Escritas

Lista de Poemas

Gestual lembrança

a saudade
é um jogo do tempo
em deixar-se tanto
quando menos

dói no espaço
como uma pedra quântica
deixada ao léu
nas curvas da esperança

a saudade é só um gesto
que o pensamento dança
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Lagrimas em largo gesto

a menina, na fome,
quando chorava,
chovia no mundo
pedaços da alma

rasgando a face,
em vergonha intensa,
as lágrimas eram vasto grito
nos ombros das consciências

a menina era um engenho
faminto de todas as moendas
👁️ 2

Da morte em trânsito

as mortes que morri
foram vividas
com a exata compleição
das despedidas
as que foram impostas
e as consentidas
o inventário de todas
nos desvãos da vida
são antíteses passadas
em todas as medidas

o tempo que as conteve
é uma estrada esquecida
👁️ 1

imagens

o espelho
é só um retrato
do que a mente vê
em seus recatos

esconde-se da vida
como um eremita
das imagens que inventa
nos olhos que habita

o espelho é uma vontade
posta nos reflexos da vida
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Solitária construção da vida

a solidão
é uma lei avara
tudo que não lhe sente
é a palavra

posta assim como verbo
nos gestos que declara
dá-se farta a indícios
das engenharias solitárias

dizer-se em gesto no outro
em todas as suas falas
é construir as pontes de si
pelos andaimes da alma
👁️ 2

Pacífica resenha

a paz,
como feitura,
é só um abraço
do fim da luta

escondida na guerra
em estratégica trama
percorre todas as táticas
como um verbo em chamas

a paz é só uma gravidez
daquilo que a gente sonha
👁️ 1

Caminhante cavalgada

vaqueiro de mim,
dou-me ao rebanho,
coletivo transeunte
do curral dos sonhos

força-me ao rumo
a grande caminhada
que o mundo tece no tempo
nos futuros que cavalga

o que me faz assim caminhante
são os galopes da alma
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Militante vaga em certidão

que no cartório do tempo
certifique-se a razão
de ter assim compassados
os passos em sua ação
como um papel passado
em exata certidão
e entorne as horas no peito
na luta em prontidão
para inventar a história
nas curvas do coração
abrace sorrindo o povo
com a certeza nas mãos

👁️ 7

Lia de Itamaracá ciranda o tempo

Lia de Itamaracá
em seu alvoroço
espalha todas as Áfricas
nos passos do povo

preta, em sua luz,
nos gestos esconde
todos os faróis
que vigem nos homens

a ciranda inventa a paz
nos bemóis que instala
e enche o canto de todos
com os passos da alma
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Parto em visão nascente

às portas do mundo
na materna guarita
o tempo pinça a vontade
de abraçar-se à vida

o ser, ainda encoberto,
deixa-se em transe
a ouvir os gritos imensos
de quem lhe tange

exausto,
engole a vida com espanto
e procura instalar-se pela história
no discurso do seu pranto
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !