Lista de Poemas
Das presunções e da vida
até que
percebas
que a vida
está em cena
na exata proporção
do teu problema
a verdade é apenas
um jeito presumido
do que se apresenta
viver é quase tanto
quanto inventar a cena
percebas
que a vida
está em cena
na exata proporção
do teu problema
a verdade é apenas
um jeito presumido
do que se apresenta
viver é quase tanto
quanto inventar a cena
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da negritude em áfrica vertente
as áfricas
que trazes em ti
são intifadas
negras razões
de tua fala
verbo itinerante
de batalhas
que ainda trovejam
nos ombros das palavras.
as áfricas que exercitas
nos desvãos da tua carne
são os músculos atentos
de quem se arma
com a certeza da vida
e a exata compreensão
das insuficiências da tarde
as áfricas que habitas
na noite de tua face
é a bandeira que inaugura
a humana eficácia
e a certeza irrestrita
da vitória que montaste
que trazes em ti
são intifadas
negras razões
de tua fala
verbo itinerante
de batalhas
que ainda trovejam
nos ombros das palavras.
as áfricas que exercitas
nos desvãos da tua carne
são os músculos atentos
de quem se arma
com a certeza da vida
e a exata compreensão
das insuficiências da tarde
as áfricas que habitas
na noite de tua face
é a bandeira que inaugura
a humana eficácia
e a certeza irrestrita
da vitória que montaste
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Palavras a Osagyian
o pilão anuncia
que o mundo em vão
tem duas vias
pois outras há
e vidas tantas
que é como não tê-las
em todas as gargantas
quando osagyian
inventa o dia
o pilão
nem há
quando o inhame
é outro altar
que se espalha no dia
ao deus-dará
como se fora contradição
entre a razão e o orisá
osagyian
por sobre a vida
é uma razão inteira
de se dizer da fé e da fala
como uma estranha bandeira
de inventar um pilão
que pilasse a alma brasileira.
que o mundo em vão
tem duas vias
pois outras há
e vidas tantas
que é como não tê-las
em todas as gargantas
quando osagyian
inventa o dia
o pilão
nem há
quando o inhame
é outro altar
que se espalha no dia
ao deus-dará
como se fora contradição
entre a razão e o orisá
osagyian
por sobre a vida
é uma razão inteira
de se dizer da fé e da fala
como uma estranha bandeira
de inventar um pilão
que pilasse a alma brasileira.
👁️ 53
Palavras a Rita Nunes
de onde não estejas
inventarás um riso enorme
e anunciarás a vida
mesmo na morte
e dos degraus do tempo
em que te convocas
haverá manhãs risonhas
batendo em nossas portas
tua fuga é apenas um gesto
dos risos em que te postas.
inventarás um riso enorme
e anunciarás a vida
mesmo na morte
e dos degraus do tempo
em que te convocas
haverá manhãs risonhas
batendo em nossas portas
tua fuga é apenas um gesto
dos risos em que te postas.
👁️ 46
Patriótica
o raciocínio não medra
quando a bruta fome ensina
a sofreguidão de todas as pedras
que vige tão latente e intestina
qual a definitiva pose
como se fora definitivo
o que não houve
e rói o peito da pátria
a pan-nacional sentença
de que cada pátria
é apenas um instante
da hora definitiva
da humana consciência
e há de viger o coração
no brasileiro drama imbuído
nesse pulsar da exausta consciência
que pulsa em vão todos os sentidos
quando a bruta fome ensina
a sofreguidão de todas as pedras
que vige tão latente e intestina
qual a definitiva pose
como se fora definitivo
o que não houve
e rói o peito da pátria
a pan-nacional sentença
de que cada pátria
é apenas um instante
da hora definitiva
da humana consciência
e há de viger o coração
no brasileiro drama imbuído
nesse pulsar da exausta consciência
que pulsa em vão todos os sentidos
👁️ 112
Ode cardíaca
I
nenhuma agulha
nem eletrodo tal
navegará meu coração
em todo seu vau
porque de sê-lo assim
às vezes e tanto magro
ainda me baste a compleição
de tê-lo sempre aos saltos
porque em sendo bólide
de alada contextura
possa dispo-lo à vida
e à sofreguidão das ruas
nenhum doutor
de tê-lo assim em mãos
compreenderá suas esquinas
com qualquer exatidão
porque em sendo bomba
nem se lhe aquilate o conteúdo
porquanto explodi-lo baste
na compreensão do que me pude
e, ao invés, não seja
de explosão tamanha
como para guardá-lo intacto
nalgum desvão da esperança
porque de tê-lo ao peito
ajuize-se bandeira
de afagar adredemente
a extrema noite brasileira.
