Lista de Poemas
Da judiciária vazão da luta
lavre-se o despacho:
que seja lançado o povo
às vias correntes do fato.
Nos autos do mundo
crave-se a sentença
e sejam deferidas à pulso
suas conveniências.
E que assim feito em praça
nos desvãos do seu invento
impetre ávido na luta
as curvas da consciência
da wiphala em grávida fala
é índio e alma de povo
da pátria grande
e das pátrias do novo
estandarte
não se presta à lida
de enrolar-se em mastros
mas nos braços da vida
a wiphala é um discurso
adredemente colorido
que se deita pelos Andes
inventando avenidas
Versos em deslavada assintonia temporal
de suor e vontade
como transeunte verbal
da liberdade
livre, concluo
por sobre os muros
as insuficiências de mim
nas nervuras do futuro
e o verso, líquido,
posto em drama,
isenta todos os presentes
dos passados que declama
Da prática em vínculos tácitos
divide
a suficiência do fato
e a humana crise
a prática,
como que avisa,
tudo que é verdade
é matéria prima
e lúdica
no desdizer da vida
a prática ensina a luta
em suas oficinas
Das infinitas messes em jogral
de nem onde
era um campo
de nem quando
sopro, entretanto,
de quanto íntimo fosse
nesga de unicidade
que infinita messe
repente água
e movimento uno
salta a contração
dos calmos absurdos
a matéria esgota o tempo
e lança o espaço no futuro.
Das palavras do povo em sintaxe exata
guardada em cachos
assim como em árvores
de uma extensa mata
o verbo me semeia
numa ilusão exata
de que homens cavalgam
os rumos das palavras
e exatamente público
engulo as gramáticas
que meu povo planta
pelas praças
Da ilha e seus limites
de trazer a liberdade
dentro do peito
é que trazê-la assim
nesse avarandado
ressoa no tempo
como um grave salto
que a vida dá, quase sempre,
quando a história inventa
em ser do povo um espaço
que convenha
Cuba é ilha e olho
assim atravessada
na face impotente
dos canalhas
Ilha
basta-se limítrofe
de todas as liberdades
que estejam em riste
Rapsódia em termos
deixo-me estar no jogo
a história é só um mar
impune e revolto
rapsodo me convoco
a estar na palavra
em que me jogo
verbos são fatos
transeuntes dos passos
rapsodo, enfim,
me desconstruo e ouso
estar menos em mim
quando o outro.
Do pantanal em chamas
leva nas asas
uma nação
em brasas
a onça,
pintada em sua chaga,
desmaia o fogo
que lhe mata
e a sordidez humana
escarra sua podre alma.
Das constrições ritmadas
a mulher
terça o terço
como se debulhasse
seu avesso
as aves
todas marias
voam a ansiedade
em romaria
à distância, no discurso,
os pais nossos
indispostos anunciam:
fica decretada a remissão
dos terços, das horas e dos dias.
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.