Lista de Poemas
Matrioska dos 70's
Dentro da anciã chora uma órfã,
incumbiu paternidade a deus
para não morrer sozinha,
mas antes dele já havia
uma cosmogonia de mulheres fortes.
A mãe da anciã nasceu de uma jovem,
se emaranhou nesse puerpério perpétuo
e virou estatística na mão dos patriarcas;
a jovem no ventre da mãe
será avó de si mesma um dia,
sem mais imposições
ou copulações impositivas.
O filho é um, as avós são várias.
incumbiu paternidade a deus
para não morrer sozinha,
mas antes dele já havia
uma cosmogonia de mulheres fortes.
A mãe da anciã nasceu de uma jovem,
se emaranhou nesse puerpério perpétuo
e virou estatística na mão dos patriarcas;
a jovem no ventre da mãe
será avó de si mesma um dia,
sem mais imposições
ou copulações impositivas.
O filho é um, as avós são várias.
👁️ 216
Ossos e respiração - ensaio sobre morrer
O abraço frio da terra há de lhe esfolar a carne,
arrancar teus nervos com a fome dos vermes
e amarelar eles, teus ossos.
Você estará maior do que jamais foi,
uno com a telúrica da Terra.
A morte é vista com olhos desesperados,
inda que em vida, não lembrem-na.
Quando se morre, torna-se aquele que era antes do nascer;
a vida não é uma assassina, sê o espelho circunstancial
dos nossos processos (al)químicos.
Estou em paz com a verdade que, onde quer que eu esteja,
hei de cair morto em solo de minha terra para adubá-lo.
Em vida ainda, estarão minhas partículas,
na boca roída dos ratos, no corpo esguio dos lacaios,
para sempre nos brônquios, de respiração em respiração.
arrancar teus nervos com a fome dos vermes
e amarelar eles, teus ossos.
Você estará maior do que jamais foi,
uno com a telúrica da Terra.
A morte é vista com olhos desesperados,
inda que em vida, não lembrem-na.
Quando se morre, torna-se aquele que era antes do nascer;
a vida não é uma assassina, sê o espelho circunstancial
dos nossos processos (al)químicos.
Estou em paz com a verdade que, onde quer que eu esteja,
hei de cair morto em solo de minha terra para adubá-lo.
Em vida ainda, estarão minhas partículas,
na boca roída dos ratos, no corpo esguio dos lacaios,
para sempre nos brônquios, de respiração em respiração.
👁️ 215
Tetraedro de fogo
Estenderam sobre o fogo
as mão doloridas de calor,
roupagens de ossos fortes
ligadas ao cérebro disjuntor.
Graus exatos de caótico fulgor,
reorganizaram-se os átomos,
os pixels sagrados do ardor
que em combustão ígnea,
por convecção, as arrebatou.
Irradiou por todos os ventos
as cinzas do vil sonhador,
que por condução atômica,
solveu e não coagulou.
Seja lá quem fossem as mãos,
estavam vivas noutras poesias
que o próprio dono criou.
as mão doloridas de calor,
roupagens de ossos fortes
ligadas ao cérebro disjuntor.
Graus exatos de caótico fulgor,
reorganizaram-se os átomos,
os pixels sagrados do ardor
que em combustão ígnea,
por convecção, as arrebatou.
Irradiou por todos os ventos
as cinzas do vil sonhador,
que por condução atômica,
solveu e não coagulou.
Seja lá quem fossem as mãos,
estavam vivas noutras poesias
que o próprio dono criou.
👁️ 205
Sirenas da areia
Me divirto nos movimentos
dos grãos na ampulheta,
deixo a gravidade me juntar
com outros grãos de areia.
No vem e no vai, o tempo não esvai
e o que se perde encontra o que apraz;
sou um grão vivo de terra,
uma pedra da pedreira,
sou o sopro nas ondas,
sou um teco de areia.
dos grãos na ampulheta,
deixo a gravidade me juntar
com outros grãos de areia.
No vem e no vai, o tempo não esvai
e o que se perde encontra o que apraz;
sou um grão vivo de terra,
uma pedra da pedreira,
sou o sopro nas ondas,
sou um teco de areia.
👁️ 204
Cosmogonia
Mãe, parteira e filho,
quem me deu a luz
me pariu a gritos,
Tupã arramiou do céu,
mais um filho vivo.
Raios rebolando ao chão,
eu choro pra me alimentar,
me abraça forte, mamãe,
que eu vou chorar;
dá colo, vovó, pra eu
dormir e sonhar.
Me lava na água e sal,
me enxuga na luz solar,
quando eu crescer,
mamãe, eu vou cantar.
Sou feito do rio, de lama,
de sol e de ar.
quem me deu a luz
me pariu a gritos,
Tupã arramiou do céu,
mais um filho vivo.
Raios rebolando ao chão,
eu choro pra me alimentar,
me abraça forte, mamãe,
que eu vou chorar;
dá colo, vovó, pra eu
dormir e sonhar.
Me lava na água e sal,
me enxuga na luz solar,
quando eu crescer,
mamãe, eu vou cantar.
Sou feito do rio, de lama,
de sol e de ar.
👁️ 245
O versalhes cósmico
O azul fosco bordeando o sol
não pôde conter o frio arrepio
na espinha desse agonizante atraso,
redigindo ao vazio eterno
o cósmico tratado de versalhes.
Deixamos de replantar
a crina verde nas terras relvas,
para embelezar marte
com pomares.
não pôde conter o frio arrepio
na espinha desse agonizante atraso,
redigindo ao vazio eterno
o cósmico tratado de versalhes.
Deixamos de replantar
a crina verde nas terras relvas,
para embelezar marte
com pomares.
👁️ 217
Vislumbres do toque - imagens proféticas
Aconcheguei minhas mãos nos teus mil rostos,
fui longe demais para enxergar teu eu
e ao final, lhe atravessei,
temente à expulsão das tuas terras.
Nunca esquecerei do que vi:
toda aquela carapaça jovem
guardava meus temores -
seu vazio quase me levou
sem me ceder sequer um epitáfio.
Eu enxerguei mais do que te vi,
você não quis ficar para me ver também,
vai se lembrar de mim como um mofo velho
em seu apartamento semi-novo.
Mexi na artéria errada,
esse é o karma do meu todo.
Me resta sangrar o inframundo pelos poros,
com a difícil lembrança de que toquei
o ladro de dentro dos teus muros -
e não tinha ninguém.
fui longe demais para enxergar teu eu
e ao final, lhe atravessei,
temente à expulsão das tuas terras.
Nunca esquecerei do que vi:
toda aquela carapaça jovem
guardava meus temores -
seu vazio quase me levou
sem me ceder sequer um epitáfio.
Eu enxerguei mais do que te vi,
você não quis ficar para me ver também,
vai se lembrar de mim como um mofo velho
em seu apartamento semi-novo.
Mexi na artéria errada,
esse é o karma do meu todo.
Me resta sangrar o inframundo pelos poros,
com a difícil lembrança de que toquei
o ladro de dentro dos teus muros -
e não tinha ninguém.
👁️ 203
Totem
Dentro dos meus ossos esponjosos
reside uma selva eterna,
que se conecta comigo
através de cada fluido corporal.
Parar para meditar é prestar atenção
na sorrateira conversa entre os órgãos,
suas fofocas milenares,
seus sussurros dissonantes.
Quando confiei meus pés na terra,
estatelei todos os sentidos para dentro,
ouvi uma serpente se enrolar
pela minha espinha dorsal,
misteriosamente natural.
reside uma selva eterna,
que se conecta comigo
através de cada fluido corporal.
Parar para meditar é prestar atenção
na sorrateira conversa entre os órgãos,
suas fofocas milenares,
seus sussurros dissonantes.
Quando confiei meus pés na terra,
estatelei todos os sentidos para dentro,
ouvi uma serpente se enrolar
pela minha espinha dorsal,
misteriosamente natural.
👁️ 223
Reflexões sobre o pessimismo das vontades - sob a óptica de schopenhauer
A inteligência se subordina à vontade, pois parte dela é a elevação do que há de primitivo em nós; pode-se fazer um paralelo conveniente sobre isso utilizando as noções de pontos energéticos como os sete chakras principais de todos os seres, destacando para essa analogia o chakra básicos - como a vontade primordial - e o chakra umbilical - como a expressão crua do que há na base; como forma de inteligência, os chakras do plexo solar, cardíaco e laríngeo são ótimas correlações, levando em conta que esses pontos refinam as vontades, expressam e viabilizam as realizações dentro dos padrões morais de sociedade em sociedade. O ser racional espelha em suas ações, aquilo que, ciclóide, abraça as vontades internas.
Schopenhauer leva a alcunha de psicólogo das vontades, por essa causa o vêem por um espectro pessimsita: as vontades brutais serão suprimidas por outras vontades, contextos históricos e racionalizações - não estamos vivendo sozinhos no mundo, ainda que haja solidão no ato de resistir. Quando, por ventura, encontra-se um caminho passível de unir vontades parentes (afins) sob um mesmo teto de vida, existir torna-se um ato mágico, orgástico, prazeroso, transcendente; arma-se um comparativo da "coisa-de-si exposta em praça pública", tal ainda como um fenômeno variante aos olhos da platéia, porém, a essência expressa para quem a vive.
Nossos melhores dias são aqueles pareados ao âmago, quando tudo o que há fora é o que há dentro - a nossa inteligência, em prol da nossa vontade. Ignorantes também podem desejar.
👁️ 207
Traquéia queimada - e sem rima
Minha mente fulminou a noite toda em tua imagem;
quando te caroei, abri a boca e fumacei,
pois contigo eu entrava em combustão espontânea,
me grelhavas da traquéia até as dermes.
O odor de peito queimado te sufocou à morte
e fui eu, teu assassino, quem depois de tua mãezinha,
mais lhe amou.
Estive amigo, homicida e por fim, teu coveiro;
a morte é idosa, arrasta a sete palmos
aquilo cujo molde não cabe o peso da Terra.
Descansa a tua paz quando a vida não aguentar mais
e te esperarei noutra.
quando te caroei, abri a boca e fumacei,
pois contigo eu entrava em combustão espontânea,
me grelhavas da traquéia até as dermes.
O odor de peito queimado te sufocou à morte
e fui eu, teu assassino, quem depois de tua mãezinha,
mais lhe amou.
Estive amigo, homicida e por fim, teu coveiro;
a morte é idosa, arrasta a sete palmos
aquilo cujo molde não cabe o peso da Terra.
Descansa a tua paz quando a vida não aguentar mais
e te esperarei noutra.
👁️ 225
Comentários (1)
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thaisftnl
2020-05-25
Belíssimas poesias, parabéns pelas obras!
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