À deriva do vento (soneto)
À deriva do vento (soneto)
Os campos exalam o olor do rosmaninho
Do alecrim, do tomilho e da bolota
Se misturam ao pó da estrada no caminho
Absoluto expoente, da mãe patriota
Ouso dizer, na errática jornada
Dentre o ontem, o hoje e o amanhã
Sem renúncia imprevidente ao nada
Confundir o dissoluto, com a virtude sã
Como epitáfios sarcásticos de mesuras
Vejo meus versos cair em desalinho
Sem o aroma e olor do rosmaninho
Sem público, sem palmas sem canduras
Como ovos esquecidos em seus ninhos
Não alçam vôo, nem serão passarinhos
São Paulo 05/01/2009 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Dá-nos Senhor !
Dá-nos Senhor !
Jesus! Dá-nos a eterna Luz
Aquela que nos conduz
Ao reino celestial
Dá-nos a fé e bondade
O senso de caridade
Paz em nosso coração
Dá-nos carinho e ternura
Amor e fraternidade
Em todo nosso caminho
Dá-nos imensa alegria
Para afastar a agonia
Que nos queira perturbar
Dá-nos Senhor o condão
De ver como nosso irmão
Aquele que nos ofendeu
A humildade do perdão
A coragem e a razão
De fazer um mundo melhor !
São Paulo, 17/05/2009
Armando A. C. Garcia
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As pessoas não são mais
As pessoas não são mais....
As pessoas não são mais....
Como eram antigamente !
A moral está por baixo
A honestidade... ausente!
São Paulo 24/11/2004
Armando A. C. Garcia
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Com o tempo
Com o tempo ...
Com o tempo, desgasta-se a matéria
O tempo tudo consome lentamente
O *ergástulo humano é impotente
Para conter a causa **deletéria
No abissal efeito da degeneração
Tudo se transforma no passar do tempo
Na sucessão dos anos, nesse passatempo
Vai sofrendo implacável mutação
Crede, mortais, por que ter fé inspira
Ao ponto alto que em vós sublimais
Não busqueis desesperados o que suspira
Porque a maldizente voz que escutais
Do furor louco de satã, jamais vos tira
Se a caridade e o amor não praticais
São Paulo, 24/09/2009
Armando A. C. Garcia
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* cárcere; masmorra; calabouço
**que destrói; que danifica; prejudicial
Como o fogo !
Como o fogo !...
Como o fogo e a água dão têmpera ao aço
O tempo nos dá a mesma consistência
Na vida a têmpera é moldada no espaço
Que cada um consegue na experiência
Quem não tem experiência, não tem passado
E quem não tem passado, não tem vivência
Sua têmpera está como ferro não malhado
Que o ferreiro leva ao fogo com paciência
Deixa a vida moldar-te com o mesmo banho
Com que se temperam os metais e o rijo aço
Verás então tu, quão grande é o tamanho
Da experiência, do passado e da vivência
E dar-lhe-ás o merecimento que encerra
Valor que hoje olvidas, pela ausência !
São Paulo, 29/08/2011
Armando A. C. Garcia
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Dor de cotovelos !
Dor de cotovelos !
Ver-nos-emos, certamente
Em caminhos paralelos
Eu, sorrindo, descontente.
Tu, com dor de cotovelos !
São Paulo, 24/03/2008
Armando A. C. Garcia
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Desencanto !
Desencanto !
Desencantado, perdi o gosto pela vida
Na mesma desilusão a força de viver
Minha alma triste desfalece consumida
Na morte triste e densa do esmorecer
Transbordou a taça de pranto e agonia
Já nem sei quando quimeras aparências
Vendavais, tufões, explodem dia a dia
Precipitando fogosas impaciências
Inexoráveis fados, dias de amargura
Nem um raio de razão, louco intento
Meu estro sem talento, poesia impura
Destino, paixões perdidas... falsidade !
Vontades que ficaram, só meu tormento
Com o peito a gemer... nesta saudade !
São Paulo, 04/06/2008
Armando A. C. Garcia
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Desarmamento
Desarmamento
Estão pedindo nosso voto
Para o cidadão desarmar
Ficamos de bolso roto
Sem ninguém a nos guardar
Seria melhor condenar
Com mais rigor e energia
O que só sabe assaltar
Usando a pontaria
Fica o governo inerte
Ante a inversão social
O ladrão, nunca se aperte
è o povo o imoral
Benjamim Franklin dizia:
Com muita propriedade
Que se as armas algum dia
Do povo, forem saudade...
- Então, governo e ladrão
De que é a propriedade, dirão !
São Paulo, 07/10/2005
Armando A. C. Garcia
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Coração sem Juízo !
Coração sem Juízo !...
Não culpes minha alma... se o coração
Não tem juízo. Nem mesmo, ponderação
E a cada paixão se envolve cobiçoso
Jurando não mais ser tão pretensioso
Na fronde das árvores oculto os segredos
Das minhas entranhas; aboli os medos
A névoa esfuma e com as nuvens conspira
Tresloucado coração, novo amor suspira
Volúpias almiscaradas em profusões
Ungidas de metáforas e de carinhos
O envolvem em inefáveis turbilhões
Restando apenas a trilha dos caminhos
Interlúdio entre o sossego e as paixões
Nas sendas matinais dos passarinhos
São Paulo, 11/05/2009
Armando A. C. Garcia
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De ti ausente
De ti ausente...
De ti ausente, minha vida, meu amor
Os anos me consumiram por inteiro
Nunca mais encontrei amor maior
Daquele amor singelo e verdadeiro
Meu contentamento foi a ventura
E hoje, velho, caduco, sem esperança
Peregrinando a fio, longa vida dura
Aguardando milagre, da bem-aventurança
Quase rendi os sentidos ao pensamento
Para um dia, quiçá voltar a vê-la
Mas minha alma, que passou tanto tormento
Venceu meu desejo... usando da cautela
Que neste mundo tenho experimentado
Vendo o tempo passar, dela tenho pena
Certo que seu amor, não tenha prosperado
Pois aos apartados o cupido condena
Falsas esperanças, ledo engano
Vivi tristemente, cheio de ilusões
Condição cruel imposta ao ser humano
Perdido de amores, cheio de paixões
Hoje, as lembranças daquilo que imagino
Têm por companheira a saudade
Quão grande a caminhada sem destino
Quão cruel o desengano da amizade
A mágoa que choro, não chorarei sozinho
Se tive de perder, eu não perdi sem par
Quem sabe ela passa tormentos no caminho
Desiguais que não devo sopesar.
E se cruzar novamente o meu caminho
O amor que agora tenho sepultado
Peço a Deus que esse acúleo espinho
Não seja mais, por mim compartilhado
São Paulo, 30/03/2003
Armando A. C. Garcia
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