Lista de Poemas
Vaca paciência
do curral
nem se admite
que contenha apenas bois
postos em cabides
assim trançado
de pau a pique
o curral é antes vitrine
de um vago precipício
que nem se sabe de boi
e nem ao menos é legítimo
porque de sê-lo restrito
desdizendo a liberdade
antes nem seja curral
mais uma urgente cidade
que constrange o vacum ofício
de ruminar dias e tardes
pois na reta do olho
talvez a contingência
leve a ver-se apenas homens
bois de sua inconsciência.
nem se admite
que contenha apenas bois
postos em cabides
assim trançado
de pau a pique
o curral é antes vitrine
de um vago precipício
que nem se sabe de boi
e nem ao menos é legítimo
porque de sê-lo restrito
desdizendo a liberdade
antes nem seja curral
mais uma urgente cidade
que constrange o vacum ofício
de ruminar dias e tardes
pois na reta do olho
talvez a contingência
leve a ver-se apenas homens
bois de sua inconsciência.
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Versos a meu pai
de onde você não estiver
eu me comprazo
em ser apenas o contraponto
do que me cala
de onde a vida me bastar
eu morra urgentemente
nas fibras do que não pude
me dizer no teu presente
eu me comprazo
em ser apenas o contraponto
do que me cala
de onde a vida me bastar
eu morra urgentemente
nas fibras do que não pude
me dizer no teu presente
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Versos a Sô Dinda
a distancia
não permite
que o coração
se ponha à deriva
nau
ele flutua
num mar que descamba
nessa lida
e flui em ondas
que eu sabia
da gente que inventa
essa alegria
não permite
que o coração
se ponha à deriva
nau
ele flutua
num mar que descamba
nessa lida
e flui em ondas
que eu sabia
da gente que inventa
essa alegria
👁️ 98
vigílias em tempo
ao tempo
dê-se a vazão
de rio caudaloso
e procissão
pois em sê-lo assim
tão transeunte
nada se lhe acrescente
do que não resuma
pois de tê-lo restrito
mesmo na amplidão
é como tê-lo quase infinito
na palma de cada mão
ao tempo
dê-se a contradita
de parecer-se volátil
mesmo definitivo
porque em sê-lo frequente
tenha-se como desuso
de tudo que a razão
cobrar-lhe custo
ao tempo dê-se a impressão
de uma inércia voraz
tudo que lhe consome
é sempre um menos a mais
porque inconsútil
tenha-se mais a prazo
como prestação do homem
a tudo que lhe compraz
ao tempo
dê-se a suficiência
de ser espaço invertido
tudo que lhe ocupa
é infinito
ao tempo
dê-se a raridade
de parecer-se incomum
como a felicidade
pois não lhe trai a feição
o parecer-se pacato
pendurado nos ponteiros
da nossa ansiedade
ao tempo
dê-se a segurança
de esparramar-se a miúde
como torneira de mim
e tudo aquilo que pude
é que lhe falta a parcimônia
das pacatas atitudes
tudo que lhe tange é tanto
tudo que lhe punge é tudo
ao tempo dê-se a complexidade
de não se parecer matemático
nos algarismo que invade
pois em números não se quantifique
assim em cursos frequentes
quando na razão de nós mesmos
houver um tempo diferente
é que ao tempo
não importa
os franzidos do coração
e as pátrias todas da vida
mas a simples constatação
de que é um curso adrede
quando se tem a razão
como uma emoção diferente
da força de cada mão.
dê-se a vazão
de rio caudaloso
e procissão
pois em sê-lo assim
tão transeunte
nada se lhe acrescente
do que não resuma
pois de tê-lo restrito
mesmo na amplidão
é como tê-lo quase infinito
na palma de cada mão
ao tempo
dê-se a contradita
de parecer-se volátil
mesmo definitivo
porque em sê-lo frequente
tenha-se como desuso
de tudo que a razão
cobrar-lhe custo
ao tempo dê-se a impressão
de uma inércia voraz
tudo que lhe consome
é sempre um menos a mais
porque inconsútil
tenha-se mais a prazo
como prestação do homem
a tudo que lhe compraz
ao tempo
dê-se a suficiência
de ser espaço invertido
tudo que lhe ocupa
é infinito
ao tempo
dê-se a raridade
de parecer-se incomum
como a felicidade
pois não lhe trai a feição
o parecer-se pacato
pendurado nos ponteiros
da nossa ansiedade
ao tempo
dê-se a segurança
de esparramar-se a miúde
como torneira de mim
e tudo aquilo que pude
é que lhe falta a parcimônia
das pacatas atitudes
tudo que lhe tange é tanto
tudo que lhe punge é tudo
ao tempo dê-se a complexidade
de não se parecer matemático
nos algarismo que invade
pois em números não se quantifique
assim em cursos frequentes
quando na razão de nós mesmos
houver um tempo diferente
é que ao tempo
não importa
os franzidos do coração
e as pátrias todas da vida
mas a simples constatação
de que é um curso adrede
quando se tem a razão
como uma emoção diferente
da força de cada mão.
