Lista de Poemas
Das lagoas dos viventes
Que esse espelho de águas
pareça assim a vertente
dos rios que a gente nada
atravessando a gente.
pareça assim a vertente
dos rios que a gente nada
atravessando a gente.
👁️ 116
Do rio e do homem em correnteza
O rio assim derramado
sobre a estrada do dia
alinhava sobre os olhos
as léguas todas da vida
caminha tanto de si
de forma tão desmedida
como se fosse equação
de medir a própria lida
e ao homem cabe ser rio
de tudo que for seu riso
e escorrer pelo mundo
na proporção de estar consigo.
sobre a estrada do dia
alinhava sobre os olhos
as léguas todas da vida
caminha tanto de si
de forma tão desmedida
como se fosse equação
de medir a própria lida
e ao homem cabe ser rio
de tudo que for seu riso
e escorrer pelo mundo
na proporção de estar consigo.
👁️ 139
De ser como aparente não
o que faço
não desato
para ter-me na notícia
do que acho
o que faço
é apenas fato
de consumir a razão
por que me abraço
o que faço
não ilude
tudo que a aparência
me desuse
o que faço
é, finalmente,
essa parte de mim
que me repete e sente
com a consciência nas mãos
e a alma nos dentes.
não desato
para ter-me na notícia
do que acho
o que faço
é apenas fato
de consumir a razão
por que me abraço
o que faço
não ilude
tudo que a aparência
me desuse
o que faço
é, finalmente,
essa parte de mim
que me repete e sente
com a consciência nas mãos
e a alma nos dentes.
👁️ 67
Do coração e seus encargos
Há que se ter o coração
como bandeira
de tremular pelo mundo
a vida inteira
e transcrevê-lo em outros
tão adredemente
como se for a uma estrada
construída de repente
há que soltá-lo
pelas angústias
com a firmeza das horas
e a incerteza das culpas
há que tangê-lo
pelos arrabaldes
como uma nação inteira
que se cabe
há que exprimi-lo
na imensidão dos gestos
e cometê-lo impune
em cada verso
há que morrê-lo
frequentemente
com a certeza insone
dos viventes
há que merecê-lo
tão completamente
na proporção exata da vida
a que se consente
e há que dizê-lo
no dorso das palavras
nas passeatas e nas ruas
como um panfleto itinerante
de todas suas lutas.
como bandeira
de tremular pelo mundo
a vida inteira
e transcrevê-lo em outros
tão adredemente
como se for a uma estrada
construída de repente
há que soltá-lo
pelas angústias
com a firmeza das horas
e a incerteza das culpas
há que tangê-lo
pelos arrabaldes
como uma nação inteira
que se cabe
há que exprimi-lo
na imensidão dos gestos
e cometê-lo impune
em cada verso
há que morrê-lo
frequentemente
com a certeza insone
dos viventes
há que merecê-lo
tão completamente
na proporção exata da vida
a que se consente
e há que dizê-lo
no dorso das palavras
nas passeatas e nas ruas
como um panfleto itinerante
de todas suas lutas.
👁️ 120
Das pandêmicas horas sem tempo
quando a manhã sai da noite
nos ombros da madrugada
o tempo nem se importa
que o mundo é um descampado
e joga culpa nos homens
por não tê-los acordado
quando a noite sai da tarde
nas costas do sol poente
o tempo corre apressado
como se fosse urgente
e desmaia no nosso colo
um tanto vazio, reticente
é que a pandemia se conforta
com horas que nem se sente.
nos ombros da madrugada
o tempo nem se importa
que o mundo é um descampado
e joga culpa nos homens
por não tê-los acordado
quando a noite sai da tarde
nas costas do sol poente
o tempo corre apressado
como se fosse urgente
e desmaia no nosso colo
um tanto vazio, reticente
é que a pandemia se conforta
com horas que nem se sente.
