Lista de Poemas
Dos Anjos
E sempre que, com uma pá,
eu desenterrar os ossos
da minha sombra
e revirar a tumba
do vivo passado,
vou tropeçar e cair
no defunto putrefato
de Augusto dos Anjos.
Queria que os anjos
dissessem para Augusto
que a existência é vasta,
que a mente é a semi-deusa
e que o tempo não é linear.
eu desenterrar os ossos
da minha sombra
e revirar a tumba
do vivo passado,
vou tropeçar e cair
no defunto putrefato
de Augusto dos Anjos.
Queria que os anjos
dissessem para Augusto
que a existência é vasta,
que a mente é a semi-deusa
e que o tempo não é linear.
👁️ 247
Catarse
Pandora deu-me o caos para a catarse que matou de Sige, o seu silêncio,
engavetando cadáveres na infinidade da caixa preta dos desenganos,
foi numa dessas gavetas, que esqueci
a sensibilidade ultraromântica de dois semânticos: o Eu falou Te para o Amo
e toda a divina comédia gargalhou,
a água inundou melhor nos sonhos.
Me doeu como dói um parto, deixar em teus braços, a luz do sentimento frágil
que é aprender a desaprender
da maneira que aprendi a te amar.
Lhe tornei para mim, o carcereiro dos meus monstros, mas para ti,
fui o abominável cerberus que na cela do próprio inferno, quis lhe aprisionar.
Prefiro-te livre como o pássaro cósmico, que tem o espaço-tempo para voar.
👁️ 462
Paradoxo do legado
Vivência regrada à funérea existência,
onde minha nascença inda não assolou a terra.
Célere data cujo rasga-se a linha,
o fio vermelho corta e retorno
antes mesmo da minha ida.
Perecendo ao putrefato,
perpetuei como oxigênio constantemente aspirado.
Bagagem dessa mentira absurda,
vivo sem sobreviver, planando no relevo
do ciclo infindo, afirmando com afinco
que nunca irei morrer,
pois minha eternidade
será o meu legado.
onde minha nascença inda não assolou a terra.
Célere data cujo rasga-se a linha,
o fio vermelho corta e retorno
antes mesmo da minha ida.
Perecendo ao putrefato,
perpetuei como oxigênio constantemente aspirado.
Bagagem dessa mentira absurda,
vivo sem sobreviver, planando no relevo
do ciclo infindo, afirmando com afinco
que nunca irei morrer,
pois minha eternidade
será o meu legado.
👁️ 173
Patafisismo anímico
Você ronda os fins de tempo,
parasita desse balé tântrico,
porta falsa é animismo físico,
peça velha de xadrez quântico.
Chave mestra abre brechas
nesse vendaval xamânico,
incidência, coincidência ou
despertamento indômito?
Od cresce, ferve e aquece
o corpo humano destenaz.
Reivindico tuas guerras
entre deus e satanás.
O silêncio fala mais
que a explicação.
parasita desse balé tântrico,
porta falsa é animismo físico,
peça velha de xadrez quântico.
Chave mestra abre brechas
nesse vendaval xamânico,
incidência, coincidência ou
despertamento indômito?
Od cresce, ferve e aquece
o corpo humano destenaz.
Reivindico tuas guerras
entre deus e satanás.
O silêncio fala mais
que a explicação.
👁️ 177
Negação
Eu, que tranquei minhas portas
para lhe ouvir entrar pelas janelas,
sonho o amor ladino: santo como a cruz
e mortal como os pregos do perigo.
Rastejo em tijolos frios, caçando ar para inalar,
trêmulo de frio, sem garganta para gritar,
não ouço o rio que hei de afundar.
mas eu, pelo bem do coração, nego meus sentidos.
para lhe ouvir entrar pelas janelas,
sonho o amor ladino: santo como a cruz
e mortal como os pregos do perigo.
Rastejo em tijolos frios, caçando ar para inalar,
trêmulo de frio, sem garganta para gritar,
não ouço o rio que hei de afundar.
mas eu, pelo bem do coração, nego meus sentidos.
👁️ 261
Ausência
Me deitei cedo e
jurei que dormiria,
estou ao relento,
debaixo de um teto,
abaixo do trovão,
metade do edredom
eu deixei para você
na sua ausência.
jurei que dormiria,
estou ao relento,
debaixo de um teto,
abaixo do trovão,
metade do edredom
eu deixei para você
na sua ausência.
👁️ 334
Funeral ao contrário
Abri um portão para o inferno em meu antebraço,
esborrou da artéria a vida, florescendo a flora morta da flor de lis,
velório mais perfumado que já vivi.