II
nenhuma agulha
compreenderá minha mitral
pois, válvula, não se diz de tanto
como se fora descaminho tal
em vão eletrônica
não lhe cabe a compostura
de esquadrinhar vãos alheios
de complexa urdidura
antes lhe sinta o caminho
de parecer-se andadura
de tudo que em meu peito afaga
a estranha vazão da aventura.
nenhuma agulha
nem eletrodo tal
navegará meu coração
em todo seu vau
porque de sê-lo assim
às vezes e tanto magro
ainda me baste a compleição
de tê-lo sempre aos saltos
porque em sendo bólide
de alada contextura
possa dispo-lo à vida
e à sofreguidão das ruas
nenhum doutor
de tê-lo assim em mãos
compreenderá suas esquinas
com qualquer exatidão
porque em sendo bomba
nem se lhe aquilate o conteúdo
porquanto explodi-lo baste
na compreensão do que me pude
e, ao invés, não seja
de explosão tamanha
como para guardá-lo intacto
nalgum desvão da esperança
porque de tê-lo ao peito
ajuize-se bandeira
de afagar adredemente
a extrema noite brasileira.
II
nenhuma agulha
compreenderá minha mitral
pois, válvula, não se diz de tanto
como se fora descaminho tal
em vão eletrônica
não lhe cabe a compostura
de esquadrinhar vãos alheios
de complexa urdidura
antes lhe sinta o caminho
de parecer-se andadura
de tudo que em meu peito afaga
a estranha vazão da aventura.
👁️ 83
ode a Havana no 495o urbano tempo
assim espalhada
nos ombros da américa
argumentas um traço
de urbana lógica:
paredes serão o limite
nas urgências da história
cidade não te contentas
em ser um feixe de pedras
que a teu povo convenha
melhor te dares um campo
medido assim impunemente
como se fora um jeito
de colorir seus viventes
Havana não reivindicas
nada do que seja fato
em tuas notícias
antes te constatas lenda
contadas em tuas esquinas
de um povo que constrói um tempo
com as certezas da vida
Havana estás presente
em todas as manhãs
daquilo que consentes
nos ombros da américa
argumentas um traço
de urbana lógica:
paredes serão o limite
nas urgências da história
cidade não te contentas
em ser um feixe de pedras
que a teu povo convenha
melhor te dares um campo
medido assim impunemente
como se fora um jeito
de colorir seus viventes
Havana não reivindicas
nada do que seja fato
em tuas notícias
antes te constatas lenda
contadas em tuas esquinas
de um povo que constrói um tempo
com as certezas da vida
Havana estás presente
em todas as manhãs
daquilo que consentes
👁️ 73
ode aos meus possíveis adversários
ganhaste o jogo,
em qualquer circunstância,
não concorro
perco, até adredemente,
pra me guardar em lutas
que a história me consente.
em qualquer circunstância,
não concorro
perco, até adredemente,
pra me guardar em lutas
que a história me consente.
👁️ 86
odes filosóficas e ditirambos desconexos
I
o princípio
não inicia
apenas esquece em si
o que havia
e é não sendo
como se permitia
construindo a descontrução
do dia.
e não é por sê-lo
assim avesso
que trai o jeito
de ser começo
mas por ter-se a prumo
em desafio
ao eximir-se dos fins
por que se cria.
