Lista de Poemas
Das medições cósmicas em singela vazão
o universo
é só um distrato
da ordem finita
de todos os esquadros
tem-se em réguas
por desacato
àquilo que por léguas
dá-se como palmos
e o homem avaro e imediato
mede apenas seus sobressaltos
é só um distrato
da ordem finita
de todos os esquadros
tem-se em réguas
por desacato
àquilo que por léguas
dá-se como palmos
e o homem avaro e imediato
mede apenas seus sobressaltos
👁️ 73
Da constância do verso em diferente âmbito
no papel
o verso deitava
com a ilusão intacta
de que a caneta
era o caminho
por onde passeava
e o poeta dirigia
o fraseado da alma
no teclado
o verso salta
com a ilusão intensa
de que é astronauta
e voa um cosmos informático
com um algoritmo nos braços
ainda bem que a poesia
permanece em seu encalço
o verso deitava
com a ilusão intacta
de que a caneta
era o caminho
por onde passeava
e o poeta dirigia
o fraseado da alma
no teclado
o verso salta
com a ilusão intensa
de que é astronauta
e voa um cosmos informático
com um algoritmo nos braços
ainda bem que a poesia
permanece em seu encalço
👁️ 58
Grávida manhã em lauto percurso
se faltarem as manhãs
nas alegrias da tarde
escalaremos as horas
em militar estado
e as traremos continentes
nos braços da madrugada
manhãs são fragmentos
postos à mercê do espaço
para que o homem discurse
os anoiteceres e as tardes
é assim um parto do tempo
em todos seus avatares
nas alegrias da tarde
escalaremos as horas
em militar estado
e as traremos continentes
nos braços da madrugada
manhãs são fragmentos
postos à mercê do espaço
para que o homem discurse
os anoiteceres e as tardes
é assim um parto do tempo
em todos seus avatares
👁️ 110
Da racional feição do caminho
a vida
é exato invento
quando em porteira aberta
do pensamento
é que o pensar
é um viver diferente
que se esparrama no verbo
tão flagrantemente
como uma usina tenaz
de tudo que se sente
tanger a razão no peito
é navegação recorrente
é exato invento
quando em porteira aberta
do pensamento
é que o pensar
é um viver diferente
que se esparrama no verbo
tão flagrantemente
como uma usina tenaz
de tudo que se sente
tanger a razão no peito
é navegação recorrente
👁️ 91
Virtuais intentos da crise no composto verso
em crise
o poema assiste
as ranhuras da vida
e as do poeta, inclusive
o eu lírico
adormece a fala
nas esquinas verbais
em que se declara
a vida, o poeta e o eu, todos líricos,
inventam a madrugada
como um tempo urgente
de montarem nas palavras
e escoicearem pelo mundo
os verbos todos da alma.
o poema assiste
as ranhuras da vida
e as do poeta, inclusive
o eu lírico
adormece a fala
nas esquinas verbais
em que se declara
a vida, o poeta e o eu, todos líricos,
inventam a madrugada
como um tempo urgente
de montarem nas palavras
e escoicearem pelo mundo
os verbos todos da alma.
👁️ 94
Da pandemia em oníricas visagens
e as razões baldias
soletradas entre os dentes
dizem o grito que havia
no vão desses viventes
como se fora um clarão
num céu inconsequente
é assim como um riso
que chorasse de repente
e jogasse pelo mundo
uma tristeza contente
é como se uma pedra
furasse o sonho da gente
nessas dialéticas futuras
que enxovalham o presente
soletradas entre os dentes
dizem o grito que havia
no vão desses viventes
como se fora um clarão
num céu inconsequente
é assim como um riso
que chorasse de repente
e jogasse pelo mundo
uma tristeza contente
é como se uma pedra
furasse o sonho da gente
nessas dialéticas futuras
que enxovalham o presente
👁️ 61
Das guerras em mim e armistícios
das guerras que cometo,
assim pacífico,
melhor contê-las desarmadas
em largos armistícios
é que as armas da razão
atiram artifícios
calados verbos rasantes
nas costas dos gritos
das guerras que cometo
apenas identifico
essa necessidade da paz
em que me habito
assim pacífico,
melhor contê-las desarmadas
em largos armistícios
é que as armas da razão
atiram artifícios
calados verbos rasantes
nas costas dos gritos
das guerras que cometo
apenas identifico
essa necessidade da paz
em que me habito
👁️ 88
Dissertação à bandeira do meu partido
nesses ares de pomba
nenhuma mansidão é tanta
que possa calar o grito
que drapejas nas gargantas
não um grito que apenas boie
na balsa intensa dos ouvidos
mas um clamor que em si confunda
a instância mais pública do infinito
nesses ares de lençol
estendido pelas avenidas
com o vasto sonho das dúvidas
e as certezas mais empedernidas
e nos ombros do comício
assim flutuas a jangada da vida
nos mares que o povo inventa
em todas suas contraditas
nenhuma mansidão é tanta
que possa calar o grito
que drapejas nas gargantas
não um grito que apenas boie
na balsa intensa dos ouvidos
mas um clamor que em si confunda
a instância mais pública do infinito
nesses ares de lençol
estendido pelas avenidas
com o vasto sonho das dúvidas
e as certezas mais empedernidas
e nos ombros do comício
assim flutuas a jangada da vida
nos mares que o povo inventa
em todas suas contraditas
👁️ 81
Caminhos, veias e vertentes
ruas
são veias do povo
um rio de sangue
em alvoroço
que molha a história
e pressente
os futuros que caminham
nessas vertentes
ruas
são destinos urbanos
num agrário panorama
que traça a terra dos homens
nos passos e nos dramas
que a vida carrega pelo ombros
até que seja chama.
são veias do povo
um rio de sangue
em alvoroço
que molha a história
e pressente
os futuros que caminham
nessas vertentes
ruas
são destinos urbanos
num agrário panorama
que traça a terra dos homens
nos passos e nos dramas
que a vida carrega pelo ombros
até que seja chama.
👁️ 69
Da arte em hipotenusas e malabares
a arte enfim
não é só um contrato
de afagar o cérebro e arrepiar as emoções
em lúdicos sobressaltos
é uma mentira exata
tangendo uma verdade
que a gente traz por dentro
e nem sabe
é uma verdade plena
de quem constata
sua feição de pluma
e de máquina
a arte cabe inteira
em todas as matemáticas
não é só um contrato
de afagar o cérebro e arrepiar as emoções
em lúdicos sobressaltos
é uma mentira exata
tangendo uma verdade
que a gente traz por dentro
e nem sabe
é uma verdade plena
de quem constata
sua feição de pluma
e de máquina
a arte cabe inteira
em todas as matemáticas
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.