Lista de Poemas
simulacro
eis o simulacro:
o outro não será tanto
que não seja como
no meu abraço
eis o simulacro:
a manhã nem toda
é uma fração do tempo
em que se baste
eis o simulacro:
razões serão já todas
as que eu tenha
e as que me constatem
eis o simulacro:
nem tudo que é a manhã
é um dia que me baste.
o outro não será tanto
que não seja como
no meu abraço
eis o simulacro:
a manhã nem toda
é uma fração do tempo
em que se baste
eis o simulacro:
razões serão já todas
as que eu tenha
e as que me constatem
eis o simulacro:
nem tudo que é a manhã
é um dia que me baste.
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Súbitas apreciações acerca do verbo
admito
a palavra é quase sempre
o que digo
é que, às vezes,
no meio dos abraços
a palavra entorna gestos
em que não se lavra
admito
a palavra é muito mais
do que um simples rito
é que, às vezes,
no meio dos verbos
há sempre alguma coisa
de subversivo
tudo que a palavra leva
traz no seu bojo
um infinito
a palavra é quase sempre
o que digo
é que, às vezes,
no meio dos abraços
a palavra entorna gestos
em que não se lavra
admito
a palavra é muito mais
do que um simples rito
é que, às vezes,
no meio dos verbos
há sempre alguma coisa
de subversivo
tudo que a palavra leva
traz no seu bojo
um infinito
👁️ 70
Sonata de introspecção
eu quero o aval de tuas coxas
para atravessar tranquilo
as noites de mim mesmo
e ouvir o gosto de tua voz
nas paredes de minha pátria
eu quero o aval de tuas coxas
para encontrar os caminhos
que não pude
e fruir os jogos de minha consciência
e me desmembrar urgente a memória
eu quero a sombra dos teus olhos
para estende-la nos varais do meu bairro
e tê-los sempre apontando o dia
ainda mesmo que não haja.
eu quero o aval de tuas coxas
para engolir os tragos da vida
com a infinita calma dos teus sonhos.
para atravessar tranquilo
as noites de mim mesmo
e ouvir o gosto de tua voz
nas paredes de minha pátria
eu quero o aval de tuas coxas
para encontrar os caminhos
que não pude
e fruir os jogos de minha consciência
e me desmembrar urgente a memória
eu quero a sombra dos teus olhos
para estende-la nos varais do meu bairro
e tê-los sempre apontando o dia
ainda mesmo que não haja.
eu quero o aval de tuas coxas
para engolir os tragos da vida
com a infinita calma dos teus sonhos.
👁️ 95
quereres
quero trazer
meu coração á mão
como uma bandeira coletiva
pra espalhar pelo mundo
os pulmões de rosa do meu povo
quero medir o infinito
com os palmos do meu grito
quero arrepiar meus cabelos
nas ruas gordas de gente
quero dançar com meus irmãos
alguma valsa do futuro
ou, talvez quem saiba,
borbulhar na rua
como um hidrante de afeto
quero empalmar minha alegria
como os jovens empalmam a vida
e os restos de angústia
que se entrançam no peito
quero lançá-los ao vento
pelas frestas dos cabelos.
Quero pousar na paz
indefinidamente
e sonhar todos os sonhos
que se dêem a gente.
meu coração á mão
como uma bandeira coletiva
pra espalhar pelo mundo
os pulmões de rosa do meu povo
quero medir o infinito
com os palmos do meu grito
quero arrepiar meus cabelos
nas ruas gordas de gente
quero dançar com meus irmãos
alguma valsa do futuro
ou, talvez quem saiba,
borbulhar na rua
como um hidrante de afeto
quero empalmar minha alegria
como os jovens empalmam a vida
e os restos de angústia
que se entrançam no peito
quero lançá-los ao vento
pelas frestas dos cabelos.
Quero pousar na paz
indefinidamente
e sonhar todos os sonhos
que se dêem a gente.
👁️ 91
Sou
sou.
penso.
e divirjo de ser e pensar
constantemente:
os medos me caem entre os dedos
de repente
sou
e sempre
a vida finge pensar
aquilo que nem se sente.
estou
impunemente
naquilo que nem sei
se sou tão sempre.
penso.
e divirjo de ser e pensar
constantemente:
os medos me caem entre os dedos
de repente
sou
e sempre
a vida finge pensar
aquilo que nem se sente.
estou
impunemente
naquilo que nem sei
se sou tão sempre.
