Escritas

Lista de Poemas

Auto da razão

o verbo
é só resquício
de tudo que restou
pelo comício
o amanhã de todos,
a contraluz - quem sabe?
decide o trânsito urgente
e pertinaz da liberdade
👁️ 134

Do riso em mim com mares e correntezas

Meu riso
é um jeito
explícito
de ficar comigo

é que me consinto
mesmo baldio
atravessar todas as léguas
do que desafio

nada como nadar meus mares
nas jangadas do que rio.
👁️ 138

do cumprir o tempo em filosófica trama

assim retilíneo
o tempo é absurdo
as curvas das horas
desdizem seu curso

circular
não se admite
que as horas estejam
postas em cabides

vasto e helicoidal
resta a compostura
de vesti-lo sempre
como grávida aventura

👁️ 101

das tempestades tácitas e implícitas

a nuvem
posta no cosmos
é apenas postagem
dos meus olhos
tudo que lhe tange
é a rebeldia
dos ares de uma pátria
sem serventia
que teima em fazer do céu
subjetiva moradia

postadas aos montes
as nuvens dos homens
chovem num céu
ainda sem horizontes
👁️ 84

Dos lembrares originários em efervescência

memórias
trago-as engavetadas
no centro de mim
desde a áfrica
impulsos, reflexos,
instintos, risadas
e uma certa compreensão
de que lembrar
é só um jeito
de vivê-las pela alma .
👁️ 45

Das feituras do verbo em rompante

ao verbo
dê-se a vazão
de navalha lúdica
de gramáticos vãos
e flua recortado
no burburinho tenso
da palavra
como se fora terra
sob a canga dos arados
 
e instale no homem
a urgente oficina
de inventar nos ombros da fala
todas as suas rimas
 
👁️ 101

Versos a Haroldo

batráquio

não te aprestas

a parecer uma flor

sem competência

antes te assentas

na simplicidade do gesto
de inventar a paciência
 
e pulas

tua própria calma

assim esdrúxula

tua resistência

em beber a noite inteira
no teu jeito repente
 
 
👁️ 65

Verso desconsolado

Desço dos teus olhos

com a mesma compostura
com que desinvento os rumos
nas manhãs das culpas
 
é que deixá-los

é tão doído

como desarrumar os horizontes
em que vivo
 
desço dos teus olhos

tão desnorteado

como quem procura futuros
no passado.
👁️ 80

Vagar noturno

no fundo do copo

dramas e beijos

a angústia cabe inteira

num copo de cerveja

e quem não se mede

pela tristeza que engole

inventa um riso pela boca

num teatro enorme.

cada um é cada tudo

engasgado e entrançado

nas asperezas do mundo.

o olho escapa

das bordas do copo

e palmilha risos e seios

numa distância insólita

e o corpo consome a noite

e trama a madrugada

com a aguda extensão do tédio
que se escreve na cara.

em todos o bar agita

palavras de ordem de uma alegria
que permanece inconsumível.
👁️ 126

Versos do sofrer

a dor

urge que a tenha sempre à mão
quando em vontade

se arquitete a desnecessidade
da razão
 
e sofro de mim
quando entristeço
coisa que não seja tal
e que nem seja tanto
quanto pareça
 
e consumo a mágoa
como tentativa

de me dizer não eu
desconstruindo a vida
 
sofro

com a compleição e o jeito
de restar de mim
 aquilo
que não devo
 
e no que não devo

há sempre o mêdo

de não me sobrar no sonho
que consumo

e em que não creio
 
sofro

como a circunstância
que sofre de mim

a perseverança
 
e no que não creio
já me permito

ter da razão

algum indício triste
 
 
 
 
 
 
 
 
👁️ 159

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !