Lista de Poemas
de tantos pelos caminhos e outros dizeres
quantos oceanos tragarão meu povo
neste imensa solidão noturna
em que a morte veste-se de alegria
e a vida tange amarguras?
que tempo beberá seus anos
na intransigência de seus corpos magros?
quantos afetos repousarão inertes
na complacência de seus enfados?
quem levará estes homens
tangidos pela consciência
para aplacar a fome
de todas as evidências?
quando chegarão arfantes
suando uma pátria a cada descaminho
na extrema medida do horizonte
que alinhavaram com seus risos?
neste imensa solidão noturna
em que a morte veste-se de alegria
e a vida tange amarguras?
que tempo beberá seus anos
na intransigência de seus corpos magros?
quantos afetos repousarão inertes
na complacência de seus enfados?
quem levará estes homens
tangidos pela consciência
para aplacar a fome
de todas as evidências?
quando chegarão arfantes
suando uma pátria a cada descaminho
na extrema medida do horizonte
que alinhavaram com seus risos?
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Espelho diverso em destravado drama
tardo em mim
quando não cedo
às distâncias difíceis
das vias do medo
e tenho-me distante
quando tão perto
ouso discursar de mim
as distâncias que esqueço
e tenho-me tanto
quando tão pouco
deixo de mim o jeito
para ser o outro
quando não cedo
às distâncias difíceis
das vias do medo
e tenho-me distante
quando tão perto
ouso discursar de mim
as distâncias que esqueço
e tenho-me tanto
quando tão pouco
deixo de mim o jeito
para ser o outro
👁️ 30
Rabiscos em torno da mudança
quero a morte
em seu lugar e medida
pela mesma razão
porque a vida
quero não morrer
assim infinitado
mas apenas partir
numa forma de salto
e não que a vida pese
ou que a morte nutra
mas porque, ainda humano,
eu dependa desta luta
em seu lugar e medida
pela mesma razão
porque a vida
quero não morrer
assim infinitado
mas apenas partir
numa forma de salto
e não que a vida pese
ou que a morte nutra
mas porque, ainda humano,
eu dependa desta luta
👁️ 28
humanas razões das humanas gestas
até enquanto meu coração não possa
bater mais do que é preciso
e que só reste uma nesga da verdade
que se preste, assim, a estar comigo
esteja no seu posto sempre a liberdade
rasgando o vão dos meus sentidos
até enquanto meu coração não possa
viver impunemente coletivo
na harmonia desse intenso abraço
que aos homens deve-se como ofício
nunca eu possa discursar as vias
da solidez humana do que digo
bater mais do que é preciso
e que só reste uma nesga da verdade
que se preste, assim, a estar comigo
esteja no seu posto sempre a liberdade
rasgando o vão dos meus sentidos
até enquanto meu coração não possa
viver impunemente coletivo
na harmonia desse intenso abraço
que aos homens deve-se como ofício
nunca eu possa discursar as vias
da solidez humana do que digo
👁️ 66
Poema de amor flagrante
é preciso afogar a noite
na simplicidade do ato
em que me visto de amor
dentro do teu abraço
é preciso arrastar a madrugada
das entranhas urgentes deste cama
e tecer no infinito um novo abraço
e viver o flagrante desse drama
e beber o dia
eventualmente aparecido
como uma noite cintilante
de todos os sentidos
na simplicidade do ato
em que me visto de amor
dentro do teu abraço
é preciso arrastar a madrugada
das entranhas urgentes deste cama
e tecer no infinito um novo abraço
e viver o flagrante desse drama
e beber o dia
eventualmente aparecido
como uma noite cintilante
de todos os sentidos
👁️ 76
Dúvidas em crescente jornada
lírica e enorme
jaz a pergunta
nas dobras do saber
ou da desculpa
finge-se cristal
indeflorável
virgem racional
e formidável
lira cognoscível
presta-se à conquista
um indagar-se recorrente
de encontro à vida
jaz a pergunta
nas dobras do saber
ou da desculpa
finge-se cristal
indeflorável
virgem racional
e formidável
lira cognoscível
presta-se à conquista
um indagar-se recorrente
de encontro à vida
👁️ 97
Das lágrimas em diversas sendas
minhas lágrimas
são os mares que posso
e naufragá-las pelos dias
é ofício dos olhos
minhas lágrimas,
assim à outrance,
são um riso liquído
nos descaminhos da face
prenhe de dores e de risos
lágrimas são apenas rios
que riem, que choram
e desembocam nos sentidos.
são os mares que posso
e naufragá-las pelos dias
é ofício dos olhos
minhas lágrimas,
assim à outrance,
são um riso liquído
nos descaminhos da face
prenhe de dores e de risos
lágrimas são apenas rios
que riem, que choram
e desembocam nos sentidos.
👁️ 92
Cordel da impaciência
Quelé, Clementino,
onde vais nesta hora?
Vou com João, com Severino,
vou com Penha, vou com Dora
forjar um novo destino
no espinhaço da história
levo a faca
levo a fome
levo a morte
e o talvez
trançados na minha sorte
que, por sorte, rebelei
cansei de ser tão escravo
e, agora, ponho-me lei
nos caminhos desta vida
bati muita continência
hoje levo a paciência
pendida no meu facão
e tanto mais me digam sim
eu repetirei o não
que venha sempre comigo
esse desejo desse chão
onde vais nesta hora?
Vou com João, com Severino,
vou com Penha, vou com Dora
forjar um novo destino
no espinhaço da história
levo a faca
levo a fome
levo a morte
e o talvez
trançados na minha sorte
que, por sorte, rebelei
cansei de ser tão escravo
e, agora, ponho-me lei
nos caminhos desta vida
bati muita continência
hoje levo a paciência
pendida no meu facão
e tanto mais me digam sim
eu repetirei o não
que venha sempre comigo
esse desejo desse chão
👁️ 86
Cantar do Brasil pela América infinda
cantar o brasil
eis o ofício
afogar-me nas palavras
e repetir o indício
da paz por que se luta
em cada palmo do grito
cantar o brasil
eis o emprego
e mais que cantar compor
as curvas do seu enredo
e lavrar a vida com o povo
e lavar o peito do medo
cantar o brasil
na tarefa mais urgente
de abraçar o povo na praça
e vivê-lo assim latente
no rumo claro e preciso
de levar a vida nos dentes
e tange-lo pela américa
com a força dos sentidos
até que a Pátria Grande
prescinda do seu ofício
eis o ofício
afogar-me nas palavras
e repetir o indício
da paz por que se luta
em cada palmo do grito
cantar o brasil
eis o emprego
e mais que cantar compor
as curvas do seu enredo
e lavrar a vida com o povo
e lavar o peito do medo
cantar o brasil
na tarefa mais urgente
de abraçar o povo na praça
e vivê-lo assim latente
no rumo claro e preciso
de levar a vida nos dentes
e tange-lo pela américa
com a força dos sentidos
até que a Pátria Grande
prescinda do seu ofício
👁️ 64
Do pintor em declarada ânsia
o gesto
repete o sonho
em tirar do bolso
o encontro
nas cabeças
restam chapéus
voando, borbulhando
no pincel
do ato
resta a vontade
de pintar a cor
da liberdade
repete o sonho
em tirar do bolso
o encontro
nas cabeças
restam chapéus
voando, borbulhando
no pincel
do ato
resta a vontade
de pintar a cor
da liberdade
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.