👁️ 136
dos avanços da rebeldia
a revolução
nunca é utopia
tudo que lhe tange
é sempre alegria
coisa de ver-se o povo
inventando a energia
de tudo que se enfrente
no peito de quem sentia
rosa da manhã urgente
lavrada na contramão
como se forja um compasso
no meio da multidão
medindo os passos de todos
no rumo do coração.
nunca é utopia
tudo que lhe tange
é sempre alegria
coisa de ver-se o povo
inventando a energia
de tudo que se enfrente
no peito de quem sentia
rosa da manhã urgente
lavrada na contramão
como se forja um compasso
no meio da multidão
medindo os passos de todos
no rumo do coração.
👁️ 101
Dos viveres insabidos
sobro
de tudo que me cabe
a vida é sempre maior
do que se sabe
e nem lhe reste
a contradição
de conformar-se cedo
com o que é tarde.
viver é sempre um tempo
de conjugar a liberdade
de tudo que me cabe
a vida é sempre maior
do que se sabe
e nem lhe reste
a contradição
de conformar-se cedo
com o que é tarde.
viver é sempre um tempo
de conjugar a liberdade
👁️ 52
Renitência
insisto
o tempo me repete
vitalício
nada do que vivo
é vestígio
de que há um tempo
que permito
tudo que me tange
é um tempo definido
em que distribuo à vida
todos meus indícios
o tempo me repete
vitalício
nada do que vivo
é vestígio
de que há um tempo
que permito
tudo que me tange
é um tempo definido
em que distribuo à vida
todos meus indícios
👁️ 101
quero meu amor à mão
quero meu amor à mão
como o gesto mais frugal
e comete-lo impunemente
seja no ócio ou em ofício tal
que nunca se distinga
o que lhe seja avesso
mas que se traga ao largo
de todo o meu medo
e que lhe sinta a carne
e uma virtual saudade
porque me seja tanto e farto
pra distribui-lo à vontade
quero meu amor provisório
como a estrela mais precoce
que vive apenas da tarde
o limite da luz que não lhe guarde
e que lhe sinta as entranhas
como um discurso latente
que construa versos na praça
em gramáticas que nem se consentem
quero meu amor teúdo
apesar de coletivo
e tê-lo na exata proporção
de tudo que eu não digo
quero meu amor subjetivo
como os adeuses que não dei
e remoê-lo pelo chão da tarde
na imprecisão de tudo que não sei
quero meu amor não meu
mas que se faça variado
e que tenham em mim limite tanto
por tanto que se faça vasto
quero meu amor
sem ilimites
perfeitamente desatado
e que encontre pedras em seu leito
e que encontre leito em seus enfados
quero meu amor desesperado
na falta e na presença
farto pelo que de tanto
gasto pelo que de menos
como o gesto mais frugal
e comete-lo impunemente
seja no ócio ou em ofício tal
que nunca se distinga
o que lhe seja avesso
mas que se traga ao largo
de todo o meu medo
e que lhe sinta a carne
e uma virtual saudade
porque me seja tanto e farto
pra distribui-lo à vontade
quero meu amor provisório
como a estrela mais precoce
que vive apenas da tarde
o limite da luz que não lhe guarde
e que lhe sinta as entranhas
como um discurso latente
que construa versos na praça
em gramáticas que nem se consentem
quero meu amor teúdo
apesar de coletivo
e tê-lo na exata proporção
de tudo que eu não digo
quero meu amor subjetivo
como os adeuses que não dei
e remoê-lo pelo chão da tarde
na imprecisão de tudo que não sei
quero meu amor não meu
mas que se faça variado
e que tenham em mim limite tanto
por tanto que se faça vasto
quero meu amor
sem ilimites
perfeitamente desatado
e que encontre pedras em seu leito
e que encontre leito em seus enfados
quero meu amor desesperado
na falta e na presença
farto pelo que de tanto
gasto pelo que de menos
👁️ 38
Sinopse noturna
o bar
remói a vida
bêbado de gente.
Os sonhos
postos nos copos
têm agora
uma feição azeda
já não faiscam nos olhos
como chama
mas ainda murcham
líquidos de mágoas
no resto de madrugada
que se desfaz em cama.
remói a vida
bêbado de gente.
Os sonhos
postos nos copos
têm agora
uma feição azeda
já não faiscam nos olhos
como chama
mas ainda murcham
líquidos de mágoas
no resto de madrugada
que se desfaz em cama.
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.