Lista de Poemas
Siá Luzia em revista
Siá Luzia
quando tricotava
tangia todos sonhos
nas agulhas que usava
seus olhos eram as vias
dessa onírica viagem
trançada na solidão
que invadia suas faces
Siá Luzia era um grito mudo
com todos seus disfarces
quando tricotava
tangia todos sonhos
nas agulhas que usava
seus olhos eram as vias
dessa onírica viagem
trançada na solidão
que invadia suas faces
Siá Luzia era um grito mudo
com todos seus disfarces
👁️ 1
Simbiótico panorama do tempo
o futuro,
debulhado do presente,
tem a marca do passado
que será futuramente
a simbiose
dessa gravidez histórica
é também o curso exato
das açōes e da memória
plantar futuros pela vida
é palmilhar todas as horas
debulhado do presente,
tem a marca do passado
que será futuramente
a simbiose
dessa gravidez histórica
é também o curso exato
das açōes e da memória
plantar futuros pela vida
é palmilhar todas as horas
👁️ 1
Culposa resenha em conceito
o martelo das culpas
esquece a vontade
de comete-las tantas
no vão da liberdade
as que sejam privadas
as que invadam a cidade
te-las em depósito
deitadas no desejo
é como eximir-se
nos desvãos do medo
a culpa é só um jeito tardio
de aprisionar o cedo
esquece a vontade
de comete-las tantas
no vão da liberdade
as que sejam privadas
as que invadam a cidade
te-las em depósito
deitadas no desejo
é como eximir-se
nos desvãos do medo
a culpa é só um jeito tardio
de aprisionar o cedo
👁️ 1
Frevo em trânsito corrente
o frevo
dá-se assim como vício
de escrever pelas pernas
o retrato do infinito
tangendo o povo na rua
nos bemóis que explicita
escreve um tempo de riso
no peito largo da vida
e nessa humana corrente
apressa o jeito de Olinda
dá-se assim como vício
de escrever pelas pernas
o retrato do infinito
tangendo o povo na rua
nos bemóis que explicita
escreve um tempo de riso
no peito largo da vida
e nessa humana corrente
apressa o jeito de Olinda
👁️ 1
Neves do sertão em sol disposto
a neve,
gelando a escuridão,
tangia a noite de Kurkino
em grave imensidão
os olhos
tangidos pelo vento
jogavam a memória
ao encontro do tempo
no meio da Rússia, p(r)ensado,
um sertão rangia o pensamento
gelando a escuridão,
tangia a noite de Kurkino
em grave imensidão
os olhos
tangidos pelo vento
jogavam a memória
ao encontro do tempo
no meio da Rússia, p(r)ensado,
um sertão rangia o pensamento
👁️ 2
Cicatriz em vias pensantes
a cicatriz,
pousada no tempo,
dói como um fato
no vão do pensamento
cava a consciência
como uma pá indormida
traçando as dores
na argamassa da vida
a cicatriz é só um gesto
da dor querendo despedida
pousada no tempo,
dói como um fato
no vão do pensamento
cava a consciência
como uma pá indormida
traçando as dores
na argamassa da vida
a cicatriz é só um gesto
da dor querendo despedida
👁️ 2
Humana logística
eis a logística:
dar-se ao tempo
e trazer-se espaço
nos ombros da vida
nada que seja breve
deixe de dar-se longo
e flutue no pensamento
como um bumerangue
a idéia tange os atos
pelas esquinas do sangue
como um derramar-se exato
de quem sempre se tange
dar-se ao tempo
e trazer-se espaço
nos ombros da vida
nada que seja breve
deixe de dar-se longo
e flutue no pensamento
como um bumerangue
a idéia tange os atos
pelas esquinas do sangue
como um derramar-se exato
de quem sempre se tange
👁️ 1
Das vias mundanas da pátria
as veias da pátria
são vias avessas
o rumo que as leva
ressoam no peito
como uma fala privada
num coletivo estreito
as veias do mundo
são vias do futuro
na pátria geral dos povos
no discurso de tudo
são vias avessas
o rumo que as leva
ressoam no peito
como uma fala privada
num coletivo estreito
as veias do mundo
são vias do futuro
na pátria geral dos povos
no discurso de tudo
👁️ 3
Fluviais andanças de mim
saio de mim
viajante sorrateiro
nas andanças alheias
em que passeio
corrente,
deixo-me rio,
nas cachoeiras que monto
com meu riso
desembocar num vasto estuário
é só um detalhe desse rito
viajante sorrateiro
nas andanças alheias
em que passeio
corrente,
deixo-me rio,
nas cachoeiras que monto
com meu riso
desembocar num vasto estuário
é só um detalhe desse rito
👁️ 3
Do frevo em passeata
o frevo assim pelas ruas
é um compasso diferente
quando derrama seus bemóis
atiça a alma da gente,
espalha, assim, pelos passos
pedaços de quem lhe sente
o frevo é só um recado
do que a alma consente
é um compasso diferente
quando derrama seus bemóis
atiça a alma da gente,
espalha, assim, pelos passos
pedaços de quem lhe sente
o frevo é só um recado
do que a alma consente
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.