Lista de Poemas

Diga adeus que fico

Encontre-me agora no
juízo dos seus fardos.
Nos intravivenciamos,
o pecado amou o anjo,
teu céu loiro e violento
me esconde da tua paz.
Desvesti meu plenilúnio
pra achar que não me viu
e abracei-me ao despedir.
Caso me peça pra ficar,
eu irei lhe ouvir.
Diga a deus,
que fico.
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Desabafo do escritor fadado à mudança

Todos os dias, uma rotina invisível permeia minha cabeça e me faz mudar, em toda essa inconstância. Quando saio, é como se eu me deixasse em casa e alguém parecido comigo fizesse a festa lá fora.
Uma pele amortecida na queda dos sentimentos, os mesmos que desabam todas as noites quando chego em casa e me reencontro da mesma forma que saí, diferente. O caminho pra casa é solitário, preciso fazer isso sozinhe, até porque, eu conheço bem o meu caminho.
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Obituário de Jonathan Briley

A liberdade é uma coisa difícil de comprar, requer um preço alto que não é pago com poeira, palavras ou promessas vazias, a liberdade é comprada com o Eu dos ossos, da carne, do espírito e uma vez que você entendeu, você aprende a gostar, nós temos que nos libertar, ou morrer tentando.
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Caduceus

Corpo amálgamo em aliteração,
do ultraemotivo e a precognição,
o alcaeste é solvente universal,
salve meu decantado coração.
Chordata arterial e caduceus.

Fundidos no crisol,
da teurgia à dissolução,
do vinho, transforma amor,
transvia mônada em grãos.
Estou vivo e sou, respiro e vou,
para além desse Aeon.
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Ladainha

Existe uma ablação
dilacerada em meu peito,
presto-me a me rasgar
para que me entenda,
pois não há verbo
que me explique.
Pelo sangue escorrido,
leia-me por dentro
para saber o porquê
do que há fora de mim.
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Lilith

Estive aqui, tu me escondeu
do templo que era pra ser meu.
Em desonra fui anhandeci,
na sombra dormi e sonhei
conosco na criação.

Copulação de ionização,
plasmados em comunhão.
A criação nasce da morte,
libertação traz o desnorte,
assombra a cocriação,
movimenta a voz e
desse som, houve luz.

Serpente em Terra moribunda,
não rastejou em terra alguma.
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Diabo pródigo

Sobre curta noção de algoz
largo-me no precipício de precipitações,
sem estar e sem ser, à mercê das compaixões.
Onde poderei dormitar minha cabeça cansada,
lugar onde o lumiar não seja de oblíqua demanda.
Consorte meu coração de retrancas
alcança a solução líquida e a derrama.
Com sorte o corte desinflama,
pequeno para o céu, grande para a lama,
dos vermes da terra faço uma cama,
Deus não me engana, não sou mais o que clama.
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Reconforto do consolo

Ao turbilhão de invazios caóticos
recitei um monólogo teu,
e logo o silêncio florido gritou e teceu
uma teia entre meu mundo e o seu.
Pensando em você, matei o invazio,
apesar do rejeito, me tirou do fraquejo,
ainda sensível, na ponta dos dedos.
Mãos de fada aveludando o meu peito,
lumiar anil dos olhos em renascimento.
Lhe quis trazer comigo nesse multiverso
virado do avesso, então de você
eu guardei um lampejo,
o desejo do teu doce beijo
e um falso "eu te amo"
como adeus.
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Nosso dia acaba assim

Abraços frouxos descolam os corpos
que nunca haviam em vida, se tocado.
Perto para vê-lo e longe para sentí-lo.
Ví-me nos olhos da tua esperança,
que antes de tua, era minha também.
Igualmente temeroso, bravamente nu,
rasgando de mim, os tecidos do corpo.
Desvestido me exponho para que vejas.
Perto para ver-me, longe para sentir-me.
Nosso dia acaba assim.
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Paradoxo da mentira

Arde goela e flama boca,
rasga lábio e logo exclama:
Minha língua sempre mente.
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Comentários (1)

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thaisftnl
2020-05-25

Belíssimas poesias, parabéns pelas obras!