Escritas

Lista de Poemas

Das interferências e das ações

da pedra
informe-se
o gesto bruto
de ser bólide
 
ou, à contraluz,
assim esculpida
deixe-se estar aviso
nas costas da vida.
 
 
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Poema em tanta desproporção

Há manhãs destemperadas
em que minha pátria havia
em quase nada
 
lavrava eu
um quanto abraço
que abarcasse meu povo
em seu cansaço
e que se dissesse único
mesmo vário
 
e a compreensão
desse destino
fez-se contrária ao peito
que carrego em desalinho
 
não que a desavença
houvesse convencido
que o coracao é um decreto
que revoga todos os sentidos.
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Das metragens de tudo

Nada, por um triz,
é quase tudo
na conveniência da gente
e na constância do uso
 
é que não cabe a metragem
de matemática distância
nos caminhos que a vida
decreta a esperança
pois o verbo é máscara
de inventar circunstâncias
quando a razão improcede
no medir das constâncias
 
tudo, por um triz,
é quase nada
vista a divergência da vida
e a intenção das estradas
 
é que descabe a invenção
das humanas atitudes
quando a razão procede
assim adredemente
e tenta construir a vida
sem tudo que é de gente.
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Das ações e das formas

por mais viver
não vingue o dia
em espalhar a noite
pelas entrelinhas
é que o discurso
é só uma forma
de enquadrar o fato
em cada norma
viver é cavalgar o tempo
com as rédeas da lógica
e a certeza guerrilheira
das revoltas.
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Arquitetura e drama

Desarquiteto o voo
na vontade
de consumir em vão
todos os meus ares
 
e, pássaro,
nem me sinto
nos sonhos
que não me consinto
 
e, por vezes,
quando, à noite, tardo
rasgo as manhãs
da minha face.
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Das estradas do meu país

A estrada adivinhava
no seu lúdico curso
os passos de quem viaja
com a certeza do discurso
é que o povo que lhe caminha
tem um jeito do futuro.
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Oratória empedernida

É que no curso da fala
o tempo se espreguiça
e tange os rumos do verbo
pelos descampados da vida.
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Dos ventos nas madeixas da pátria

E quando o vento penteia
a cabeleira do mundo
o sonho sonha na gente
a nossa sede de tudo
 
é que o vento levanta
pelos ombros da paisagem
os cabelos fartos da terra,
das árvores e da saudade.

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dos enredos lacrimais e outras facetas

A lágrima do riso
tem um jeito diferente
é algo assim como um rio
que não tivesse corrente
e que ancorasse a paz
na alegria da gente
 
e esse cartório de águas
nem lavra a certidão
de que permanece corrente
apesar da mansidão.
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No amanhecer em tardes

E quando o sol amanhece
nas costas da terra dormida
o mundo acorda a preguiça
e a gente lembra da vida
 
E quando o sol se esconde
querendo brincar de tarde
a gente inventa uma noite
no meio dessa saudade.
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !