Lista de Poemas
Dos aviamentos e vieses
aviarás a vida
em receita avara
nas gramas do ser
dos teus pesares
aviarás a vida
em receita farta
nos risos bordados
nos desvãos da alma
aviarás o outro
em receita coletiva
em que te disponhas
a cometer a vida.
em receita avara
nas gramas do ser
dos teus pesares
aviarás a vida
em receita farta
nos risos bordados
nos desvãos da alma
aviarás o outro
em receita coletiva
em que te disponhas
a cometer a vida.
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Das origens e povo de rosa e gente
rosa
originalmente
de proteínas humanas
plural processo e drama
do progresso: substância
rosa
plural menina
contrariamente
embrião e albumina
do processo e do futuro
constantemente
rosa povo
futurável e urgente
da fruta do novo
como semente
originalmente
de proteínas humanas
plural processo e drama
do progresso: substância
rosa
plural menina
contrariamente
embrião e albumina
do processo e do futuro
constantemente
rosa povo
futurável e urgente
da fruta do novo
como semente
👁️ 69
da coca cola e outras efervescências
é preciso
que a morte sobreviva
no lucro inconteste
de todas as medidas
na garrafa de Coca Cola
a morte explicita
os líquidos todos
que nos habitam
há que molhar a garganta
de quem se suicida
morrer é quase um viver
quando o sistema diga
e no cartaz luminoso
subverte-se a desdita
de quem foi incapaz
de alinhar-se à vida.
a coca cola
efervescente
engole a razão
adrede(mente)
👁️ 92
Sonata II de introspecção
nem a minha saudade
por se ter tão vasta
preencha o quanto de tua ausência
em que se diga ávida
ou que se fora pouca
ou que se faça marca
meu coração
é uma bandeira exata
de tremular em ti
na tua falta
nem a minha vontade
tenha-se controlada
em distribuir tua voz
no vão dessa cidade
meu coração
é um motor inato
de sempre ter sido tão em ti
voraz e automático
não dessas energias
que se filtram aos pedaços
mas que em cada novo gesto
descubram assim tão de repente
que a vida sempre boia nos teus olhos
comigo apenas navegante do teu jeito
nem os infinitos
que se contam comumente
ousem desembaraçar em ti
aquilo que em mim
é de te ter tão vasta
e condição de me ter como vivente
por se ter tão vasta
preencha o quanto de tua ausência
em que se diga ávida
ou que se fora pouca
ou que se faça marca
meu coração
é uma bandeira exata
de tremular em ti
na tua falta
nem a minha vontade
tenha-se controlada
em distribuir tua voz
no vão dessa cidade
meu coração
é um motor inato
de sempre ter sido tão em ti
voraz e automático
não dessas energias
que se filtram aos pedaços
mas que em cada novo gesto
descubram assim tão de repente
que a vida sempre boia nos teus olhos
comigo apenas navegante do teu jeito
nem os infinitos
que se contam comumente
ousem desembaraçar em ti
aquilo que em mim
é de te ter tão vasta
e condição de me ter como vivente
👁️ 91
Pequena balada da vergonha
no lixo
um pedaço de queijo
é uma rosa amarela
enlaçada nos olhos
do menino que a revela.
nunca que soubesse
que todos os seus medos
medem mais que seus sentidos
amarrotados, assim,
nos seus cabelos.
nunca que soubesse
das possíveis traições
que as rosas tecem
nos vãos de seus perfumes
do veneno
restou a morte, o acinte
e uma infinita vergonha
nas ruas do Recife.
um pedaço de queijo
é uma rosa amarela
enlaçada nos olhos
do menino que a revela.
nunca que soubesse
que todos os seus medos
medem mais que seus sentidos
amarrotados, assim,
nos seus cabelos.
nunca que soubesse
das possíveis traições
que as rosas tecem
nos vãos de seus perfumes
do veneno
restou a morte, o acinte
e uma infinita vergonha
nas ruas do Recife.
👁️ 37
Metabolismo em rasante manifesto
meu metabolismo
é um trânsito intenso
das estradas que em mim
moldam minha essência
proteínas, glicoses
enchem meus neurônios
com a razão de admitirem
a montagem dos meus sonhos
a razão de minhas células
é a condição urgente
de estar ombro a ombro
com o que me sente
viver é só metabolizar
nas estradas de gente
é um trânsito intenso
das estradas que em mim
moldam minha essência
proteínas, glicoses
enchem meus neurônios
com a razão de admitirem
a montagem dos meus sonhos
a razão de minhas células
é a condição urgente
de estar ombro a ombro
com o que me sente
viver é só metabolizar
nas estradas de gente
👁️ 58
A toque de soneto em quase verso
nem do só viver morra o presente
naquilo que sobrou pelo passado
e que se tenha futuros renitentes
nas construções do tempo desejado
que a vida inteira se contemple
como um devir presente no espaço
em que todos avançam adredemente
a construção coletiva do abraço
flua desembestada, assim como corrente
dos rios todos e tantos desses mares
que navegam o jeito de todos os viventes
deite-se na instância tardia e quase urgente
em que se tenha futura em seus olhares
abraçada aos fatos de todo seu presente
naquilo que sobrou pelo passado
e que se tenha futuros renitentes
nas construções do tempo desejado
que a vida inteira se contemple
como um devir presente no espaço
em que todos avançam adredemente
a construção coletiva do abraço
flua desembestada, assim como corrente
dos rios todos e tantos desses mares
que navegam o jeito de todos os viventes
deite-se na instância tardia e quase urgente
em que se tenha futura em seus olhares
abraçada aos fatos de todo seu presente
👁️ 57
De Maria Pajeú em bailarina urgência
na dança
em bailarina avença
Maria Pajeú
é uma África imensa
em sua pose
os tambores gritam
todas as esperanças
de uma massa aflita
frente ao divino
como uma garça urgente
Maria Pajeú
dança todos os sonhos que pressente
em bailarina avença
Maria Pajeú
é uma África imensa
em sua pose
os tambores gritam
todas as esperanças
de uma massa aflita
frente ao divino
como uma garça urgente
Maria Pajeú
dança todos os sonhos que pressente
👁️ 58
Coletivos de mim em plena messe
quanto mais eu perceba
como tu percebes
mais ainda o coletivo
me persegue
é que vário
não me entregue
a ser só indivíduo
em cada messe
a pluralidade de mim
é só um aviso
dos coletivos
que a vida tece
despejá-los em mim
é só uma tarefa adrede
como tu percebes
mais ainda o coletivo
me persegue
é que vário
não me entregue
a ser só indivíduo
em cada messe
a pluralidade de mim
é só um aviso
dos coletivos
que a vida tece
despejá-los em mim
é só uma tarefa adrede
👁️ 51
Tributo ao Camarada Pablo Neruda
no Chile
as pedras voam
rompida a gravidade
entre os segredos das ruas
e o peito da cidade
Neruda,
gerente do poema,
arquiteta palavras,
ainda morto,
na exata relva
que lhe cobre a alma
e as pedras
encenam seus poemas
grávidas de amor
em seus gestos de arma
as pedras voam
rompida a gravidade
entre os segredos das ruas
e o peito da cidade
Neruda,
gerente do poema,
arquiteta palavras,
ainda morto,
na exata relva
que lhe cobre a alma
e as pedras
encenam seus poemas
grávidas de amor
em seus gestos de arma
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.