II
o princípio
é um fim em vão
resta-lhe no tempo
um inteiro não
mas dá-se a futuros
com a mesma simetria
com que a noite
inventa de ser dia.
III
o princípio
não é resposta
antes se tem
como pergunta
de todas as portas
indaga
quando é
o que não sendo
na alma
e resta
no espaço
como adaga
que nem se dissesse lâmina
de cortar a fala
o princípio
medra
como uma ilusão
da pedra
um rastro manso
da matéria
IV
o princípio
tem-se a custo
como desrazão
do discurso
posto em palavras
não transita
uma verdade que se quer
absoluta
é-lhe íntimo
o curso
dos melhores rios
do uso
e acostuma-se
à corrente
como barco definitivo
que aparenta
singrar com jeito
o peito do infinito.
o princípio
não inicia
apenas esquece em si
o que havia
e é não sendo
como se permitia
construindo a descontrução
do dia.
e não é por sê-lo
assim avesso
que trai o jeito
de ser começo
mas por ter-se a prumo
em desafio
ao eximir-se dos fins
por que se cria.
II
o princípio
é um fim em vão
resta-lhe no tempo
um inteiro não
mas dá-se a futuros
com a mesma simetria
com que a noite
inventa de ser dia.
III
o princípio
não é resposta
antes se tem
como pergunta
de todas as portas
indaga
quando é
o que não sendo
na alma
e resta
no espaço
como adaga
que nem se dissesse lâmina
de cortar a fala
o princípio
medra
como uma ilusão
da pedra
um rastro manso
da matéria
IV
o princípio
tem-se a custo
como desrazão
do discurso
posto em palavras
não transita
uma verdade que se quer
absoluta
é-lhe íntimo
o curso
dos melhores rios
do uso
e acostuma-se
à corrente
como barco definitivo
que aparenta
singrar com jeito
o peito do infinito.
👁️ 110
Ode a minha amada por qualquer data inexpressiva
as horas
não serão possíveis
enquanto em tua boca
não vicejar o verbo
em que me ouço
e arrancarei
meus segundos
na inadiável felicidade
de perdurar em tua face
em qualquer tarde
e as datas
serão imprescindíveis
apenas para conter na sua forma
os risíveis instantes da vida
em que me entornas
nenhum tempo
constrangerá meu riso
à vista do teu corpo
as horas mais enormes
flutuarão
e comeremos o tempo
na frugal rebelião
de todos os insones
e ainda por muitos corpos
viajaremos amiúde
na exasperante dialética
de tudo aquilo que eu pude
e assim
por todos os momentos
as datas fluirão solertes
na ponta de nossos dedos
de teus olhos
fugirá a bruma
que embrulhará meu peito
e afagará meu sangue
e em tua veia
latejará impune
meu riso
de poeta amordaçado
calarei o sonho
com a noite em riste
e esquecerei que às vezes
algum poeta é triste.
não serão possíveis
enquanto em tua boca
não vicejar o verbo
em que me ouço
e arrancarei
meus segundos
na inadiável felicidade
de perdurar em tua face
em qualquer tarde
e as datas
serão imprescindíveis
apenas para conter na sua forma
os risíveis instantes da vida
em que me entornas
nenhum tempo
constrangerá meu riso
à vista do teu corpo
as horas mais enormes
flutuarão
e comeremos o tempo
na frugal rebelião
de todos os insones
e ainda por muitos corpos
viajaremos amiúde
na exasperante dialética
de tudo aquilo que eu pude
e assim
por todos os momentos
as datas fluirão solertes
na ponta de nossos dedos
de teus olhos
fugirá a bruma
que embrulhará meu peito
e afagará meu sangue
e em tua veia
latejará impune
meu riso
de poeta amordaçado
calarei o sonho
com a noite em riste
e esquecerei que às vezes
algum poeta é triste.
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.