Escritas

Lista de Poemas

Pensar em debandada marcha solene

a razão
é só um disfarce
que a verdade intromete
nas nervuras do fato

joga a palavra
em sonoras teses
como co-autora
do que a vida tece

pensar é um caminhar solene
naquilo em que, humano, se esquece
👁️ 122

Das humanas contrações do sentimento

humano
deixo-me estar amando
simples usina e chama
daquilo que sonhamos

do coração
aos pulos
pula a razão
todos os muros

e usineiro de mim
amo o povo e a amada
com todos os laivos
da urgente madrugada
👁️ 57

Das mundanas matanças em revista

Auschwitz insiste
em declarar-se presente
na monetária hemoptise
e os privados pulmões
vomitam a mundana crise

tudo que lhe tange é a notícia
de que o sistema cogita à vista
permitir-se matar os homens
como avanço da estatística

e o mundo embarga o futuro
nos autos do processo absurdo
👁️ 94

Do perdão em rasa cena

e na mente
as pegadas da culpa
inventam os atalhos
em desculpas
tudo que é vontade
da-se às escusas
da liberdade grávida
das escutas

o favor do perdão
é só uma bandeira difusa
que tremula a palavra
como um gesto de luta
👁️ 103

Onírica menção aos deveres da razão

o sonho
singra a vida
como um transatlântico furtivo
que navega todos os mares
de todos os sentidos

é como uma resposta
sem pergunta
no calendário desajustado
dos meandros da luta

ao homem cabe apenas
isentá-lo de suas culpas
👁️ 119

Da contrição e seus teatrais invólucros

os céus de que me visto
têm todas as dúvidas
dos infernos que tangem
minhas culpas
e por tê-los inventados
nas rugas dos enredos
hei de tê-las enormes
nas lacunas do que devo

é que o céu é só um jeito
dos infernos que criamos
no avesso do mêdo
👁️ 103

O pulsar da prática em coletivo instinto

a prática divide
como oficina
o homem e o próximo
em matérias-primas
tudo que lhes alcançam
dá-se por paradigmas
uns dados no exercício
outros dados à míngua

tudo que versa a prática
é o fato como estigma
👁️ 110

Em aditamento ao trâmite das horas

nos dias
em que as noites não terminam
e cumprem esse tempo
como recorrentes oficinas
construindo a escuridão
das vidas e das esquinas
há que tanger os fatos
pelo curso da memória
e retorna-los intactos
aos braços da história
para tece-los novamente
com as linhas das horas

ao homem cabe um tempo
de adiar todas as demoras
👁️ 84

Inventário em bemóis e disfarçadas claves

o violão
inventa nas cordas
um transeunte contumaz
que arquiteta notas

os bemóis são gorjeios
que revogam as claves
e suspiram acordes
nos ombros da tarde

o violão é inventor de calmas
e nem sabe
👁️ 51

Atômicas razões dos caminhares

o íon
balança o àtomo
nas redes incautas
dos fatos

a matéria
diversa e grávida
dilacera seus àtomos
nos muros da prática

e os homens
nessa atômica pauta
carregam os encômios
de suas passeatas

é que palavras são elétrons
que se jogam nas marchas
👁️ 64

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !