Escritas

Lista de Poemas

Dos contrapontos em fatos

a crise
posta em culpas
é só um alvoroço
do fim da luta

o fato
resultante dessas guerras
apenas dá-se como resultado
das contradiçōes que encerra

tudo é um contraponto
que em si mesmo prolifera
de tal o contrário é tanto
em resolver-se pela matéria
👁️ 1

Lunares vivências

a lua,
quântica
derrama saudades
na lembrança

no céu
como bólide manso
flutua nos olhos
como uma dança

o homem, abraçado a si
constrói-se em fundo transe
nas esquinas do tempo
que espaço tange
👁️ 5

Etária constatação em vagas

assim em riste
como cicatriz do tempo
a vida sempre gira
como um catavento
as voltas que dá em si
nas curvas do pensamento
a vontade da razão
espalhada nos atos
inventa os ventos que pode
esparramada nos braços

o tempo é só um distrato
da eternidade do espaço
👁️ 3

Da coletiva razão do povo

a construção da vida
e dessa condição humana
são atos sempre de todos
são fatos de grave chama
nada das gentes
dá-se como exclusivo
tudo é pleno do povo
nas ondas de seus gritos
os que acordem o mundo
os que chamem o infinito
tudo de dize-lo tanto
é tê-lo sempre coletivo
👁️ 6

Faminta exação das horas

rasa,
a manhã suporta
um pouco de carne
ao redor dos ossos
como se fora um grito
grávido de revolta
o homem, apartado de si,
como uma gaivota,
voa sua fome
em todas suas portas

a cidade nem pressente
as ruas que choram
👁️ 1

Sapateiro em militância

o sapateiro
engraxando a vida
dava-se ao tempo
como comunista
e nesse ímpeto
ao ter-se liberto
construía sapatos
e alguns panfletos

Chico do Baita
inventava em tudo
as andaduras fartas
dos calçados do futuro
👁️ 5

Das avenças coletivas do caminho

deixo-me em mim
quando parto
e o destino no outro
é meu compasso
a vida é esse trafegar
na correnteza dos passos

o coração molhado na razão
é só um jeito do recado
em dar-se, assim coletivo,
às recorrências humanas do fato
👁️ 1

Minha terra

O céu da minha terra
tem um jeito diferente
é assim como se o tempo
quisesse brincar com a gente
e derramar pelos olhos
uma certeza urgente
👁️ 10

indígena menção da vergonha

o yanomami, em ossos,
discursa a pele
como uma navalha magra
no punho da terra

carne
na pouquidão de ainda vida
escreve no tempo
uma vergonha infinita

da ação dos homens ruge
a suja condição de parasitas
👁️ 3

Da tristeza em privada posse

esse modo transverso
de fugir da mágoa
trai um simples gesto
em manifesto da alma
como se fora sujeito
urdido em sua fala:

a tristeza enfim
é propriedade avara
dá-se apenas por mim
quando o peito declara
deixa-la nadando em sorrisos
é trejeito de afoga-la
👁️ 13

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !