Lista de Poemas
Passado em desoras
o passado
é só um descuido
dos futuros que se larga
nos ombros do mundo
como tempo
resta-lhe o rompante
de viver dançando
na cabeça dos homens
deixar-se pelas horas
é a lógica de seus planos
é só um descuido
dos futuros que se larga
nos ombros do mundo
como tempo
resta-lhe o rompante
de viver dançando
na cabeça dos homens
deixar-se pelas horas
é a lógica de seus planos
👁️ 63
Primeiro verso à minha pátria
Primeiro verso à minha pátria
I
no peito da rua
a pátria existe
dilacerado vão
da vida em riste
meu verso
apenas trata da pátria
como da sofreguidão
das amantes tardias
minha terra
ainda não tem a compostura
que a pátria que eu sonhei dizia
ela escapa dos dedos
como o trigo mais fugaz
como o suor que acende
o riso dos canaviais
minha pátria é compulsória
com a mesma desfaçatez
das grandes auroras
antes que azul
melhor pensa-la e
dize-la ensolarada
assim em ondas
numa luz que coubesse
em todas as sombras
e que tivesse a semelhança
de um ato incalculado
onde o humano fosse a razão
de nunca se estar calado.
II
minha pátria geral
apesar de tanta
vive-me engasgada
na lembrança
como um sonho inconsumível
e uma vasta esperança
minha pátria
não diz na geografia
os quilos de meus irmãos
que consumia
apenas aflora-lhe à boca
um verbo intransponível
que teima em ser palavra
na sua face de míssil
III
minha pátria difere do povo
não pelos seus jeito e gestos
mas por tudo que em sua ação
teima em ter um gosto inverso
e mesmo nas vezes
em que é joões e marias
esconde nesgas de enfado
em ver-se ssim em teimosia
minha pátria consome
em seu mister mais avaro
o coração desses homens
que lhe sabem amarga
IV
mas no seu íntimo
como um grande escudo
minha pátria resguarda
a prontidão do seu futuro
em que estará liberta
de ser pátria em tudo
e habitará somente os homens
como um universo único
I
no peito da rua
a pátria existe
dilacerado vão
da vida em riste
meu verso
apenas trata da pátria
como da sofreguidão
das amantes tardias
minha terra
ainda não tem a compostura
que a pátria que eu sonhei dizia
ela escapa dos dedos
como o trigo mais fugaz
como o suor que acende
o riso dos canaviais
minha pátria é compulsória
com a mesma desfaçatez
das grandes auroras
antes que azul
melhor pensa-la e
dize-la ensolarada
assim em ondas
numa luz que coubesse
em todas as sombras
e que tivesse a semelhança
de um ato incalculado
onde o humano fosse a razão
de nunca se estar calado.
II
minha pátria geral
apesar de tanta
vive-me engasgada
na lembrança
como um sonho inconsumível
e uma vasta esperança
minha pátria
não diz na geografia
os quilos de meus irmãos
que consumia
apenas aflora-lhe à boca
um verbo intransponível
que teima em ser palavra
na sua face de míssil
III
minha pátria difere do povo
não pelos seus jeito e gestos
mas por tudo que em sua ação
teima em ter um gosto inverso
e mesmo nas vezes
em que é joões e marias
esconde nesgas de enfado
em ver-se ssim em teimosia
minha pátria consome
em seu mister mais avaro
o coração desses homens
que lhe sabem amarga
IV
mas no seu íntimo
como um grande escudo
minha pátria resguarda
a prontidão do seu futuro
em que estará liberta
de ser pátria em tudo
e habitará somente os homens
como um universo único
👁️ 63
Poema em famélica pose
a vontade posta
nas pedras da calçada
é uma fome avessa
desenhada pela cara
o homem aos pedaços
íntimo do lixo
inventa em si
qualquer indício
nada de ainda humano
é o seu ofício
nas pedras da calçada
é uma fome avessa
desenhada pela cara
o homem aos pedaços
íntimo do lixo
inventa em si
qualquer indício
nada de ainda humano
é o seu ofício
👁️ 82
Poema de circunstância tempestiva
o velho chorava
e nem vivia
os séculos líquidos
que a lógica do seu olhar
amanhecia
o jovem ria
e nem sentia
os quilos de razão
que a lógica de sua boca
pressentia
e nem vivia
os séculos líquidos
que a lógica do seu olhar
amanhecia
o jovem ria
e nem sentia
os quilos de razão
que a lógica de sua boca
pressentia
👁️ 51
Índios passeios
como indigena,
dou-me itinerante
dos voos todos da vida
e seus rasantes
e por te-los assim
como transeuntes
deixo-me estar recorrente
em tudo que me nutre
a vida é um voo enorme
nas asas do que pude
dou-me itinerante
dos voos todos da vida
e seus rasantes
e por te-los assim
como transeuntes
deixo-me estar recorrente
em tudo que me nutre
a vida é um voo enorme
nas asas do que pude
👁️ 91
Da espacial revolta dos bólides
a cápsula
como bólide liberto
deixa-se espalhar
como um largo gesto
eivada de cálculos
em seus trajetos
inventa labirintos
como manifestos
e nesse passear,
como um protesto,
lança no espaço
uma foto 3x4 do universo
como bólide liberto
deixa-se espalhar
como um largo gesto
eivada de cálculos
em seus trajetos
inventa labirintos
como manifestos
e nesse passear,
como um protesto,
lança no espaço
uma foto 3x4 do universo
👁️ 49
explosivas razões do contente
num desvão da vida
espremido nos soluços
o futuro vê-se adiado
na pressa dos minutos
e o sorriso anoitece
num canto do juízo
como a querer dormir
nos ombros dos sentidos
ao homem cabe acender
os pavios do seu riso
espremido nos soluços
o futuro vê-se adiado
na pressa dos minutos
e o sorriso anoitece
num canto do juízo
como a querer dormir
nos ombros dos sentidos
ao homem cabe acender
os pavios do seu riso
👁️ 99
Dos voos pássaros em aviônicas lavras
o avião
é um pássaro exato
todos seus ângulos
são cronometrados
o pássaro
é um avião diverso
suas asas é que medem
os palmos do universo
pássaro e avião, em suas revoadas,
espalham o verso em rasantes palavras
é um pássaro exato
todos seus ângulos
são cronometrados
o pássaro
é um avião diverso
suas asas é que medem
os palmos do universo
pássaro e avião, em suas revoadas,
espalham o verso em rasantes palavras
👁️ 140
Das lucrativas misérias sistêmicas
a fome
é só um enredo
que o mercado, em lucro,
quantifica no medo
O ágio, como dilema,
transcende todas as costelas
dos que o produzem
no curso da miséria
parasitas, insistentes,
inscrevem na história
sua aparência de gente
é só um enredo
que o mercado, em lucro,
quantifica no medo
O ágio, como dilema,
transcende todas as costelas
dos que o produzem
no curso da miséria
parasitas, insistentes,
inscrevem na história
sua aparência de gente
👁️ 158
Das mortes que vivo
sempre que morro
teço a vida
eis a consistência
de estar vivo
nos verbos e na carne
assim resumido
tudo se restringe
a esse ambíguo:
a morte é um jeito
de construir sentidos
a dialética de mim
é este armistício
teço a vida
eis a consistência
de estar vivo
nos verbos e na carne
assim resumido
tudo se restringe
a esse ambíguo:
a morte é um jeito
de construir sentidos
a dialética de mim
é este armistício
👁️ 79
Comentários (10)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.