Lista de Poemas
Gestual lembrança
é um jogo do tempo
em deixar-se tanto
quando menos
dói no espaço
como uma pedra quântica
deixada ao léu
nas curvas da esperança
a saudade é só um gesto
que o pensamento dança
Lagrimas em largo gesto
quando chorava,
chovia no mundo
pedaços da alma
rasgando a face,
em vergonha intensa,
as lágrimas eram vasto grito
nos ombros das consciências
a menina era um engenho
faminto de todas as moendas
Da morte em trânsito
foram vividas
com a exata compleição
das despedidas
as que foram impostas
e as consentidas
o inventário de todas
nos desvãos da vida
são antíteses passadas
em todas as medidas
o tempo que as conteve
é uma estrada esquecida
imagens
é só um retrato
do que a mente vê
em seus recatos
esconde-se da vida
como um eremita
das imagens que inventa
nos olhos que habita
o espelho é uma vontade
posta nos reflexos da vida
Solitária construção da vida
é uma lei avara
tudo que não lhe sente
é a palavra
posta assim como verbo
nos gestos que declara
dá-se farta a indícios
das engenharias solitárias
dizer-se em gesto no outro
em todas as suas falas
é construir as pontes de si
pelos andaimes da alma
Pacífica resenha
como feitura,
é só um abraço
do fim da luta
escondida na guerra
em estratégica trama
percorre todas as táticas
como um verbo em chamas
a paz é só uma gravidez
daquilo que a gente sonha
Caminhante cavalgada
dou-me ao rebanho,
coletivo transeunte
do curral dos sonhos
força-me ao rumo
a grande caminhada
que o mundo tece no tempo
nos futuros que cavalga
o que me faz assim caminhante
são os galopes da alma
Militante vaga em certidão
que no cartório do tempo
certifique-se a razão
de ter assim compassados
os passos em sua ação
como um papel passado
em exata certidão
e entorne as horas no peito
na luta em prontidão
para inventar a história
nas curvas do coração
abrace sorrindo o povo
com a certeza nas mãos
Lia de Itamaracá ciranda o tempo
em seu alvoroço
espalha todas as Áfricas
nos passos do povo
preta, em sua luz,
nos gestos esconde
todos os faróis
que vigem nos homens
a ciranda inventa a paz
nos bemóis que instala
e enche o canto de todos
com os passos da alma
Parto em visão nascente
na materna guarita
o tempo pinça a vontade
de abraçar-se à vida
o ser, ainda encoberto,
deixa-se em transe
a ouvir os gritos imensos
de quem lhe tange
exausto,
engole a vida com espanto
e procura instalar-se pela história
no discurso do seu pranto
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.