Lista de Poemas
Palavras a Fadi Abu Saleh
a pedra
escreve ondas
de quem as ilumina
contra as sombras
e voa, transeunte da paz,
na guerra compulsória
de quem declara a honra
como trajetória
e as pernas da vida
são os passos e a norma
de quem nem as usa
para fazer a história
escreve ondas
de quem as ilumina
contra as sombras
e voa, transeunte da paz,
na guerra compulsória
de quem declara a honra
como trajetória
e as pernas da vida
são os passos e a norma
de quem nem as usa
para fazer a história
👁️ 100
Do amor em GPS
é preciso saber
quando se ama
que o infinito está
por sobre a cama
em mesmo céu
ou mesmo quarto
o amor está sempre
no lugar exato
apenas não se concebe
quando se ama
que amor desconstrua
tudo que é chama
quando se ama
que o infinito está
por sobre a cama
em mesmo céu
ou mesmo quarto
o amor está sempre
no lugar exato
apenas não se concebe
quando se ama
que amor desconstrua
tudo que é chama
👁️ 63
De Pablo e do povo
de Pablo
nota-se urgente
a cor material
da consciência
de Pablo
nota-se o povo
urdido no pincel
cheio do novo
de Pablo
lê-se o corpo
flutuando no quadro
com esforço
do povo
lê-se Pablo
com uma mão na vida
e outra no quadro
do povo
urge Pablo
a preencher lacunas
dentro do quadro
do poema
surgem povo e Pablo
e um poema maior
solto no quadro
do poema
resta a palavra
na testa de Pablo
e do povo em armas
e da morte
restam pó e Pablo
e a assinatura do tempo
viva com o povo no quadro
nota-se urgente
a cor material
da consciência
de Pablo
nota-se o povo
urdido no pincel
cheio do novo
de Pablo
lê-se o corpo
flutuando no quadro
com esforço
do povo
lê-se Pablo
com uma mão na vida
e outra no quadro
do povo
urge Pablo
a preencher lacunas
dentro do quadro
do poema
surgem povo e Pablo
e um poema maior
solto no quadro
do poema
resta a palavra
na testa de Pablo
e do povo em armas
e da morte
restam pó e Pablo
e a assinatura do tempo
viva com o povo no quadro
👁️ 96
Poema automórfico
onde
minha ruga
saiba ser velhice
da luta
onde
minha forma
queira ser humana
e lógica
onde minha voz
diga-se comício
na voz e nos braços
os ossos do ofício
e onde minha morte
ouse-se só indício
da necrose geral
dos meus sentidos
e que morto
urgente e sem peso
eu deixe pela vida
a marca dos meus dedos
minha ruga
saiba ser velhice
da luta
onde
minha forma
queira ser humana
e lógica
onde minha voz
diga-se comício
na voz e nos braços
os ossos do ofício
e onde minha morte
ouse-se só indício
da necrose geral
dos meus sentidos
e que morto
urgente e sem peso
eu deixe pela vida
a marca dos meus dedos
👁️ 32
Das clandestinas salas da luta em transe
no canto da sala
o argumento aflora
e a idéia flutua
os neurônios e as horas
o silêncio
de repente invade
os tramites urgentes
da clandestinidade
e os homens
guardam incertos
as ansiosas gargantas
de seus verbos
o argumento aflora
e a idéia flutua
os neurônios e as horas
o silêncio
de repente invade
os tramites urgentes
da clandestinidade
e os homens
guardam incertos
as ansiosas gargantas
de seus verbos
👁️ 95
Ode ao carimbo
cada carimbo
traz dentro do peito
um funcionário inerte
eficaz e contrafeito
que ao carimbar
as faces do ofício
carimba antes a si
dos carimbos mais gerais
que carimbam seus sentidos
nesse jeito pertinaz
de bólide oficial
o carimbo engole vidas
em decúbito ventral
e comenta sua derrota
no arquivo morto
o homem como papel
e o velho como novo
e estando arquivado
sem classe ou garantia
o homem tange o coração
pelos decretos da vida
traz dentro do peito
um funcionário inerte
eficaz e contrafeito
que ao carimbar
as faces do ofício
carimba antes a si
dos carimbos mais gerais
que carimbam seus sentidos
nesse jeito pertinaz
de bólide oficial
o carimbo engole vidas
em decúbito ventral
e comenta sua derrota
no arquivo morto
o homem como papel
e o velho como novo
e estando arquivado
sem classe ou garantia
o homem tange o coração
pelos decretos da vida
👁️ 110
Do arquivo morto em súbita convalescença
nem tanto os papéis
de que te nutres fatalmente
fluirá das rugas de teus muros
como se fora assim uma nascente
mas, por certo, uma massa informe
grávida de humanos argumentos
cimentados agora nos ofícios
tumulados em teu corpo finalmente
palavras prensadas à força
gordas de magros memorandos
cravada nas faces dos homens
em soluções ainda trafegantes
morrem espremidos na moenda
que cada bureau possui em seu estômago
e que vomita uma morte oficiosa
envelopada em cada memorando
tuas manhãs tardam comprimidas
engolidas nas noites burocráticas
em que a fome passa a ser vida
num simples erro de teus funcionários
de que te nutres fatalmente
fluirá das rugas de teus muros
como se fora assim uma nascente
mas, por certo, uma massa informe
grávida de humanos argumentos
cimentados agora nos ofícios
tumulados em teu corpo finalmente
palavras prensadas à força
gordas de magros memorandos
cravada nas faces dos homens
em soluções ainda trafegantes
morrem espremidos na moenda
que cada bureau possui em seu estômago
e que vomita uma morte oficiosa
envelopada em cada memorando
tuas manhãs tardam comprimidas
engolidas nas noites burocráticas
em que a fome passa a ser vida
num simples erro de teus funcionários
👁️ 83
dos caminhões-pipa em nordestina jornada
a água do caminhão
é um intenso comício
pois traz as palavras da sede
num discurso tão líquido
que agita as massas
grávidas de sua fome
e que se fazem repente
pela ilusão de homens
que tangem a necessidade
pelos caminhos que os consomem
é um intenso comício
pois traz as palavras da sede
num discurso tão líquido
que agita as massas
grávidas de sua fome
e que se fazem repente
pela ilusão de homens
que tangem a necessidade
pelos caminhos que os consomem
👁️ 44
Poema a José Deodato em calmaria andante
José Deodato
era um herói singelo
em tudo que não tinha
deses heróis modernos
que se vendem pela vida
que se constroem lépidos
não fazia da anatomia
seu ângulo mais externo
pela simples razão dos quilos
que arrumava no cérebro
e este vasto peso,
quilos de sorrisos,
caia de sua via
no peito de seus amigos
e se algum dia chorou
algum pranto fugitivo
essa era a forma branda
de acalmar os seus sorrisos.
era um herói singelo
em tudo que não tinha
deses heróis modernos
que se vendem pela vida
que se constroem lépidos
não fazia da anatomia
seu ângulo mais externo
pela simples razão dos quilos
que arrumava no cérebro
e este vasto peso,
quilos de sorrisos,
caia de sua via
no peito de seus amigos
e se algum dia chorou
algum pranto fugitivo
essa era a forma branda
de acalmar os seus sorrisos.
👁️ 98
De Eldorado dos Carajás em bruta rima
agrária
a vida permanece
no leito moribundo
de suas vestes
a terra
assassinada
perde seu jeito
de ser estrada
até que um dia
de repente
o povo desarrume
tudo que enfrente
a vida permanece
no leito moribundo
de suas vestes
a terra
assassinada
perde seu jeito
de ser estrada
até que um dia
de repente
o povo desarrume
tudo que enfrente
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.