Lista de Poemas
Confidências de Scipio e Laelius
Quando o amor inaudível toma as batidas do peito,
o que se escuta é um gemido dialético esquisito,
água fria em ferro quente, o corpo febril,
o choque das nuvens vigentes que o anjo vidente previu.
Meu peito rasgado e lavado no vinho,
gosto doce, emocional, vermelho e sutil.
Agora que tudo escorreu, tudo volta para dentro,
se arrastando por debaixo da tectonia mirabolante das placas,
como a poeira é varrida das solas dos tapetes
e meu corpo Laelius, recolhido em teus lençóis de Scipio.
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Cena do crime
Líquido em corpo morto,
carne em torno do osso,
crânio por trás do corvo,
silhueta esboça o corpo
do jovem casulo velho
gestante da borboleta.
Pele que a chuva beija,
água que olho despeja,
sangue ilhando a bela
estrela da boulevard.
carne em torno do osso,
crânio por trás do corvo,
silhueta esboça o corpo
do jovem casulo velho
gestante da borboleta.
Pele que a chuva beija,
água que olho despeja,
sangue ilhando a bela
estrela da boulevard.
👁️ 420
Castidade e amargura
Verto valor a troco do ouro,
pois de nada serviu o amor,
que distante do teu apalpe,
ao celibato me apregoou.
És antônimo de saudade,
meu reverso da verdade
e no berço do teu escuro,
solto a mão da claridade.
Esfaqueio o teu espectro
na babilônia da realidade,
falou-me o que não queria,
isento da minha maldade
por aqueles que dado dia
me afogaram à iniquidade.
Puro sangue desgraçado
das plêiades sorgiñak,
respeite meu peito sofrido,
respeite a minha coragem,
cada passo é dolorido,
cada erro é a castidade,
casto rente ao teu sorriso:
motriz da minha calamidade.
pois de nada serviu o amor,
que distante do teu apalpe,
ao celibato me apregoou.
És antônimo de saudade,
meu reverso da verdade
e no berço do teu escuro,
solto a mão da claridade.
Esfaqueio o teu espectro
na babilônia da realidade,
falou-me o que não queria,
isento da minha maldade
por aqueles que dado dia
me afogaram à iniquidade.
Puro sangue desgraçado
das plêiades sorgiñak,
respeite meu peito sofrido,
respeite a minha coragem,
cada passo é dolorido,
cada erro é a castidade,
casto rente ao teu sorriso:
motriz da minha calamidade.
👁️ 440
Baque do amante
Cerrei pálpebras e me vi chacoalhar meu crânio com as mãos,
pra ver o cérebro desprender e incorporar a minha interna confusão.
Ele sabe que reguei todos os sentimentos
por um único enxame de células rústicas,
a obra prima de Gaia, ninguém além do Você.
Nesse transtorno, aparto de mim os sentidos
e me despetalo pra ver teu riso de osso,
sem saber se é pra mim ou de mim.
pra ver o cérebro desprender e incorporar a minha interna confusão.
Ele sabe que reguei todos os sentimentos
por um único enxame de células rústicas,
a obra prima de Gaia, ninguém além do Você.
Nesse transtorno, aparto de mim os sentidos
e me despetalo pra ver teu riso de osso,
sem saber se é pra mim ou de mim.
👁️ 243
Inquisição
Confusão que me transtorna,
como a bússula entorpecida
por terem lhe tirado o norte.
Pagão que aceita catequese,
devoro a hóstia da tua mão
e nesse culto sou a bruxa
grunhindo à tua inquisição:
me degole com bondade
e mate-me em desilusão,
no terror da infelicidade,
na flor da infeliz idade,
despida para a solidão.
como a bússula entorpecida
por terem lhe tirado o norte.
Pagão que aceita catequese,
devoro a hóstia da tua mão
e nesse culto sou a bruxa
grunhindo à tua inquisição:
me degole com bondade
e mate-me em desilusão,
no terror da infelicidade,
na flor da infeliz idade,
despida para a solidão.
👁️ 396
Cantiga do amor doente
oh, amor
sou carne profana
que queima no templo
onde oras ao dobrar
seus joelhos
oh amor, parta
sem que me olhe
desse jeito
isso não é justo
e justiça eu mereço
sou carne profana
que queima no templo
onde oras ao dobrar
seus joelhos
oh amor, parta
sem que me olhe
desse jeito
isso não é justo
e justiça eu mereço
👁️ 310
Eterna confissão
Quão vulneráveis nos permitiríamos estar
se soubéssemos que o adeus viria breve?
Quanto amor daríamos ao adeus,
se soubéssemos que ele o seria?
Deixo a história esquecer meu nome, para manter vivos meus costumes.
O anonimato será minha legação?
Quando odiar, odeie em vida, para que teu furor não interrompa teu descanso
e o mesmo sentimento sistematiza o amor, defuntos insatisfeitos sofrem
na eternidade do próprio saudosismo.
O dialeto de quem fenece o corpo soa diferente aos ouvidos de quem resta
e estes, libam suas memórias em taças
afogadas em saudades alcoólicas,
pela falta de ouvir a voz amorosa dos faltosos que não fizeram da vida,
uma eterna confissão.
👁️ 437
Suspiro-dos-jardins
Cronos interferiu minha
compreensão do teu fenômeno,
William James mentiu para mim,
nossa síntese não há fim.
A priori da aparência,
dispensei de perceber,
pois de uma eternidade a outra,
meu ego engendrara você.
Processo senil me doía o peito,
por amor à vida, deixo o viver.
Estava aqui, a coisa-de-si
que Immanuel queria entender.
De eternidade a eternidade,
nada existe fora de mim,
salvo a minha vontade,
que contra a razão,
insiste em lhe ver.
👁️ 380
Comentários (1)
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thaisftnl
2020-05-25
Belíssimas poesias, parabéns pelas obras!
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