Escritas

Lista de Poemas

Da construção sistêmica da felicidade

a cada palmo do perto
que a vida esteja do riso
deixe-se estar navegante
montado em seus sentidos

é que nas léguas distantes
dos impropérios do tempo
cabe surfar todas as ondas
nas jangadas do pensamento

a felicidade é uma construção
da nossa coletiva consistência
👁️ 62

da nova predição em laica visagem

os reis, já magros,
incensam o ouro
desesperados

os reis, mirrados,
amputam o futuro,
parasitários

e o mundo resolve,
nos céus que consiga,
desembestar a verdade
nos braços de toda vida
👁️ 82

Temporária distração da vida

o tempo tem disfarces
o jeito de senti-lo
é a régua exata
que lhe cabe

avesso a pouco espaço
resta-lhe a eficácia
de permanecer incólume
mesmo assim variado

a física que cuide assim
de mantê-lo inalterado 
👁️ 51

Velha intervenção dos pruridos do tempo

no aparente avesso do espaço
o tempo da-se como lida
dos contratempos do mundo
em todas suas medidas

e ajuizado como valor
de decrescente subida
tem-se como infrator
dos prazeres que ainda habita

o tempo mora no homem
como um hóspede da vida
tudo que lhe lucra
é tê-lo como dívida
👁️ 62

Dialética menção das quantidades em trânsito

num salto informe
explode a quantidade 
e deita-se, assim diversa,
em libertar-se qualidade

dos vincos da matéria
escondida nos números
a generalidade da vida
arquiteta futuros

a dialética é um revoar intenso
das possibilidades em curso
👁️ 42

Intermediação de tempos e fazeres

das manhãs que invado
com a noite nas mãos
sobra um tempo nos olhos
e restos de sonhos pelo chão

das tardes que desfaço,
já nos ombros da noite,
restam desejos assumidos
num constante alvoroço

assim, no meio do que vivo
visto-me das horas e do novo
👁️ 49

Africano mote de memória bruta

as Áfricas que trago
no berço do coração
remontam todos os anos
que trago pelas mãos 

assim trançadas no peito
como uma memória infinita
mede todas as léguas
que a gente guarda na vida 

a África é uma cachoeira 
de todas as medidas
👁️ 50

Infringências oníricas do sonho e seu enredo

das margens do desejo,
em profundas ondas,
o homem navega, adredemente,
tudo que se sonha

o sonho
na jusante do seu desejo
navega o sujeito, farto,
nos recalques do medo

desejo e sonho, abraçados,
constroem as tardes do cedo
👁️ 66

Atabaques em vazão corrente

o lé configura o batuque
no fraseado da gira
e solta pelo espaço
as energias que usina

rumpi engrossa a vertente
dos africanos sentidos
jogando restos de tempo
nos ombros do infinito

e o rum entoa o rompante
das humanas cachoeiras
derramando no vão da vida
as  energias que penteia
👁️ 71

Provecta juventude

menino
desde cedo
dei-me por velho
em certezas

velho
desde tarde
dei-me por jovem
dúvidas que guardo

a certeza é uma dúvida
que a vontade resguarda
enquanto a natureza
desencapa a verdade
👁️ 38

Comentários (10)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !