Lista de Poemas
Ode n° 2 à Intifada
todo ângulo
é palestino
guardadas as proporções
de cada esquina
toda vigência
é libertina
rasa manhã da vida
palestina
toda morte
é cordilheira
andes desatados
da manhã vermelha
toda estrela
é um abraço
do dia maior
dessa bandeira.
é palestino
guardadas as proporções
de cada esquina
toda vigência
é libertina
rasa manhã da vida
palestina
toda morte
é cordilheira
andes desatados
da manhã vermelha
toda estrela
é um abraço
do dia maior
dessa bandeira.
👁️ 48
Ode do futuro e convicção perene
haverá manhãs
que serão tão claras
que nem será preciso sentir
o que se tem na alma
e haverá
madrugadas avulsas
que anunciarão
o dia como desculpa
e haverá noites
que de tão macias
flutuarão sem jeito
pelos dias
e haverá tardes
tão urgentes
que nos pegará com a aurora
ainda nos dentes
e haverá espaços
e contingências
prestante o riso do povo
à incontinência
e haverá um tempo
de uma laica textura
enrolada nas tranças
de gente pelas ruas
e haverá um muro
transponível
e murmúrios dilatados
e um discurso rascunhado
em cada passo
haverá montanhas razoáveis
e uma leve ilusão
de que nunca é tarde
e haverá futuros desenhados
nas paredes de cada muro
e a simples constatação
desses abusos
e haverá crianças
e cebolas
tecidas nas tardes
das paciências nervosas
e haverá lentidão
em quem se gosta
e uma urgência incauta
e sem lógica
e haverá rebeliões
em cada aorta
tecido o sangue
num grito de revolta
e haverá sangue
em cada juízo
vivida a terra da face
em cada riso
e haverá egos
aos borbotões
renhidas as circunstâncias
dos senões
e haverá tudo
que não só seja
uns palmos de infinito
pela natureza.
que serão tão claras
que nem será preciso sentir
o que se tem na alma
e haverá
madrugadas avulsas
que anunciarão
o dia como desculpa
e haverá noites
que de tão macias
flutuarão sem jeito
pelos dias
e haverá tardes
tão urgentes
que nos pegará com a aurora
ainda nos dentes
e haverá espaços
e contingências
prestante o riso do povo
à incontinência
e haverá um tempo
de uma laica textura
enrolada nas tranças
de gente pelas ruas
e haverá um muro
transponível
e murmúrios dilatados
e um discurso rascunhado
em cada passo
haverá montanhas razoáveis
e uma leve ilusão
de que nunca é tarde
e haverá futuros desenhados
nas paredes de cada muro
e a simples constatação
desses abusos
e haverá crianças
e cebolas
tecidas nas tardes
das paciências nervosas
e haverá lentidão
em quem se gosta
e uma urgência incauta
e sem lógica
e haverá rebeliões
em cada aorta
tecido o sangue
num grito de revolta
e haverá sangue
em cada juízo
vivida a terra da face
em cada riso
e haverá egos
aos borbotões
renhidas as circunstâncias
dos senões
e haverá tudo
que não só seja
uns palmos de infinito
pela natureza.
👁️ 117
ode à amada em vésperas de eclipse
embora lua
nenhum sol será tanto
que desvencilhe teus olhos
de tudo que em mim assiste
e se mesmo triste
ousar a terra ser constante
muito mais será meu canto
por tudo que você é tanta.
nenhum sol será tanto
que desvencilhe teus olhos
de tudo que em mim assiste
e se mesmo triste
ousar a terra ser constante
muito mais será meu canto
por tudo que você é tanta.
👁️ 56
ode a minha mulher por culpa do seu não aniversário
rosas serão muitas
as que nunca porei
na tua nuca
rosas serão tantas
as que engolirei em ti
nas artimanhas da lembrança
flores serão todas
de tudo que eu plantar em mim
no jardim de tua boca
as que nunca porei
na tua nuca
rosas serão tantas
as que engolirei em ti
nas artimanhas da lembrança
flores serão todas
de tudo que eu plantar em mim
no jardim de tua boca
👁️ 72
Ode de marujo e mar e substantivas tardes
Salgadas
já não trago
minhas mágoas
pois a bombordo
ninguém informa
os mares que carrego
em revolta
a tarde
nem é substantiva
é muito mais um tempo
que esqueço no bolso da camisa
marujo
nem me encontro
lavrando as costas do mar
quando me sonho
mar
nem me atrevo
a despejar as ondas
dos meus medos.
já não trago
minhas mágoas
pois a bombordo
ninguém informa
os mares que carrego
em revolta
a tarde
nem é substantiva
é muito mais um tempo
que esqueço no bolso da camisa
marujo
nem me encontro
lavrando as costas do mar
quando me sonho
mar
nem me atrevo
a despejar as ondas
dos meus medos.
👁️ 70
Odes humanas
o amor
que se pretenda
seja mais vário
do que entenda
as razões por que se quer
tudo aquilo que convenha
e que por ser tamanho
em restrição se tenha
de não contar-se tal
coisa de coração
jeito de moenda
o amor
que se pretenda
caminhe na proporção
em que seja
a pura compreensão de que se ama
e a exata compleição de quem deseja
e se tenha claro
na escuridão dos medos
e que se tenha pagão
na religião de seus segredos
o amor
que se pretenda
seja às vezes joão
apesar do anonimato
e que se tenha sempre à mão
no cartório geral
de quem se abraça.
que se pretenda
seja mais vário
do que entenda
as razões por que se quer
tudo aquilo que convenha
e que por ser tamanho
em restrição se tenha
de não contar-se tal
coisa de coração
jeito de moenda
o amor
que se pretenda
caminhe na proporção
em que seja
a pura compreensão de que se ama
e a exata compleição de quem deseja
e se tenha claro
na escuridão dos medos
e que se tenha pagão
na religião de seus segredos
o amor
que se pretenda
seja às vezes joão
apesar do anonimato
e que se tenha sempre à mão
no cartório geral
de quem se abraça.