👁️ 97
Da Pedra do Tendó em larga cena
Na Pedra do Tendó
a vida voa
ávida garça pétrea
pousada mansa
nas asas da pessoa
como se fosse âncora
de sonhos passageiros
que o olhar, às vezes, solta
como uma pipa, sorrateiro,
e explode no cérebro
como reflexo e brinquedo
Na Pedra do Tendó
o infinito é sertanejo
e tramita suas léguas
transeunte de si mesmo.
a vida voa
ávida garça pétrea
pousada mansa
nas asas da pessoa
como se fosse âncora
de sonhos passageiros
que o olhar, às vezes, solta
como uma pipa, sorrateiro,
e explode no cérebro
como reflexo e brinquedo
Na Pedra do Tendó
o infinito é sertanejo
e tramita suas léguas
transeunte de si mesmo.
👁️ 140
viver
vivo
e tudo que me vive
me explicita
nos risos que guardo
no bolso da camisa
vivo
como quem acredita
que só a dúvida tange
as certezas da vida
e nem adianta vivê-las
em desmedidas
uma e outra constrangem
sua inteira medida
melhor contê-las avulsas
na incerteza do dia
vivo
como quem navega
num mar consentido
em que o horizonte de mim
viaja comigo.
vivo
como quem morre
intimamente consigo
nada do que me mata
deixa de ter-me vivo.
e tudo que me vive
me explicita
nos risos que guardo
no bolso da camisa
vivo
como quem acredita
que só a dúvida tange
as certezas da vida
e nem adianta vivê-las
em desmedidas
uma e outra constrangem
sua inteira medida
melhor contê-las avulsas
na incerteza do dia
vivo
como quem navega
num mar consentido
em que o horizonte de mim
viaja comigo.
vivo
como quem morre
intimamente consigo
nada do que me mata
deixa de ter-me vivo.
👁️ 136
Do poema em visceral informe
o poema
não joga
sua delação
é retalho
de sua norma:
decretar-se livre
mas em revolta
seu curso
é só recurso
do que informa
a idéia é o transatlântico
navegando os mares das estrofes
não joga
sua delação
é retalho
de sua norma:
decretar-se livre
mas em revolta
seu curso
é só recurso
do que informa
a idéia é o transatlântico
navegando os mares das estrofes
👁️ 113
Trajetória
nas ruas da vida
como ser exato
se todas as manhãs
cabem nos meus passos?
como não cabê-los
nos desvãos do mundo
explodindo em tudo o coração
navegante desses rumos?
como não sabê-los
estradas de mim mesmo
na direção exata do povo
que me coube tê-lo?
é que a humano
sempre se permite
amanhecer todas as manhãs
por que se grite
e é de tê-las avulsas
como tempos recatados
das razões de nós mesmos
que tenhamos projetado
como ser exato
se todas as manhãs
cabem nos meus passos?
como não cabê-los
nos desvãos do mundo
explodindo em tudo o coração
navegante desses rumos?
como não sabê-los
estradas de mim mesmo
na direção exata do povo
que me coube tê-lo?
é que a humano
sempre se permite
amanhecer todas as manhãs
por que se grite
e é de tê-las avulsas
como tempos recatados
das razões de nós mesmos
que tenhamos projetado
👁️ 81
Toda praxe, toda vida
toda praxe
é suspeita
nada do que é novo
lhe enseja
é que não cabe
tradição e futuro
no exercício
de quem quer que seja
a praxe
é um avesso
de tudo que avante
se diz começo
é que ao futuro
cabe a lida
de parecer-se impróprio
nas praxes da vida
a praxe
é apenas um obséquio
de tudo que no passado
foi impretérito
não lhe cabe a medida
de soletrar-se avulsa
pois tudo que lhe tange
é uma constância bruta
a praxe
desmede-se dos homens
pois lhes tornam inconclusos
tudo o que lhes movem avante
é uma cordilheira de desusos
e desse usar frequente
que lhes fustiga à corrente
nada do que a praxe siga
será estrada consequente
pois o novo é sempre caminho
dos rios todos da gente.
é suspeita
nada do que é novo
lhe enseja
é que não cabe
tradição e futuro
no exercício
de quem quer que seja
a praxe
é um avesso
de tudo que avante
se diz começo
é que ao futuro
cabe a lida
de parecer-se impróprio
nas praxes da vida
a praxe
é apenas um obséquio
de tudo que no passado
foi impretérito
não lhe cabe a medida
de soletrar-se avulsa
pois tudo que lhe tange
é uma constância bruta
a praxe
desmede-se dos homens
pois lhes tornam inconclusos
tudo o que lhes movem avante
é uma cordilheira de desusos
e desse usar frequente
que lhes fustiga à corrente
nada do que a praxe siga
será estrada consequente
pois o novo é sempre caminho
dos rios todos da gente.
👁️ 86
Tribal
minha tribo
é tudo aquilo
que convence
meus sentidos
indígena
me desfaço
na aldeia geral
do que abraço
é tudo aquilo
que convence
meus sentidos
indígena
me desfaço
na aldeia geral
do que abraço
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.