Lista de Poemas
Das refregas e seus limites
Ganho de mim
todas as disputas
ninguém ganha do outro
quando se luta
é que combater
é sempre uma desculpa
de quem enfrenta no outro
sua própria culpa
ganhar é só um jeito
de medir a luta.
todas as disputas
ninguém ganha do outro
quando se luta
é que combater
é sempre uma desculpa
de quem enfrenta no outro
sua própria culpa
ganhar é só um jeito
de medir a luta.
👁️ 105
De caminhos e outros tais
Nos andares de minha patria
descabem quase de si
uns tantos milhões de passos
que não passam por ali
caminham por sobre muros
na alma assim declarados
e nem disfarçam o futuro
do que ficou no passado
nos muros de minha terra
há um grito disfarçado
que trava o peito do homem
como se for a um arado
que rasgasse a alma do tempo
como um imenso pecado.
descabem quase de si
uns tantos milhões de passos
que não passam por ali
caminham por sobre muros
na alma assim declarados
e nem disfarçam o futuro
do que ficou no passado
nos muros de minha terra
há um grito disfarçado
que trava o peito do homem
como se for a um arado
que rasgasse a alma do tempo
como um imenso pecado.
👁️ 147
Da solidão em grave lema
Destravo a solidão
pelos caminhos
como quem soletra a vida
no desvão dos versos
é que me consola
a permanente desconstrução
dos velhos gestos
e a intemporalidade
das infindáveis manhãs
de todos os meus credos
destravo a solidão
como quem descobre
que a intimidade de mim
é um pássaro adrede
que se constrói por sobre os medos
e a infinita vontade de tê-los
destravo a solidão
na permanência intacta
de que todos meus complexos
morrem pelas praças
e na constatação de que a vida
nem sempre é matemática
antes sobre-lhe um jeito
de parecer-se tática
quando o avesso de mim
me desacata
destravo a solidão
em todas as desoras
pela simples compreensão
de que a vida não demora
pelos caminhos
como quem soletra a vida
no desvão dos versos
é que me consola
a permanente desconstrução
dos velhos gestos
e a intemporalidade
das infindáveis manhãs
de todos os meus credos
destravo a solidão
como quem descobre
que a intimidade de mim
é um pássaro adrede
que se constrói por sobre os medos
e a infinita vontade de tê-los
destravo a solidão
na permanência intacta
de que todos meus complexos
morrem pelas praças
e na constatação de que a vida
nem sempre é matemática
antes sobre-lhe um jeito
de parecer-se tática
quando o avesso de mim
me desacata
destravo a solidão
em todas as desoras
pela simples compreensão
de que a vida não demora
👁️ 85
Carta VIII
A rosa que te dei
tinha a feição exata
das flores que eu trazia
lavradas na alma
se ela não resumia
nos seus limites de planta
algum carinho concreto
uma realidade mais tanta
é que se perderam no caminho
as raízes do meu peito
e a veracidade da lembrança
mas assim mesmo fugida
do seu teor mais profundo
ela guarda um abraço latente
que se desfaz no teu riso
das correntezas do mundo.
tinha a feição exata
das flores que eu trazia
lavradas na alma
se ela não resumia
nos seus limites de planta
algum carinho concreto
uma realidade mais tanta
é que se perderam no caminho
as raízes do meu peito
e a veracidade da lembrança
mas assim mesmo fugida
do seu teor mais profundo
ela guarda um abraço latente
que se desfaz no teu riso
das correntezas do mundo.
👁️ 225
Balada de urgente lógica
Tudo é igual
em matérias tantas
como os respingos de mim
que jogo na esperança
é que sobram de mim
numa vazão tão lógica
como se todo o outro
fosse a única ótica
e largo-me pela praça
com a ilusão exata
de que o futuro é tudo
que a certeza me prolata
em matérias tantas
como os respingos de mim
que jogo na esperança
é que sobram de mim
numa vazão tão lógica
como se todo o outro
fosse a única ótica
e largo-me pela praça
com a ilusão exata
de que o futuro é tudo
que a certeza me prolata
👁️ 270
Das esquinas do verso
O poema
é só um grito
que joga o poeta
no colo do infinito
a palavra
é o armistício
da emoção lançada
como arbítrio
vive-lo é profissão
de quem está sempre consigo.
é só um grito
que joga o poeta
no colo do infinito
a palavra
é o armistício
da emoção lançada
como arbítrio
vive-lo é profissão
de quem está sempre consigo.
👁️ 114
Das razões estratégicas dos sentidos
A prática
me divide
quando a teoria
resta apenas
como cabide
onde penduro a vida
nos fatos e nas crises
a estratégia
é matéria prima e objetivo
de consumir as táticas
em que me vivo
viver essa intensa guerra
é um eterno armistício.
me divide
quando a teoria
resta apenas
como cabide
onde penduro a vida
nos fatos e nas crises
a estratégia
é matéria prima e objetivo
de consumir as táticas
em que me vivo
viver essa intensa guerra
é um eterno armistício.
👁️ 104
Acróstico ao Camarada Che Guevara
Camarada, vives pelas almas
Herdadas do vão dos teus atos
Empilhadas em grávido desacato
Gastas as memórias
Urdidas em tua luta
Espaços bordados da história
Varando os céus de Cuba
Até que o coração do povo,
Ruas, cidades e todo a terra
Avance pelo mundo a casa geral de todos
Herdadas do vão dos teus atos
Empilhadas em grávido desacato
Gastas as memórias
Urdidas em tua luta
Espaços bordados da história
Varando os céus de Cuba
Até que o coração do povo,
Ruas, cidades e todo a terra
Avance pelo mundo a casa geral de todos
👁️ 143
Das certezas e das destemperanças
Tudo em nós
é flagrante:
a vida sempre teima
em ser avante.
Não que o sonho
não possa ser a gesta
de traçar um futuro
em que coubesse.
É que ao tempo
é dada a contradição
de parecer um sim
mesmo não.
É que se, às vezes, ao fim
desborda do sentimento
nada detém mais espaço
que os alvoroços do tempo.
é flagrante:
a vida sempre teima
em ser avante.
Não que o sonho
não possa ser a gesta
de traçar um futuro
em que coubesse.
É que ao tempo
é dada a contradição
de parecer um sim
mesmo não.
É que se, às vezes, ao fim
desborda do sentimento
nada detém mais espaço
que os alvoroços do tempo.
👁️ 103
Dos vincos da verdade em laicos gestos
Eis o fato:
a verdade
é sempre menor
que o ato
fazê-la é um jeito duvidoso
de torna-la exata
é como se fora proporção
entre o que se sente
e o que prolata
é que nos ombros do mundo
a verdade é uma balsa
que singra nosso peito
com ares de astronauta
a verdade
é sempre menor
que o ato
fazê-la é um jeito duvidoso
de torna-la exata
é como se fora proporção
entre o que se sente
e o que prolata
é que nos ombros do mundo
a verdade é uma balsa
que singra nosso peito
com ares de astronauta
👁️ 95
Comentários (10)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.