Lista de Poemas
Protocolo da rebelião
em bom estado
e por moeda dá-se o punho
revolucionário
compra-se uma vida
em boa marcha
e por moeda dá-se a luta
em urgente prática
compra-se uma paz
por toda a praça
e por moeda dá-se a força
dessa massa
Caminhada em brasileiros dramas
No meio da noite
como um líquido incontido
borbulha a aurora brasileira.
E no mais fundo das ruas
e nas declarações entre dentes
a liberdade veste-se de palavras
e na ação faz-se repente.
Cúmplices da história
caminham esses viventes
no alvoroço grávido da luta
concubinos da esperança.
E não importa que a fome é tanta
pois um breve riso ainda avança
na certeza geral de todos os seus sentidos.
E a boca que não come
sacia o discurso
enchendo a barriga de vida
alimentando o futuro.
No peito da noite
como um líquido incontido
borbulha a aurora brasileira.
Eram tantos
na singularidade de tão poucos
pois enfeixavam nas mãos
como uma certeza bruta
a solidez da história
a certeza da esperança.
E caíram na luta
como nos rios os meninos
nos dias de felicidade:
e alinhavando a história
pelas ruas da cidade
eram todos combatentes
de uma intensa verdade.
dos brasis da vida
de país apenasmente
trai um gesto de pátria
que a geografia lhe consente
e hoje a vida estanca
na nacional monotonia
que faz a manhã ser negra
embora cheia de dia
mas do ventre do país
construído assim a muque
começa um país mais vasto
até enquanto se lute
Tecituras da felicidade em humana gestão
é um mister que se aloja
e que se sonha e que se sabe
nalgum meandro da história
não tem a facilidade
dos misteres mais pacatos
que se alojam nos olhos
ou na curva de algum braço
antes possuem a desfaçatez
dos mistérios simplificados
que, quando não são, são urgentes
e quando existem são temporários
podem boiar no espaço
de algum átomo distraído
e podem conter-se nas léguas
de todo um infinito
e repousa latente
nas marcas do exercício
do coração dessa gente
que se presta a tal ofício
Das Ligas Camponesas em memória
o discurso escorria
como uma cachoeira exata
nas encostas do dia
em chapéus e palhas
assim circunspectos
os camponeses bebiam
o grave manifesto
e, menino, no palanque
inadimplente de tudo
eu assistia a vida
trafegar meus olhos pelo futuro
Poema em urgente lógica
de asfalto e povo
de olhos dentro do chão
e bocas dentro do bolso
joões do vazio
magros apêndices
de grávidas severinas
da paciência
do irrentável ofício
de calar o peito
do calado indício
do direito
do urgente alvitre
de guardar a fome
nas rugas da rua
nas ruas do homem
da chegada hora
de proibir o medo
e esmagar o pranto
pelo vão dos dedos
Canto à Zona da Mata
de verdes cabeleiras
são imensos gritos rurais
são cordilheiras
onde o homem habita
a fome e as incertezas
e se são meninas
na sua doce aparência
servem de chicote
à pela camponesa
o canavial
em toda e cada cana
é a soma do suor
do sangue e da chama
que esse povo nutre
com as léguas de seus braços
e que se hoje é privado
amanhã será mais largo
e antes de canavial
essa vegetação é povo
trançado à força da vida
do verde que se faz o novo
Poema ao guerrilheiro assassinado
agora
transitoriamente horizontal
nesta química inoperância
não trazes mais que o aval
daqueles que te fizeram substância
nesta geométrica mudança
em que de prumo fizeram-te horizonte
apenas humanizou a tua queda
uma pequena lágrima, uma gota de sangue
subtraíram a vida
como uma infinita soma
onde teu corpo engoliu os anos
e teu povo engoliu as sombras
mas mesmo assim
impreterivelmente indefinido
estarás vivo em qualquer praça
do povo que sonhaste livre
Dos vietnãs da gente
borbulha impunemente
um Vietnã escondido
engavetado na gente
e se sobe à garganta
engasgado na palavra
esse Vietnã não mata
mas frequentemente arma
e em cada cidade
num inventário sem fim
vige uma rosa exata
como herança de Ho Chi Min
Da palavra em síndrome diversa
desarvoradas voadoras
que enchem a balsa dos ouvidos
e que se estraçalham
pelas fendas do grito
más navegantes
enroscam-se no juízo
e bocejam na língua
um nó corrediço
e se às vezes fingem
no seu sopro canoro
outras vezes atrasam
o dispêndio das horas
e ainda vigem desatentas
nos atos falhos que explicitam
e murcham no céu da boca
as verdades escondidas
Palavras são pombas
dos verbos todos da vida
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.