Ossos e respiração - ensaio sobre morrer

O abraço frio da terra há de lhe esfolar a carne,
arrancar teus nervos com a fome dos vermes
e amarelar eles, teus ossos.
Você estará maior do que jamais foi,
uno com a telúrica da Terra.

A morte é vista com olhos desesperados,
inda que em vida, não lembrem-na.
Quando se morre, torna-se aquele que era antes do nascer;
a vida não é uma assassina, sê o espelho circunstancial
dos nossos processos (al)químicos.

Estou em paz com a verdade que, onde quer que eu esteja,
hei de cair morto em solo de minha terra para adubá-lo.
Em vida ainda, estarão minhas partículas,
na boca roída dos ratos, no corpo esguio dos lacaios,
para sempre nos brônquios, de respiração em respiração.
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