Escritas

Lista de Poemas

Onírica rapsódia

o futuro,
quando posto na vida
como tempo decidido,
em que não haja mais sonhos
com homens em seus vincos
mas astronaves perfurando
o infinito em seus instintos
haverá saudades - quem sabe?
de um sonho mais corriqueiro
que use apenas a liberdade
de dormir todos os desejos
nos ombros da vontade
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Vívida vazão da existência

a vida, às vezes,
é bólide
voa no tempo
às vezes, dorme
ventre de si
em parto e forma
de tanger-se outra
em suas normas
a vida é sempre
astronave e escola
nos quadros negros
e nas asas das horas
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Frevo em larga simetria

o frevo, assim espalhado,
é um passo recorrente
tudo que os pés escrevem
nas ruas do que se sente
desembrulha o coração
como um pacote urgente
que inventa todos os risos
pelos bemóis insurgentes
é assim como um infinito
que coubesse na gente
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rurais avisos das palavras

a traça ataca
o cerne da palavra
o poema lavra
o roçado do nada
gesto de verbo
como enxada
o poeta
camponês de si,
semeia a palavra
e sobe os leirōes
em que se basta

o poema em urbana coerência
deixa-se plantio em rural gramática
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Gaia em peleja desatada

Gaia, devastada,
dói em si
pelas estradas
treme, exausta,
nos rumores que solta
em suas falas:
os gritos dos ventos;
os arrepios das matas
Gaia constrói as manhãs
como um tempo exato
que entorna o futuro e os homens
no vão de seus braços
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Do menino em caçuá viajante

sentado no caçuá
o menino sonhava
atravessar a manhã
no balanço de suas asas

os olhos na estrada,
pássaros avulsos,
entornavam o sonho
nos braços do futuro

o animal em passo flutuante
era uma ave em largo curso
o menino, inventando o tempo,
voava a estrada nos seus pulos
👁️ 1

Manuscritas emoções

na caneta
o poema escorrega na tinta
como se fora um quadro
em que a palavra pinta

o neurônio esvoaçante
em sinapse aguda
constrói com as mãos
a urgente escritura

os sentimentos do verbo
em desenfreado galope
passeiam no homem
como um transeunte enorme
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Carnaval em pugna judicante

o carnaval
habita o juízo,
vara mental e judicial
de todos os desígnios
o habeas corpus
é rápido e preventivo
gestor da farta liberdade
da fruição dos sentidos
ao homem cabe viver
em calendário restrito
as absolviçōes terrenas
do peso dos conflitos
eis que em largas datas
não se alcança armistícios
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Paisagem

a cachoeira,
debruçada no tempo,
tangia, gritando, o rio
nas correrias do vento

a vida,
escorrendo pelos olhos,
pintava de alegria
a alma farta do povo

a cachoeira rugia na mata
um jeito manso de alvoroço
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Temporais submissōes

o tempo gasta as horas
como um rio em cachoeira
o homem precisa nada-lo
com uma certa certeza
para poder arquiva-las
nas saudades que queira

o tempo é só um espaço
de guardar lutas construídas
as que se façam sozinho
as que se tenha como coletivo
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino
2026-01-17

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques
2025-12-04

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto
2025-02-27

Abração !