Lista de Poemas
do cacto em contubérnio inato
o cacto
é só um pacto
entre o espinho
e o espaço
a terra
é só o ato
de tangê-los
no deserto dos fatos
a paisagem
é só o desacato
da flor que se inventa
nos soluços que prolata
é só um pacto
entre o espinho
e o espaço
a terra
é só o ato
de tangê-los
no deserto dos fatos
a paisagem
é só o desacato
da flor que se inventa
nos soluços que prolata
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De bordados e sonos em rápido olhar
Tanger o sono para os olhos
inventa um sonho apressado
que mistura o jeito do dormir
com os futuros do passado
é assim como se o tempo
fosse um imenso bordado
em que se bordando o amor
com as agulhas da calma
espetassemos as linhas do coração
nos bastidores da alma.
inventa um sonho apressado
que mistura o jeito do dormir
com os futuros do passado
é assim como se o tempo
fosse um imenso bordado
em que se bordando o amor
com as agulhas da calma
espetassemos as linhas do coração
nos bastidores da alma.
👁️ 46
Da felicidade e sua lógica
a felicidade
é só um jeito
de prestar-se a tanto
basta que se lhe dê vontade
é um quê de esperança.
é que de fluir baldia
nos tempos da vida
presta-se coletiva
mesmo indivídua
e cai nos braços do homem
sempre dividida:
uma parte é crédito
o outro tanto é dívida
é que a felicidade
em todos os sentidos
é sempre um débito
que ao outro é devido.
é só um jeito
de prestar-se a tanto
basta que se lhe dê vontade
é um quê de esperança.
é que de fluir baldia
nos tempos da vida
presta-se coletiva
mesmo indivídua
e cai nos braços do homem
sempre dividida:
uma parte é crédito
o outro tanto é dívida
é que a felicidade
em todos os sentidos
é sempre um débito
que ao outro é devido.
👁️ 79
Quebrada del Yuro habita o mundo
outubro em oito
o tempo grita
no espaço da carne
comunista
o guerrilheiro
maior que a morte
inventa a história
e sua sorte
e as léguas de si
que joga no mundo
constroem o futuro
e a certeza de tudo.
o tempo grita
no espaço da carne
comunista
o guerrilheiro
maior que a morte
inventa a história
e sua sorte
e as léguas de si
que joga no mundo
constroem o futuro
e a certeza de tudo.
👁️ 154
Aos tambores da pátria
A Nana Vasconcelos
O tambor
talvez não diga
tudo que inventou
nos desvãos da vida
mas na sua sina
de tocar o mundo
resta-lhe a certeza
de ter-se em tudo
o tambor
impunemente
é um coração itinerante
nos passos da gente
👁️ 106
Da recorrente condição de ser todos
Todo singular
é tão coletivo
que mostra seus ancestrais
em cada choro, em cada riso.
É que não há como detê-los
nessa transeunte lida
onde nem preciso ser só eu
para me jogar pela vida
cada um,
a cada momento,
é só uma passeata do coletivo
no descampado do tempo.
é tão coletivo
que mostra seus ancestrais
em cada choro, em cada riso.
É que não há como detê-los
nessa transeunte lida
onde nem preciso ser só eu
para me jogar pela vida
cada um,
a cada momento,
é só uma passeata do coletivo
no descampado do tempo.
👁️ 67
do poema em transversal distrato
o poema em si
é quase nada
é um pretenso fato
montado nas palavras
e no entanto
o poema fala
na vastidão do homem
a todos os cordões da alma
é que a matéria,
quando está em si, desanda
e chega a sentir no verbo
tudo que se ama
é quase nada
é um pretenso fato
montado nas palavras
e no entanto
o poema fala
na vastidão do homem
a todos os cordões da alma
é que a matéria,
quando está em si, desanda
e chega a sentir no verbo
tudo que se ama
👁️ 61
À Camarada Olga Benário Prestes em laica contrição
Em Olga
a verdade
é uma bandeira exata
da vontade
Olga
transita em léguas
em que os metros
descabem
Olga
na verdade
é o resumo humano
da liberdade.
👁️ 86
Da liberdade em rasa textura
A liberdade
é fática
tudo que lhe mede
é a prática
e nem se conta
por unidades
seu corpo é a forma
da variedade
A liberdade
é relativa
por ter-se absoluta
pela vida
é fática
tudo que lhe mede
é a prática
e nem se conta
por unidades
seu corpo é a forma
da variedade
A liberdade
é relativa
por ter-se absoluta
pela vida
👁️ 107
À guisa de mote
É preciso dizer a todos dessa vida
a comunhão que tudo alavanca
e espalhar pelo povo a esperança
nas praças, vielas e avenidas
como se fosse assim uma cantiga
dos desejos que teimamos em criar
nas estradas que sonhamos ao amar
com a força secular de nossa raça
cantando e dançando pelas praças
cantando com o banjo na beira do mar.
a comunhão que tudo alavanca
e espalhar pelo povo a esperança
nas praças, vielas e avenidas
como se fosse assim uma cantiga
dos desejos que teimamos em criar
nas estradas que sonhamos ao amar
com a força secular de nossa raça
cantando e dançando pelas praças
cantando com o banjo na beira do mar.
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.