Lista de Poemas
Carta XIV
meu poema
não se acostuma
a não ser alado
e viver inerte
embrulhado numa página
e se não se alça
em exercícios celestes
permanece impaciente
nas parcimônias do verbo
e animal
despede-se do dia
sem alarde
na incoerência gráfica
e verbal de alguma tarde
não se acostuma
a não ser alado
e viver inerte
embrulhado numa página
e se não se alça
em exercícios celestes
permanece impaciente
nas parcimônias do verbo
e animal
despede-se do dia
sem alarde
na incoerência gráfica
e verbal de alguma tarde
👁️ 48
Paisagem em humana lida
a paisagem
é balsa
nos rios do olhar
em que se basta
curva
mente-se reta
no horizonte agudo
em que se deita
e o homem
como usina de tudo
inventa paisagens
nas costas do mundo
é balsa
nos rios do olhar
em que se basta
curva
mente-se reta
no horizonte agudo
em que se deita
e o homem
como usina de tudo
inventa paisagens
nas costas do mundo
👁️ 97
Do futuro em vegetal rompante
na árvore do tempo
pendurados em seus galhos
os homens balançam
o futuro dos fatos
o vento anuncia
o farfalhar da vida
e as escaramuças
das galhas perdidas
na noite do tempo
montados em muros
os homens inventam
de amadurecer o futuro
pendurados em seus galhos
os homens balançam
o futuro dos fatos
o vento anuncia
o farfalhar da vida
e as escaramuças
das galhas perdidas
na noite do tempo
montados em muros
os homens inventam
de amadurecer o futuro
👁️ 102
Marinha descritiva
nos mares que navegas
mesmo em segredo
há que deixar em terra
as jangadas do medo
é que dentro de nós
a onda é só um jeito
meio desarrumado
do mar estufar o peito
mesmo em segredo
há que deixar em terra
as jangadas do medo
é que dentro de nós
a onda é só um jeito
meio desarrumado
do mar estufar o peito
👁️ 88
Dos passos e demoras do fim
a conjuntura
é só um passo
dos caminhos que o fim
põe em nossos braços
vê-la sozinha
nos ombros do tempo
é não tê-la só atalho do momento
o fim gosta de demorar
todas as conjunturas
em que combatemos
é só um passo
dos caminhos que o fim
põe em nossos braços
vê-la sozinha
nos ombros do tempo
é não tê-la só atalho do momento
o fim gosta de demorar
todas as conjunturas
em que combatemos
👁️ 78
Das humanas vazões do futuro
dê-se o contrato:
tudo que do homem
permaneça em atos
cumpra a função de tantos
em favor de todos
como cláusula de fato
cumpra-se o dito:
tudo que vier do homem
assim construído
permaneça em todos jacente
como definitivo armistício
e siga a vida a mudança
que persegue o infinito
de sermos todos nós
abraçados neste rito
o conflito que precede a trama
é só um alvoroço coletivo
e o caminho que lhe derrama
é compostura do humano ofício
tudo que do homem
permaneça em atos
cumpra a função de tantos
em favor de todos
como cláusula de fato
cumpra-se o dito:
tudo que vier do homem
assim construído
permaneça em todos jacente
como definitivo armistício
e siga a vida a mudança
que persegue o infinito
de sermos todos nós
abraçados neste rito
o conflito que precede a trama
é só um alvoroço coletivo
e o caminho que lhe derrama
é compostura do humano ofício
👁️ 43
Viver é jeito de montar no tempo
as amarras do tempo
quando soltam
fecham o corpo
criam portas
e ressoam no juízo infante
como resposta tardia
ao que se tem de livre
no meio da alegria
e a tristeza
é só uma filigrana
do que escapa do riso
no meio dos anos
a vida sempre carrega
a aventura nos ombros
quando soltam
fecham o corpo
criam portas
e ressoam no juízo infante
como resposta tardia
ao que se tem de livre
no meio da alegria
e a tristeza
é só uma filigrana
do que escapa do riso
no meio dos anos
a vida sempre carrega
a aventura nos ombros
👁️ 36
Conjuntura em trâmite diverso
o comum
é só um trâmite
que o complexo avança
a cada instante
é que em cadeias
como fugitivos
os comuns apascentam
os sentidos
e tangem o complexo
como garatujas
para que o cérebro projete
no meio das lutas
o complexo em verdade
só depende das ruas