Quem viu não entendeu, quem entendeu sorriu para a candura,
aquela que deu asa para a força que tanto rezou a alquimia.
Foi na roda da mesma ladainha do enterro, que me exumaram,
intacto como um filho parido da Terra.
Tribal, cigana, nativa americana, aceito às cegas as vidas passadas,
em nome do amor que não deixou o corpo fenecer,
da lembrança que o desamor me fez fazer, nunca mais me enterrarão.
esborrou da artéria a vida, florescendo a flora morta da flor de lis,
velório mais perfumado que já vivi.
Quem viu não entendeu, quem entendeu sorriu para a candura,
aquela que deu asa para a força que tanto rezou a alquimia.
Foi na roda da mesma ladainha do enterro, que me exumaram,
intacto como um filho parido da Terra.
Tribal, cigana, nativa americana, aceito às cegas as vidas passadas,
em nome do amor que não deixou o corpo fenecer,
da lembrança que o desamor me fez fazer, nunca mais me enterrarão.
👁️ 433
Gato preto
Ronronar do peito,
sexta-feira é o nome
do precioso gato preto.
Jaz em 13 de setembro,
apunhalado pelo vento,
sem aspirar o ar direito,
narinas cheias de pelo,
na orla da minha cama,
me assistindo fenecendo
frio por fora e por dentro,
o dia se acabando
e eu morrendo.
sexta-feira é o nome
do precioso gato preto.
Jaz em 13 de setembro,
apunhalado pelo vento,
sem aspirar o ar direito,
narinas cheias de pelo,
na orla da minha cama,
me assistindo fenecendo
frio por fora e por dentro,
o dia se acabando
e eu morrendo.
👁️ 448
Casa de areia
Freud nos chamou pela casa que somos,
minhas paredes deixam cair os rebocos,
mais uma vez a casa da areia
perde para a casa de tijolos, a briga é contra o vizinho ou contra o vento?
Este corpo mal me guarda,
tão imenso que esfrangalho,
tanta treva que a arcada amarela brilha
na boca aberta de espanto,
desespero de estar novamente, desmoronando.
Seria a luz do inconsciente, aquele sorriso que ri constrangido?
Conscientemente padecendo,
pois os vizinhos a nada se obrigam
e como nenhuma outra novidade, cai prematuro,
novamente solitário, mais uma vez sozinho.
minhas paredes deixam cair os rebocos,
mais uma vez a casa da areia
perde para a casa de tijolos, a briga é contra o vizinho ou contra o vento?
Este corpo mal me guarda,
tão imenso que esfrangalho,
tanta treva que a arcada amarela brilha
na boca aberta de espanto,
desespero de estar novamente, desmoronando.
Seria a luz do inconsciente, aquele sorriso que ri constrangido?
Conscientemente padecendo,
pois os vizinhos a nada se obrigam
e como nenhuma outra novidade, cai prematuro,
novamente solitário, mais uma vez sozinho.
👁️ 452
Samsara
Respirou como quem grita
puxando a vida para dentro,
estufando o peito para cima,
eletrizando os seus sentidos.
Estava vivo.
Antepôs balas ao peito,
recolocando-as no lugar
para o sangue não vazar.
Gemendo a dor da vida,
das balas criou um lar
e chamou de Samsara.
Expirou como um bocejo,
soprando a vida para fora,
afundou pra baixo, o peito,
afongando o seu sentido.
Ele morreu.
Respirou como quem grita
e expirou como um bocejo,
vida a fora e vida a dentro,
estufa e afunda o peito,
morrendo ainda vivo,
dança a Samsara e
lindo é o movimento,
vida fora e vida dentro,
expira como um bocejo
e respira como um grito.
puxando a vida para dentro,
estufando o peito para cima,
eletrizando os seus sentidos.
Estava vivo.
Antepôs balas ao peito,
recolocando-as no lugar
para o sangue não vazar.
Gemendo a dor da vida,
das balas criou um lar
e chamou de Samsara.
Expirou como um bocejo,
soprando a vida para fora,
afundou pra baixo, o peito,
afongando o seu sentido.
Ele morreu.
Respirou como quem grita
e expirou como um bocejo,
vida a fora e vida a dentro,
estufa e afunda o peito,
morrendo ainda vivo,
dança a Samsara e
lindo é o movimento,
vida fora e vida dentro,
expira como um bocejo
e respira como um grito.
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Comentários (1)
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thaisftnl
2020-05-25
Belíssimas poesias, parabéns pelas obras!
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