Lista de Poemas
as parcelas do tempo em simetria
ainda caibo
nos caibros
em que meu sonho
pendura meus enfados
e deixo-me estar pelo dia
com tudo aquilo
em que me desato
pela tarde
faço-me a um tempo
em que me desuso
e deixo-me ser o espaço
entre o povo e o muro
à noite
permito
que a vida vá além
de um tempo restrito
Carta X
traz um ontem no peito
e um amanhã adormecido
no meio dos cabelos
mesmo os hojes amargos
de ontens incontidos
trazem manhãs de mel
e futuros escondidos
das contingências do poema em quadrantes
o poema é torto
em sua essência
pois as palavras são pedras
de estranho alinhamento
não tem a mesma solicitude
dos barros mais gerais
que se aninham na vontade
de gestos oficiais
palavras antes se arrumam
em circunstâncias mais latas
e navegam uma a uma
as profundezas da alma
antes de torto,
o poema é vasto
sempre existe a condição
de torná-lo plástico
Das excelências em paradisíaca feição
entre no paraíso
sem antes provar
que haja combatido
nem mais uma excelência
entre no paraíso
sem antes provar
que exerça os sentidos
nem mais uma excelência
preste-se ao exercício
de fabricar contratempos
aos desejos do infinito
nem mais uma excelência
deixe de ser seu grito
Indagação em torno de viventes
quem ousará viver
mais que as léguas
que se tenha da vida?
à deriva,
quem usará morrer
sem consumir com todos
essas léguas reunidas?
viver é uma estrada
que só cabe em desmedidas
das comoções em racional desplante
comovo-as
com as pitadas de razão
com que as movo
minhas razões
pressinto-as
assim que me têm à mão
as adrenalinas
dos ofícios de mim em crescente
é um contrário
e a certeza que vige
nas certezas em que me guardo
meu ofício
é ser um trânsito
em tudo aquilo
em que me caibo
guardo
os dias sem guarda
e a luz mais íntima
das madrugadas
creio no engenho das estrelas
e na compreensão inata
de que tê-las é não tê-las
guardo as alegrias definitivas
como as canetas que trago
pelos bolsos da camisa
e as incluo no meu dia
com todos os verbos
a que me apresto à alegria
meu ofício
é ser meu sangue
pulsando todos os rubros
e todos os instantes
dos balanços vitais
incontinente
como se a vida não coubesse
no que sentes
e sempre te permites
ainda insolvente
cobrar o que da vida
gastas impunemente
da chuva e da água em nordestina trama
é uma alegria intensa
que chega a inventar línguas
no vão da consciência
e, assim, exercício da esperança
há quem a sinta pouca
por não sabe-la tanta
deitada no vão da terra
quando é chuva e planta
e não lhe sobra uma fome
mesmo as mais etéreas
por não pode-la consumirem
com o vazio das artérias
Ode ao meu cachimbo, chamado Misaque
serventia aguda
da coisa menos formal
prestante à luta
era o tomilho
matéria exata
de guardar restos dos sonhos
que desato
era a fumaça
magra continência
do que eu poderia queimar
nessas ausências
Misaque era só uma arma
de inventar paciências
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.