Escritas

Lista de Poemas

do cacto em contubérnio inato

o cacto
é só um pacto
entre o espinho
e o espaço
a terra
é só o ato
de tangê-los
no deserto dos fatos
a paisagem
é só o desacato
da flor que se inventa
nos soluços que prolata
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De bordados e sonos em rápido olhar

Tanger o sono para os olhos
inventa um sonho apressado
que mistura o jeito do dormir
com os futuros do passado
é assim como se o tempo
fosse um imenso bordado
em que se bordando o amor
com as agulhas da calma
espetassemos as linhas do coração
nos bastidores da alma.
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Da felicidade e sua lógica

a felicidade
é só um jeito
de prestar-se a tanto
basta que se lhe dê vontade
é um quê de esperança.

é que de fluir baldia
nos tempos da vida
presta-se coletiva
mesmo indivídua
e cai nos braços do homem
sempre dividida:
uma parte é crédito
o outro tanto é dívida

é que a felicidade
em todos os sentidos
é sempre um débito
que ao outro é devido.
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Quebrada del Yuro habita o mundo

outubro em oito
o tempo grita
no espaço da carne
comunista

o guerrilheiro
maior que a morte
inventa a história
e sua sorte

e as léguas de si
que joga no mundo
constroem o futuro
e a certeza de tudo.
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Aos tambores da pátria


            A Nana Vasconcelos 

O tambor
talvez não diga
tudo que inventou
nos desvãos da vida

mas na sua sina
de tocar  o mundo
resta-lhe a certeza
de ter-se em tudo

o tambor
impunemente
é um coração itinerante
nos passos da gente
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Da recorrente condição de ser todos

Todo singular
é tão coletivo
que mostra seus ancestrais
em cada choro, em cada riso.

É que não há como detê-los
nessa transeunte lida
onde nem preciso ser só eu
para me jogar pela vida

cada um,
a cada momento,
é só uma passeata do coletivo
no descampado do tempo.
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do poema em transversal distrato

o poema em si
é quase nada
é um pretenso fato
montado nas palavras

e no entanto
o poema fala
na vastidão do homem
a todos os cordões da alma

é que a matéria,
quando está em si, desanda
e chega a sentir no verbo
tudo que se ama
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À Camarada Olga Benário Prestes em laica contrição

Em Olga 
a verdade
é uma bandeira exata
da vontade

Olga
transita em léguas
em que os metros
descabem

Olga
na verdade
é o resumo humano
da liberdade.

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Da liberdade em rasa textura

A liberdade
é fática
tudo que lhe mede
é a prática
e nem se conta
por unidades
seu corpo é a forma
da variedade

A liberdade 
é relativa
por ter-se absoluta
pela vida
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À guisa de mote

É preciso dizer a todos dessa vida

a comunhão que tudo alavanca

e espalhar pelo povo a esperança

nas praças, vielas e avenidas

como se fosse assim uma cantiga

dos desejos que teimamos em criar

nas estradas que sonhamos ao amar

com a força secular de nossa raça

cantando e dançando pelas praças

cantando com o banjo na beira do mar.



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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !