É na paixão
É na paixão
É na paixão, que o amor se transfigura
E nessa conjunção de tons perfeitos
Quando em silêncio se recolhe a ternura
Que se abrem os lençóis de amplos leitos
Passe de magia, ou verso no papel
As ondas se confundem, o mar se agita
E o passe e repasse é entre ela e ele
E o coração no peito em ambos palpita
Entregam-se ao gozo de suas virilhas
Como quem não liga se é dele ou de quem é
Bebem-se no cálice de suas trilhas
Suas línguas devoram os lânguidos lábios
Naquele lugar perdido, ninguém os vê
Pois lá não chegam nem pensamentos sábios
São Paulo, 03/03/2010
Armando A. C. Garcia
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Conversando com a natureza
Conversando com a natureza
Devemos conversar com a natureza
É dela que nossa vida provém
Irradia esplendor e singeleza
A natureza é a segunda mãe
Modera, abranda e serena a alma
Dá paz, concórdia e harmonia
Conversar com a natureza acalma
Pelo frescor que dela irradia
É a fonte de riqueza, que nos dá
O alimento, que chega à nossa mesa
A água límpida e pura, lá está
Borbotando, harmônica, coesa
Sua exuberante flora, é um jardim
Onde a sinfonia das aves a trinar
Regidas pela imensidão sem fim
Há milhões de anos ecoam pelo ar
Sem pedir nada em troca, tudo nos dá
Sê gentil, conversa com a natureza
Ela, que tudo gera, e um dia quiçá...
Recolhe-nos ao ventre, cheia de nobreza !
São Paulo, 03/10/2011
Armando A. C. Garcia
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CORAÇÃO !
CORAÇÃO !
Meu amigo, companheiro, coração
Estás cansado de tanta luta, ilusão
Não há espaço p'ra lazer, ou diversão
Ininterruptamente estás em ação.
Sofres minhas dores, sofres minha pressão
Ó companheiro de tantas caminhadas
Não te dou descanso, nem nas madrugadas
E, vou pedir-te, ainda, aguenta coração
Um pouco mais de dor, um pouco de emoção
Porque a vida é linda, mesmo de ilusão
Dá-me essa dádiva, concede-me perdão
Dos atos tresloucados, sofridos sem razão
Tens batido convalido, sem satisfação
Mas de ora em diante, dar-te-ei valoração !
São Paulo, 04/11/2010
Armando A. C. Garcia
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Cinqüenta anos depois !
Cinqüenta anos depois !...
Vês agora tu a dor da minha desventura
Alma sedenta de amor de tempos idos
Sabor deste momento perdido nos anos
À mercê do despojo de tantos desenganos
Esperanças fugazes em prantos carpidos
Propenso ao amor, ávido de ternura
O tempo tirano, o amor adormece
Quem sóis vós de dons encantadores
Que a paz me tirais, regendo meu fado
Fulminante dor, estímulo tocado
Num gesto amado, dulcíssimos favores
Junta os pedaços de meu coração e tece
Cinqüenta anos de sonhos e clamores
Ouve a cruel incerteza da saudade
Que a dor profunda a delirar obriga
Suspiro há tanto tempo, coisa antiga
Desde os primórdios da minha mocidade
Fartando meu coração de dissabores
Em sonho fascinante teu amor mantive
Não há poder no mundo, que mude a sorte
Pouco a pouco o Ser sucumbe à natureza
Se teu regresso aponta, sou tua presa
Dar-te-ei mil beijos, num abraço forte
Amostra dos desejos que por anos tive
Se tudo não passou de um sonho lindo
Quem sóis vós que meus sonhos dominais
E dais alegria a um feliz momento
Acendeis de vivas cores vasto pensamento
No mais sensível dos amantes geniais
Em doce encanto, que ao despertar é findo!
São Paulo, 03/01/2006
Armando A. C. Garcia
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E-mail: armandoacgarcia@superig.com.br
Duas Rosas
Duas Rosas
Perplexo de extravasar os sentimentos
O poeta num dia de ira e rancor
Mandou o mundo, sem outros argumentos
Buscar no horizonte, uma nova cor.
Cansado de cantar em verso e prosa
O matiz de cores que a vida mesclou,
Preferiu o olor perfumado de uma rosa
A outra Rosa, mulher.; por si deixou.
E abraçando os espinhos perfumados
Com que a natureza a esta dotou,
Sentiu seus peitos menos perfurados,
Que nos da Rosa, que antes abraçou !
São Paulo, 02/07/1977
Armando A. C. Garcia
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Chamativo (infantil)
Chamativo (infantil)
Batem palmas de mansinho
Na soleira do portão
Fui olhar quem por mim chama
Com tamanha lentidão
Uma criança pequena
Pede um pedaço de pão
Faz dias que ela não come
Está sem cor e expressão
Acolhi a criatura
Mandei servir refeição
Fiz tudo para mitigar
Sua fome e aflição
Sua estória contou assim
No mundo não tem ninguém
Sua mãe chegou ao fim
E seu pai, ao fim, também
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 03/04/2004
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As lutas e o manejo (soneto)
As lutas e o manejo (soneto)
Sou eu... e serei eu até morrer
Solitário entre gente, desatino
É cuidar que se ganha do destino
É ferida que corrói ao corroer
E... no eu, que eu sou, sem perceber
Mudam-se as vontades e o desejo
As esperanças as lutas e o manejo
As aspirações, anseios e o querer
O tempo converte em nada a esperança
Deixa saudades e mágoas em desalinho
O mundo é mesclado de mudança
E o eu, de ontem não deixou herança
Perdido neste grande torvelinho
Que na vida se procura e não se alcança
São Paulo 06/01/2009 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Conflitos de Amor
Conflitos de Amor
Da afeição que eu tanto confiava
No amor que tão desejada era
Traição tamanha, jamais esperava
Quão grande a flama que em mim ardera
Enfim, só quem ama sabe, compreende
Que aquilo que se quer e se deseja
Há sempre alguém, que sem pelejar contende
Tão suspeito, que em curto tempo se não veja.
As lágrimas míseros dos dias sofridos
D’ amor qu’ teve começo, nunca teve fim
Foram prelúdio de jogador vencido
Que, na ordem do destino foi traído
A lealdade das juras já negada
No amor que sustinha não renova
Infestam a alma e a vida subjugada
Como lhe convinha, seu peito aprova !
São Paulo, 15/12/2001
Armando A. C. Garcia
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Convalidamente
Convalida/mente
Nesse rígido estado convalida/mente
Formado no seio de fluídos imperfeitos
És tu, quem sofre o delírio impaciente
A vítima no esboço dos amores desfeitos
Mulher ! Se teu desejo é forte e singular
Não sejas tu, a vítima que o motiva
Neste mundo imenso, haverá lugar
Onde limpar essa dor adversativa
Não sejas abstrata e contemplativa
Vê que o sol se esconde a cada dia
Para no outro, raiar sem evasiva
Nas ondas, não te deixes capitanear
Após agitada marulha, surge a estia
Motivo que te levará a reconsiderar
São Paulo, 06/11/2011
Armando A. C. Garcia
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Ditosa Magia
Ditosa Magia ...
Tinha uma certa magia,
Quando na rua passava
Um sorriso de alegria
Que todo mundo encantava
Essa cabocla atraía
Todos os olhares para si
Quis fingir que não a via
Ao final, não resisti
Eu confesso que não sei
Porque fingia não vê-la
Só meu desejo freei
Ao impulso de ser dela
Simulei p'ra disfarçar
Ao meu desejo sagaz,
Com vontade de agarrar
E dela, correr atrás
Finalmente compreendi
Que eu, sentia o amor
Que meu destino, era ali
Ao lado daquela flor
Seus impulsos de magia
Esperança que me alcançou
Foi sonho, sem fantasia
Que o meu mundo mudou
Cada minuto que passa
Tem o clarão da alvorada
É o esplendor, é a graça
Do destino, a nomeada
São Paulo, 20/03/2012
Armando A. C. Garcia
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