Lista de Poemas
Das mortes e vidas em trajeto
volto à terra meus neurônios
em estática pose
de quem cumpriu a história
e não mais se coube
passo de animal
a mineral e outros
estudado em cartilhas,
genérico e quase todo
mas saio da vida
um tanto endividado
por ter arrecadado emoções
em infinitas quantidades
morro como homem
para viver no que me caiba
em estática pose
de quem cumpriu a história
e não mais se coube
passo de animal
a mineral e outros
estudado em cartilhas,
genérico e quase todo
mas saio da vida
um tanto endividado
por ter arrecadado emoções
em infinitas quantidades
morro como homem
para viver no que me caiba
👁️ 76
Da insuficiência lírica em discurso
meu eu lírico
é louco e indeciso
nunca administra unânime
os verbos de comícios
é que faltam palanques
para ter-se contrito
nas orações em que o poeta
debulha seus escritos
nesse rosário intransigente
de tantos adjetivos
é que o verso às vezes intenta
muito mais do que é preciso
é louco e indeciso
nunca administra unânime
os verbos de comícios
é que faltam palanques
para ter-se contrito
nas orações em que o poeta
debulha seus escritos
nesse rosário intransigente
de tantos adjetivos
é que o verso às vezes intenta
muito mais do que é preciso
👁️ 131
O tempo em suas contrações e usos
há dias
em que não vou ao futuro
deixo-me passado
nos presentes que procuro
e esse tempo
como um abuso
torce as horas que crio
dos futuros que uso
é assim como um mergulhar
nos mares do meu discurso
em que não vou ao futuro
deixo-me passado
nos presentes que procuro
e esse tempo
como um abuso
torce as horas que crio
dos futuros que uso
é assim como um mergulhar
nos mares do meu discurso
👁️ 85
Antropofágica procissão em termos
antropofágico
o sistema delata
as ruas da morte
que asfalta
exato canibal
enganoso e mórbido
desenha iscas
para humanos bólides
e no meio do caminho
nas rasuras do medo
a vida regurgita o espaço
na esperança de rompê-lo
o sistema delata
as ruas da morte
que asfalta
exato canibal
enganoso e mórbido
desenha iscas
para humanos bólides
e no meio do caminho
nas rasuras do medo
a vida regurgita o espaço
na esperança de rompê-lo
👁️ 116
Da verdade em factual vigência
a verdade,
seja dito,
monta no fato
escondida:
é que há uns tempos
de parecer relativa
a verdade
acredita
que o fato é só um barco
onde se explicita
nesses mares avaros
em que habita
ao homem
restam os indícios
de vive-la como fato
nas esquinas do possível
seja dito,
monta no fato
escondida:
é que há uns tempos
de parecer relativa
a verdade
acredita
que o fato é só um barco
onde se explicita
nesses mares avaros
em que habita
ao homem
restam os indícios
de vive-la como fato
nas esquinas do possível
👁️ 69
Gritos, bandeiras e as mãos do futuro
gritos serão bandeiras
em gargantas hasteadas
para construir as esquinas
da grande madrugada
mãos serão bastantes
para todos os abraços
e os afagos urgentes
na liberdade que nasça
e os homens
viverão a estranha matemática
que faz de todos só um
no dorso unânime da prática
alinhavar o futuro
é jeito de astronauta
em gargantas hasteadas
para construir as esquinas
da grande madrugada
mãos serão bastantes
para todos os abraços
e os afagos urgentes
na liberdade que nasça
e os homens
viverão a estranha matemática
que faz de todos só um
no dorso unânime da prática
alinhavar o futuro
é jeito de astronauta
👁️ 57
meu tempo em resenha flagrante
pela manhã
assim de repente
o tempo esqueceu
de estar contente
e eu chorei as horas
tão perdidamente
que esqueci meus olhos
nos ombros do presente
pela tarde
assim vadia
a vida boiou nos mares
das ondas que eu dizia
à noite
o futuro nasceu
como o novo dia
assim de repente
o tempo esqueceu
de estar contente
e eu chorei as horas
tão perdidamente
que esqueci meus olhos
nos ombros do presente
pela tarde
assim vadia
a vida boiou nos mares
das ondas que eu dizia
à noite
o futuro nasceu
como o novo dia
👁️ 95
Das pedras em continência
assim empertigada
nos ombros da natureza
a pedra apenas comenta
uma incauta certeza
os ventos que equilibra
em estática paisagem
tem a insistência das pedras
e a fluidez das miragens
é como se o espaço montasse
o tempo em que viaja
nos ombros da natureza
a pedra apenas comenta
uma incauta certeza
os ventos que equilibra
em estática paisagem
tem a insistência das pedras
e a fluidez das miragens
é como se o espaço montasse
o tempo em que viaja
👁️ 66
Da crise em rápida viagem
a crise
é só um levante
que a vida constrói
como uma ponte
no seu desarrumado
há uma ordem constante
em que as respostas explodem
nas dúvidas dos ontens
e as vidraças quebradas
são janelas bastantes
por onde o futuro voará
como uma garça no horizonte
a crise é só um esgar
em que a felicidade se esconde
é só um levante
que a vida constrói
como uma ponte
no seu desarrumado
há uma ordem constante
em que as respostas explodem
nas dúvidas dos ontens
e as vidraças quebradas
são janelas bastantes
por onde o futuro voará
como uma garça no horizonte
a crise é só um esgar
em que a felicidade se esconde
👁️ 63
Dos açudes líquidos e viventes
o açude
é um mar retraído
todas as suas ondas
estão contidas
é que o esforço
em parecer pacífico
cobra-lhe dos ombros
o sacrifício
precisa sempre estar calmo
apesar de todos os conflitos
o açude da alma
é extremamente lascivo
arrebenta todos os mares
para estar consigo
é um mar retraído
todas as suas ondas
estão contidas
é que o esforço
em parecer pacífico
cobra-lhe dos ombros
o sacrifício
precisa sempre estar calmo
apesar de todos os conflitos
o açude da alma
é extremamente lascivo
arrebenta todos os mares
para estar consigo
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.