Emoções
Emoções
Deixa cair gota a gota
De teu corpo nu o suor
Deixa sair em cada gota
A combustão do amor
Solta tuas emoções
Saboreia a fonte viva
De esquecidas paixões
Sufocadas na esquiva
Deglutina este sabor
Apaga o fogo do desejo
No deleite do amor
No carinho do meu beijo
No delírio desvairado
Curte tuas emoções
É o ópio viciado
Na loucura das paixões
Cada toque de carinho
Vibra teu corpo nu
E cada taça de vinho
Impõe um novo tabu.
São Paulo, 11/01/2004
Armando A. C. Garcia
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Enquanto é Hoje !
Enquanto é Hoje !
Já o dia desmaia lento no ocidente
O sol agonia em soluço plangente
O crepúsculo desce recortando a terra
Cobrindo de início o prado, após a serra
A noite envolve a terra na escuridão
No mórbido langor de sua missão
No céu milhões de estrelas sem descanso
Cintilam o claro olhar piedoso e manso
Nas trevas da noite e ao resplendor da lua
Palmeiras esfolham-se ao indômito vento
E enquanto o vento chora, sua ira se atenua
A noite envolve a terra neste lamento
Onde a saudade não dorme ... se acentua
Em pensamento estável ao firmamento !
São Paulo, 26/04/2010
Armando A. C. Garcia
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Espuma de Cristal
Espuma de Cristal
Quero sentir do teu corpo o veludo
Carpir desejos de todos sonhos meus
Quero sentir o roçar dos seios teus
Persuasão que alivia o conteúdo
Fino cristal a tilintar em meus dedos
Espuma que o mar lança à areia da praia
Quero-te desnudar, sem blusa, sem saia
Mesmo que tenha de subir serras ou penedos
E, se a razão do amor em tal consente
Quero-te, alegre e jovial, não descontente
Junto a mim, na vida e na eternidade
Pois és tu, a alma gêmea que invade
Meus pensamentos desde a tenra idade
E por isso, amar-te-ei, eternamente.
São Paulo, 21/07/2011
Armando A. C. Garcia
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Eu quero cantar um fado
EU QUERO CANTAR UM FADO
Eu quero cantar um fado
Um fado eu quero cantar
Para ter-te ao meu lado
E puder te abraçar
"Refrão "
Ó gente da minha terra
Ó gente do meu país
Por tudo que ela encerra
Eu já me sinto feliz
Por tudo que ela encerra
Eu já me sinto feliz
Eu tenho o fado no sangue
Tenho o fado por raiz
Mesmo que eu esteja exangue
Morrer abraçado ao fado
É tudo que sempre quis
Eu quero cantar um fado
Para fazer-te feliz
Recebe o pequeno agrado
De um fadista aprendiz
São Paulo, 23/10/2009
Armando A. C. Garcia
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Esperança !
Esperança !
Minha alma ainda sustenta a esperança
De voltar a ver aquele bem tão desejado
Nem que seja uma tormenta ou um pecado
Nela repousa minha última lembrança
Suspiros, lamentos, o preço do desejo
Paixão, emoção, fogo que dilacera
Desatino de amor, sonho, quimera
Sentimentos que crescem de sobejo
A dor que sufoca o meu peito triste
Só nela encontra alívio e consolo
E se no sentimento o amor esmolo
É porque o amor no peito ainda persiste
Se morto na aparência, o mal condena
Penitência minha, desculpa extinta
Pois não resta do amor que eu não sinta
Na memória a razão de dor e pena
Resistência, pena cruel, tormento
Venenos de amor que o coração sorve
No silêncio repousado que absorve
Saudade do perpétuo sentimento
O socorro, a aflição, ninguém procura
Porque falta à minha alma contentamento
E se a causa é eterno esquecimento
Quanto resta desta minha desventura
Não há tormentas que o amor não vença
Nem lágrimas de fel que amedronte
Quando é forte nada dobra a sua fronte
E perdoa esquecendo agruras e ofensa
Esquece dos espinhos e amargores
Dos prantos derramados soluçando
Mesmo com a alma tristonha e chorando
O coração suplanta todas as dores!
São Paulo, 14/04/2003
Armando A. C. Garcia
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Estática Paixão
Estática Paixão
No amor foste minha última esperança
Que igual ao primeiro se desintegrou
Tu, que parecias elo de bonança
Foste a espada que meu coração sangrou
Ainda gemo surdos ais pela desdita
O medo esfria, porém a dor aumenta
Lágrimas de angustia, coração palpita
Transborda o pranto na gruta da tormenta
Nas juras desse doce amor, inda cotejo
Esperança, pelo tempo fenecida
Do que foi na vida meu maior desejo.
No meu peito não cicatriza a ferida.
E a quem coubeste, para sempre invejo.
Por este mísero sonho, que tive na vida !
São Paulo, 04/09/2009
Armando A. C. Garcia
Site: www.usinadeletras.com.br
E-mail: armandoacgarcia@superig.com.br
As cortinas da alma
As cortinas da alma
Abre as cortinas da alma
Deixa o sol penetrar
Tua vida terá calma
Poderás dormir, sonhar
Verás que tudo está mudado
Com fé, vigor e alento
Serás querido e amado
Não mais no esquecimento
A paz, grandiosa e mansa
Envolverá todo teu ser
Nem espada e nem a lança
Poderão fazer-te sofrer
Das coisas vãs, sem sentido
Tua alma, afastar-se-á.
O coração protegido
Do mal, defender-te-á
É prazer que não fatiga
Fórmula que não engana
Alimento que mitiga
E tua alma engalana
Na análise do real
A alma se engrandece
Quando afastada do mal
Rende a Deus uma prece
Porangaba, 16/06/2012
Armando A. C. Garcia
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Tua beleza
Tua beleza
Tua beleza e encanto
Balança minha emoção
É um arroubo e tanto
Prazerosa profusão
A arte da natureza
Pôs em ti, todo requinte
Deu-te a maior riqueza
Que não tem pintor que pinte
Esplendorosa e bela
Majestosa qual rainha
E ao mesmo tempo singela,
Onde o desejo se aninha
Teu encanto me domina
Não respeita meu querer
Minha razão se inclina
Sujeita a nunca te ter
Trina longe a melodia
Não vem de ti o cantar
Mas sinto nessa harmonia
Meu coração a te amar
Estás longe, qual estrela
Que à noite fito no céu
É só abrir a janela
Que estarei ao lado teu
Sinto olor do teu perfume
Na ramagem das flores
Em torrentes como lume
Consumido de amores !
Porangaba, 16/06/2012
Armando A. C. Garcia
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Exaltação à Mãe Maria
EXALTAÇÃO À MÃE MARIA
Como poeta, peço a Deus inspiração
Para puder falar sobre a mãe de Jesus
Maria, a única virgem que deu à luz
E seu filho trouxe ao mundo a redenção
Mostrou na grandeza de sua humildade
O sofrimento atroz, cruel e desumano
Quão perversa foi, e é a humanidade
Pregando na cruz, seu filho *messiano
Não professo os princípios da Santa Sé
Mas tenho que admitir que a Mãe Maria
É Mãe de todos, e até de quem não crê.
Descrente de religiões e fantasias
Os louvores que hoje vos rendo, Mãe Maria
São a prece pelos meus últimos dias.
* messiânico
São Paulo, 01/05/2008
Armando A. C. Garcia
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Êxtase
Êxtase
À tarde quando o aroma fresco das montanhas
Descia em catadupas até ao vale
Seu perfume penetrava nas entranhas
De minha alma em êxtase original
As sombras dos picos, caíam até às fraldas
Trazendo o perfume inebriante do alecrim
E do alfazema, em coroa de grinaldas
Como homenagem da natureza até mim.
A bruma da tarde trazia o gorjeio
Dos últimos trinados dos passarinhos
Como falando boa noite, em seu gorjeio
Antes de se recolherem em seus ninhos.
A lua em novilúnio, merencória
Banhava com seus raios tênues do luar
Prados e montes que em sua trajetória
À noite do alto, pode iluminar.
E a minha mente, poética, enlevada
Levou aos céus uma prece fervorosa
Para que a alma dos poetas amargurada,
Seja ela, eternamente, mais ditosa
São Paulo, 06/04/1964
Armando A. C. Garcia
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