Lista de Poemas
Do candomblé em rumpis intensos
perambula o coração
em todas as consequências
dos vieses da razão
nos ombros dos passos
nas ondas do pensamento
manhãs anoitecem a vida
nas varandas do tempo
a energia gravita enorme
como um humano catavento
Temporais ataques em gestão perene
impostos com insistência,
há como avançar
os drones da paciência
é que assim deflagrados
nos veios da liberdade
transmudam todos os ritmos
dos dias e dos enfados
e se alojam em agoras
grávidos de futuros compassados
Do amor em valsa induzida e permanente
na valsa, mansamente,
o amor fustiga os sentidos
em ondas recorrentes
nada da noite adormece,
e nos passos, assim jogados,
o tempo ondula os sentimentos
na amplitude exata do abraço
a valsa é só complemento
das notas que criamos pelas faces
Marighella em ondas recorrentes
debruçado na rua
é uma bandeira exata
do sentido da luta
morto,
vive tão profundamente
que nem se apercebe
das vidas que consente
Marighella é um mar
de ondas recorrentes
Reais dizeres de fatos exequentes
a realidade exige
que no varal da consciência
seja posta em cabides
é que o rolar das coisas
no âmbito das crises
envolve todos com tudo
nos limites do possível
a realidade é um contrato
com os objetivos factíveis
da saudade como lapso de tempo
é só um distrato
entre o presente
e o passado
tudo que foi
preenche na mente
as curvas de um agora
vazio e reticente
o desejo de vivê-lo
é um recado recorrente
Da África em resumido propósito
negra
a áfrica pontifica
desde a origem
o universo humano da vida
solta pelas faces
em continentes vestígios
resume o gosto da terra
espalhado nos sentidos
a África é um pedaço vivo
de todos os humanos infinitos
Paisagem III
como um abraço ardente
que aquece o coração
de quem lhe sente
o sol, pela terra,
traindo sua insônia,
acorda nos cactos e tange
os horizontes que sonha
o sertão é só um aviso
da parcimônia das sombras
bandeiras vegetais em ritmo corrente
como uma bandeira
apontando o infinito
o coqueiro dança o vento
num baile contrito
o espernear das folhas
varre sorrindo o horizonte
como se limpasse nos olhos
as incertezas do longe
o coqueiro esconde o dia
e a gente nem sabe aonde
Poema a Orlando, meu pai
tinha nas mãos
todos os verbos
de sua razão
e ao esculpi-los
nos ombros da palavras
construia futuros
e afagava almas
meu pai era uma praça
em que eu me encontrava
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.