Escritas

em braços de almas baldias

AurelioAquino
algum dia
eu tinha uma alma
e não sabia

não dessas que se soletram
em verbos continentes
e que se prosternam aos ventos
como dormentes

não dessas instituídas
na solerte noite da insapiência
e que transitam inócuas
no exercício da consciência

não dessas imerecidas
pelo que de humano se sinta
e que não traspasse o vau
dos rios que não se pressinta

algum dia
eu tinha uma alma
e nem sabia
alma histórica
definida
do tamanho das emoções
que alinhavo na vida

alma país
desenfreada
nas geografias que o peito
às vezes há de

alma manhã
atemporal
basta como a cabeleira
do canavial

alma usina
adrede armadura
de conjugar os risos
e a amargura

algum dia
não terei uma alma
apenas uma porta
por onde escapará a noite
como ineficiente gaivota
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