👁️ 96
da filosófica contração do mundo
no trajeto
entre mim e a razão
sou apenas transeunte
da contradição
nada do que está posto
deixa de ser em vão
é que são relativos
os absolutos na mão.
entre mim e a razão
sou apenas transeunte
da contradição
nada do que está posto
deixa de ser em vão
é que são relativos
os absolutos na mão.
👁️ 158
Paisagens, janelas e viventes
No ombro das janelas
como uma bandeira
repousa qualquer pátria
nos olhos e nas veias
janelas e viventes
apenas comentam pela tarde
aquilo que das ruas
aos poucos nos invade
homens e janelas
também fingem as paisagens.
como uma bandeira
repousa qualquer pátria
nos olhos e nas veias
janelas e viventes
apenas comentam pela tarde
aquilo que das ruas
aos poucos nos invade
homens e janelas
também fingem as paisagens.
👁️ 188
Das contrafações do engenho humano
Subo ao conceito
e desço aos fatos
quando não por tê-los
assim desirmanados
desfocados do mundo
e das filigranas do lapso
chego aos fatos
teoricamente praticado
como se o engenho fosse lavoura
de submeter-se a arado
e a vida uma teoria
de todas as minhas práticas.
e desço aos fatos
quando não por tê-los
assim desirmanados
desfocados do mundo
e das filigranas do lapso
chego aos fatos
teoricamente praticado
como se o engenho fosse lavoura
de submeter-se a arado
e a vida uma teoria
de todas as minhas práticas.
👁️ 74
Da intifada e laicos pormenores
A primeira manhã
é palestina
rubra temporada
de homens e metralhadoras
e uma noite que teima
em ser quase menina
a primeira manhã
é morte e esperança
laica displicência
de uma conjuntura vã
a primeira manhã
é palestina
em cores desregradas
traçadas a muque
na rasa madrugada
mísseis e dramas
em conjugação disforme
uma tristeza tanta
uma saudade enorme
dos dias que não viveu
de mortes já truncadas
da cara geral da luta
do canto geral de nada
garça a vida
em vôo displicente
nos rios que nunca árabes
voaram esses viventes
grave a morte
em cambulhadas
traste da manhã
teúda e armada
magra a flor
das esperanças
arábicos logaritmos
da pouquidão de trânsito
a primeira manhã
é palestina
súbita revoada
dos pássaros atômicos
da palavra
a primeira manhã
é palestina
e quão desarvorada
com o abraço contundente
da noite mais avara
a primeira manhã
é estrela das estradas
rugindo no colo da noite
a grande intifada.
é palestina
rubra temporada
de homens e metralhadoras
e uma noite que teima
em ser quase menina
a primeira manhã
é morte e esperança
laica displicência
de uma conjuntura vã
a primeira manhã
é palestina
em cores desregradas
traçadas a muque
na rasa madrugada
mísseis e dramas
em conjugação disforme
uma tristeza tanta
uma saudade enorme
dos dias que não viveu
de mortes já truncadas
da cara geral da luta
do canto geral de nada
garça a vida
em vôo displicente
nos rios que nunca árabes
voaram esses viventes
grave a morte
em cambulhadas
traste da manhã
teúda e armada
magra a flor
das esperanças
arábicos logaritmos
da pouquidão de trânsito
a primeira manhã
é palestina
súbita revoada
dos pássaros atômicos
da palavra
a primeira manhã
é palestina
e quão desarvorada
com o abraço contundente
da noite mais avara
a primeira manhã
é estrela das estradas
rugindo no colo da noite
a grande intifada.
👁️ 105
Do confronto temporal da vontade
Na pandemia
o tempo esquece
de ajeitar um espaço
em que vivesse
e larga-se no peito
como uma preguiça
subindo todas as letras
da notícia
o mundo carece de tempo
para dar-se à vista
o tempo esquece
de ajeitar um espaço
em que vivesse
e larga-se no peito
como uma preguiça
subindo todas as letras
da notícia
o mundo carece de tempo
para dar-se à vista
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.