é só um trâmite
que o complexo avança
a cada instante
é que em cadeias
como fugitivos
os comuns apascentam
os sentidos
e tangem o complexo
como garatujas
para que o cérebro projete
no meio das lutas
o complexo em verdade
só depende das ruas
👁️ 80
Quantificação da alma ou filosófica aproximação de tudo
primeiro
há o indício
de que a paz
é obra do ofício
e por assim disposta
não se há de tê-la avulsa
como se fora troféu
de qualquer disputa
antes é de vê-la
cerzida ao sacrifício
de construir de cada alma
um grande armstício
primeiro
há a constatação
de que o mundo é adrede
como a revolução
não lhe trai o munus
de ser assim evidente
como se fora adaga
que se cingisse aos dentes
primeiro há o desvario
de tentar numerar o cosmos,
a inconstância dos rios
e dá-se em científicos discursos
como se possível fora da alma
quantificar qualquer uso
e a mister tão avaro
dá-se o status absoluto
de parecer que a verdade
é matéria apenas de discurso
não que não haja indícios
de uma verdade relativa
que se teime em absoluta
quando em verbo se invista
pois por retratar a realidade
com uma certa parcimônia
lhe sobre essa completude
de tudo o que se sonha
primeiro
há a persistência
de que o homem nunca cabe
apenas na consciência
pois lhe sobra pelo jeito
uma vontade aguerrida
de não contar pela alma
os tempos todos da vida
é que lhe permite a razão
de ser assim inconstante
a simples determinação
de tudo que lhe é avante
pois lhe sobra a simplicidade
de ser um tanto complexo
e amanhar a liberdade
com um deságio completo
primeiro
há o contraponto
de toda contrafação
que teima em dizer do homem
os contrários que estão à mão
como se fosse um avesso
que chegasse a vão
pois é espaço avulso
no chão de cada pensar
como se fora um discurso
escrito assim pelo ar.
há o indício
de que a paz
é obra do ofício
e por assim disposta
não se há de tê-la avulsa
como se fora troféu
de qualquer disputa
antes é de vê-la
cerzida ao sacrifício
de construir de cada alma
um grande armstício
primeiro
há a constatação
de que o mundo é adrede
como a revolução
não lhe trai o munus
de ser assim evidente
como se fora adaga
que se cingisse aos dentes
primeiro há o desvario
de tentar numerar o cosmos,
a inconstância dos rios
e dá-se em científicos discursos
como se possível fora da alma
quantificar qualquer uso
e a mister tão avaro
dá-se o status absoluto
de parecer que a verdade
é matéria apenas de discurso
não que não haja indícios
de uma verdade relativa
que se teime em absoluta
quando em verbo se invista
pois por retratar a realidade
com uma certa parcimônia
lhe sobre essa completude
de tudo o que se sonha
primeiro
há a persistência
de que o homem nunca cabe
apenas na consciência
pois lhe sobra pelo jeito
uma vontade aguerrida
de não contar pela alma
os tempos todos da vida
é que lhe permite a razão
de ser assim inconstante
a simples determinação
de tudo que lhe é avante
pois lhe sobra a simplicidade
de ser um tanto complexo
e amanhar a liberdade
com um deságio completo
primeiro
há o contraponto
de toda contrafação
que teima em dizer do homem
os contrários que estão à mão
como se fosse um avesso
que chegasse a vão
pois é espaço avulso
no chão de cada pensar
como se fora um discurso
escrito assim pelo ar.
👁️ 98
A dor em quadratura alheia
minhas dores
tenho-as resumidas
num espaço avulso
das frestas da vida
é que dizem mais
dos sentires do outro
que desaguam em mim
como um largo poço
a dor que é minha
em privada propriedade
descontruo no peito
com o cheiro da liberdade
a dor do outro é menor
quando ainda nos cabe
tenho-as resumidas
num espaço avulso
das frestas da vida
é que dizem mais
dos sentires do outro
que desaguam em mim
como um largo poço
a dor que é minha
em privada propriedade
descontruo no peito
com o cheiro da liberdade
a dor do outro é menor
quando ainda nos cabe
👁️ 93
Comentários (10)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.