👁️ 99
Ode preferencial à vida
da vida não se queira
ajustá-la adrede a uma norma
pois sendo única é muito mais
do que sempre nos informa
pois já de tê-la assentada
em planícies e em agoras
ninguém se tente a entendê-la
quando vige, ás vezes, em desoras
vivê-la é já não tê-la
como se era quando
pois há um futuro intestino
em cada desencontro
e é por demais sabê-la
transeunte vivaz do tempo
e cabê-la em cada espaço
que se desprende da gente
é de vê-la coração
ingenuamente
como se fora motor
do que se sente
é de vê-la razão
constantemente
alinhavada aos neurônios
desses todos viventes
é de dar-se à vida
com o mesmo desfastio
com que os velhos canoeiros
fingem dominar os rios
ajustá-la adrede a uma norma
pois sendo única é muito mais
do que sempre nos informa
pois já de tê-la assentada
em planícies e em agoras
ninguém se tente a entendê-la
quando vige, ás vezes, em desoras
vivê-la é já não tê-la
como se era quando
pois há um futuro intestino
em cada desencontro
e é por demais sabê-la
transeunte vivaz do tempo
e cabê-la em cada espaço
que se desprende da gente
é de vê-la coração
ingenuamente
como se fora motor
do que se sente
é de vê-la razão
constantemente
alinhavada aos neurônios
desses todos viventes
é de dar-se à vida
com o mesmo desfastio
com que os velhos canoeiros
fingem dominar os rios
👁️ 87
Ode adverbial ao orgulho
a visão
me insta
a ver meu filho como nauta
navegador de mares que não posso
consumidor de ares que me faltam.
e a emoção, de resto,
é um grande porre de adrenalina
pelo cérebro.
me insta
a ver meu filho como nauta
navegador de mares que não posso
consumidor de ares que me faltam.
e a emoção, de resto,
é um grande porre de adrenalina
pelo cérebro.
👁️ 96
o âmbito da vida e outras refregas
o âmbito da vida
é a pátria humana
e não há que tê-lo
em limites frouxos
antes é vê-lo numa ordem
avessa a tudo que é pouco
o avulso da vida
é o desengano
o resto é apenas sonhar
a possibilidade do sonho
e derramá-lo pelos ossos
sem espanto
o inverso da vida
é um tempo plástico
esgarça-se num espaço
involuntário
onde nada se mede
pelos metros que abraça
o invólucro da vida
é a mágica
de construir a si própria
na prática
nada do que é retórico
lhe constata
a não ser o verso informal
de quem soletra sonhos
pela estrada
o espaço da vida
é quase um não
guardada a possibilidade
da revolução
e nem passos há
de exatidão
tudo que lhe caminha
está à mão
é a pátria humana
e não há que tê-lo
em limites frouxos
antes é vê-lo numa ordem
avessa a tudo que é pouco
o avulso da vida
é o desengano
o resto é apenas sonhar
a possibilidade do sonho
e derramá-lo pelos ossos
sem espanto
o inverso da vida
é um tempo plástico
esgarça-se num espaço
involuntário
onde nada se mede
pelos metros que abraça
o invólucro da vida
é a mágica
de construir a si própria
na prática
nada do que é retórico
lhe constata
a não ser o verso informal
de quem soletra sonhos
pela estrada
o espaço da vida
é quase um não
guardada a possibilidade
da revolução
e nem passos há
de exatidão
tudo que lhe caminha
está à mão
👁️ 50
Odes psicológicas
I
o desejo
instaura
artifícios
pela alma
flui,
e, farpa,
rasgadamente
sobressalta
material
nem se consente
andaime do pensar
impunemente
o desejo
exara
certidões do tempo
e da carne
intui
adredemente
aquilo que nem se tem
e cala
o desejo
me repõe em atas
que nem escrevo
nas palavras
urde
uma vontade
com a mesma compleição
da liberdade
trai um gesto
que nem se cabe
na finitude das mãos
porque há de
II
do desejo
tem-se a impressão
que arde
do desejo
tem-se a ilusão
de um alarde
do desejo
tenho a compreensão
de que sou sempre tarde
III
desejo
quando singro a razão
do que não digo
desejo
quando pareço
ser um tanto eu
do meu avesso
desejo, enfim
quando desejo
ser diverso nas curvas
em que transcendo.
o desejo
instaura
artifícios
pela alma
flui,
e, farpa,
rasgadamente
sobressalta
material
nem se consente
andaime do pensar
impunemente
o desejo
exara
certidões do tempo
e da carne
intui
adredemente
aquilo que nem se tem
e cala
o desejo
me repõe em atas
que nem escrevo
nas palavras
urde
uma vontade
com a mesma compleição
da liberdade
trai um gesto
que nem se cabe
na finitude das mãos
porque há de
II
do desejo
tem-se a impressão
que arde
do desejo
tem-se a ilusão
de um alarde
do desejo
tenho a compreensão
de que sou sempre tarde
III
desejo
quando singro a razão
do que não digo
desejo
quando pareço
ser um tanto eu
do meu avesso
desejo, enfim
quando desejo
ser diverso nas curvas
em que transcendo.
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.