Lista de Poemas
Do berço em memória
do berço em diante
trago a diretiva
de respirar o mundo
no sentido da vida
e esse sentir vivente
posto em nosso ombro
faz da prática motor
fábrica de sonho
o berço humano
tem um quê dessa plástica
que faz de cada transeunte
um intenso astronauta
Balada camponesa com parcimônia
assim desapercebidos
repousam todos os roçados
no meio dos seus sentidos
é que a terra
quando assim bolinada
constrói crateras profundas
nas faces de quem a trata
e o camponês irradia
nos campos em que esteja
essa vontade invencível
de dar-se à natureza
e produzir todas as vidas
nas suadas enxadas que maneja
Poeminha em física contração do tempo
freia o tempo
nos elétrons que lança
pelos ventos
e as horas
pastam o espaço
com a parcimônia temporal
dos desacatos
a física acelerada
tenta ouvir os minutos
e quantificar sua estada
como se fosse um espaço
de tudo ou quase nada
Da lua em cheia recorrência
que no avesso do tempo
com a lembrança do dia
a noite cortava o espaço
com seu jeito de guia
e os homens montavam sonhos
e enfeitavam-se da vida
com a certeza recorrente
de suas desmedidas.
Do mar de Olinda em memória
a onda sempre fingia
que era um abraço apertado
nos ombros largos do dia
e a gente boiava na gente
como num sonho pensado
e inventava o presente
com o futuro ao lado
e o que rugia nas ondas
eram bemóis absurdos
o mar de Olinda era um canto
na garganta líquida do mundo
Além da vida humana e suas idas
há que viver a mudança
de todos os outros modos
de parecer substância
e se não mais humanos
deixem o verbo como fala
que os elétrons discursem
as mutações em que caibam
em verdade
o que realmente importa
é viver o gosto de humano
abrindo todas as portas
Amorosas vazões em tempos largos
é só um laço
que a noite dá, vencida,
em nosso abraço
é assim como um futuro
entre um tempo em distrato
e a noturna ilusão do sonho
que se deixou pelo quarto
eu perdido em seu jeito
você perdida em meus braços.
Do amor como profissão inata
é uma presença exata
da construção humana
nos desvãos da prática
flui como um rio
que trafega incauto
por todas as direções
em que se diga farto
e aporta nos viventes
como um desespero
de construir um mar de todos
e ama-los em tardes e cedos
cada homem é um feitor
dos campos do seu enredo
De rumos em simetria coletiva
são estradas internas
que alinhavam destinos
pelas costas da terra
caminham
sob a governança
das certezas avulsas
e das esperanças
bota-las em marcha
é intuir como rumo
aquilo que o peito inventa
como caminho de tudo
e juntá-las ao caminho do povo
é descobrir-se no mundo
Da permanência das ruas e dos sentidos
pende a vida e o riso
e o jeito imenso
dos sentidos
engoles o mundo
quase à vista
em prazos do amor
em que tramitas
e assim transeunte
dos sentidos e das ruas
deixas tuas pegadas
nos verbos que discursas
deixar-se inteiro no tempo
é o exato apelo da luta
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.