 
a síntese de todas
é a própria vida
uma morte paulatina
quase consentida.
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Poema ao povo de Gregório Bezerra

o coração, camarada,
é um cigano desgarrado
que ainda pulsa a vida
apesar dos fardos
 
o povo, camarada,
ainda arranha o futuro
com a persistência do tempo
e a insistência do discurso
 
a revolução, camarada,
ainda é jeito apressado
de esparramar a verdade
nesse imenso descampado.
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Das margens da vida

Nos ombros do tempo
navego horas e envelheço
até nas mocidades
em que eu me esqueço
 
vivente dos meus egos
nas vezes em que nem me perco
o meu fim, adredemente,
é só um disfarce do começo
 
a velhice é só um jeito
de inventar-me pelo avesso.
👁️ 111

Das confluência do eu

O entorno da vida
é também a vida
mesmo que a razão a contradiga
coisa que enseje
um tempo à deriva
como barcos e verões
em contradita
o entorno da vida
é também um trato
nada do que não seja eu
é meu compasso
minha régua é um tempo
em que sempre me abraço
👁️ 107

Pequeno versejar sobre o fascismo em panfletária forma

em decúbito
o ódio esmaga o discurso
como se fora bólide do susto
 
o desespero da razão
é só o ritmo
de quem perdeu em vão
o humano indício
 
o fascismo
é só um grito
da podridão urgente
de neurônios vencidos
 
mas há que o povo tê-lo em rédeas
e tangê-lo fartamente ao abismo.
👁️ 81

Da vida

Da vida
viva o tanto de vive-la
não tanto que nunca falte
não pouco que nunca seja
pois contê-la, assim, farta e avara,
é a exata proporção de merecê-la.
👁️ 150

De mim e outros

Sujeito de mim
me desconvoco
das diferenças do outro
em que me olho
 
tudo que leva a mim
é quase lógico
resta apenas a luta
e um desejo urgente
de viver o próximo
 
o tempo
é quase sempre
a janela em que me posto.
👁️ 110

Poema de maternal instância

minha mãe
tem caminhos
por onde ando displicente
como se fosse uma romaria
de passados e presentes
jogados no coração
assim tão constantemente
como a razão do amor
que cai dos olhos da gente.
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !