Lista de Poemas
João Sebastião Bach, camponês de pautas
Bach
bastava-se nas notas
como um camponês errante
nos roçados da pauta
e tangia bemóis
como um astronauta
que tocasse no cosmos
os sinos da alma
João Sebastião
nem percebia
que a música, eterna,
jorrava pelos dias
e jogava-se nos tempos
como ventania
e ao fundo, transitava as mágoas
como um leirão de todos seus roçados
bastava-se nas notas
como um camponês errante
nos roçados da pauta
e tangia bemóis
como um astronauta
que tocasse no cosmos
os sinos da alma
João Sebastião
nem percebia
que a música, eterna,
jorrava pelos dias
e jogava-se nos tempos
como ventania
e ao fundo, transitava as mágoas
como um leirão de todos seus roçados
👁️ 34
Do morto em indolores torturas
a morte
escapa do porto
no espaço biológico
do morto
no navio
insurgente
o torturador mergulha
os restos de gente
e a vida segue
decadente
até que uma quilha
arrebente
escapa do porto
no espaço biológico
do morto
no navio
insurgente
o torturador mergulha
os restos de gente
e a vida segue
decadente
até que uma quilha
arrebente
👁️ 89
Ravel em bemóis de garças esvoaçantes
Ravel
desafia o destino
nas notas que repete
como um labirinto
e desacata o ritmo
com a sofreguidão intacta
de todos os bemóis
que alinhavam sua pauta
e o bolero
ressoa no horizonte
como uma garça introvertida
que tenta, aos poucos, no seu voo
voar todos os ares da vida
desafia o destino
nas notas que repete
como um labirinto
e desacata o ritmo
com a sofreguidão intacta
de todos os bemóis
que alinhavam sua pauta
e o bolero
ressoa no horizonte
como uma garça introvertida
que tenta, aos poucos, no seu voo
voar todos os ares da vida
👁️ 24
Leituras da vida em regras literárias
e de ler-se a vida
em cada dia como página
traga-se como rasgada
a dos destemperos da alma
siga folheando
com a vontade nas costas
e consumindo-se farto
nos calcanhares das horas
e nesse folhear
resgate-se a esperança
de escrever-se futuro
nos passados que alcance
em cada dia como página
traga-se como rasgada
a dos destemperos da alma
siga folheando
com a vontade nas costas
e consumindo-se farto
nos calcanhares das horas
e nesse folhear
resgate-se a esperança
de escrever-se futuro
nos passados que alcance
👁️ 76
Das internações lacrimosas do tempo
minha lágrima
internou-se
como quem foge
como quem descobre
que a vida
antes do encontro
é apenas a procura
da ausência
é morrer a cada vida
e sentir a vontade
de entrar na partida
e entrando
morrer-se de encontro
sobre a praça
sobre a cama
sobre a arma
sobre a chama
internou-se
como quem foge
como quem descobre
que a vida
antes do encontro
é apenas a procura
da ausência
é morrer a cada vida
e sentir a vontade
de entrar na partida
e entrando
morrer-se de encontro
sobre a praça
sobre a cama
sobre a arma
sobre a chama
👁️ 105
Indagações sobre o mundo
com que palavras
estrangularei a noite de dentro do povo?
o vão grávido
de greves e gritos
a resposta do homem
ao infinito?
com que pão
nutrirei meu poema
no gesto de faca
que sendo verbo
é futuro e palavra?
eu que apenas
chamo-me aurélio
um nome escrito em rugas
e um corpo velho.
estrangularei a noite de dentro do povo?
o vão grávido
de greves e gritos
a resposta do homem
ao infinito?
com que pão
nutrirei meu poema
no gesto de faca
que sendo verbo
é futuro e palavra?
eu que apenas
chamo-me aurélio
um nome escrito em rugas
e um corpo velho.
👁️ 35
Chopin em degraus e enchentes
Chopin criando
no meio dos tons
tece palavras e claves
nos ombros do som
e a música
drapejando nos ventos
desemboca lírica e lúdica
no pensamento
e o ouvido
dorme ternamente
e vira cachoeira
em nossa mente
a música é chicote manso
de tanger a gente.
no meio dos tons
tece palavras e claves
nos ombros do som
e a música
drapejando nos ventos
desemboca lírica e lúdica
no pensamento
e o ouvido
dorme ternamente
e vira cachoeira
em nossa mente
a música é chicote manso
de tanger a gente.
👁️ 46
Do grito em arrazoada messe
eu quero
que o grito
queira ser palavra
no comício
eu quero
que o grito
possa ser palavra
no infinito
e grita-lo sempre
no meio dos sentidos
que o grito
queira ser palavra
no comício
eu quero
que o grito
possa ser palavra
no infinito
e grita-lo sempre
no meio dos sentidos
👁️ 86
Memorando ao trabalho
prezado senhor
ou suor agora
queira tomar meu corpo
como escola
e não me pare
enquanto a vida
correr no meu punho
pelas avenidas
e não me deixe
sobrar do povo
que do suor da luta
constroi o novo
ou suor agora
queira tomar meu corpo
como escola
e não me pare
enquanto a vida
correr no meu punho
pelas avenidas
e não me deixe
sobrar do povo
que do suor da luta
constroi o novo
👁️ 83
Profissão de fé em rasgo intenso
mesmo que o chicote
corte-me toda a face
eu seguirei cantando
pois não sou um, sou vários
habitam em mim meus irmãos
e tudo que lhes cabe
e não será uma simples morte
que cortará esses meus passos
corte-me toda a face
eu seguirei cantando
pois não sou um, sou vários
habitam em mim meus irmãos
e tudo que lhes cabe
e não será uma simples morte
que cortará esses meus passos
👁️ 70
Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.